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Mais sangue no hospital de Saurimo

João Salvo | Saurimo

Os serviços de hemoterapia do Hospital Geral da Lunda Sul foram ontem mais reforçados com sangue, depois de uma doação promovida pela Brigada Jovens Solidários (BJS), em parceria com a Associação da Mulher Polícia (AMPA).

A doação de sangue na Lunda Sul foi promovida pela Brigada de Jovens Solidários em parceria com a Associação da Mulher Polícia
Fotografia: Santos Pedro

Enquadrada na campanha “Angola Vermelha”, levada a cabo pela brigada em todo o país, a doação faz parte das grandes estratégias de contribuição para a diminuição de mortes por falta de sangue nos hospitais.
Para esta empreitada, a BJS mobilizou cerca de 250 jovens, entre filiados à associação, voluntários, membros de igrejas e distintos órgãos da Polícia Nacional.
Domingos Quiala, responsável da BJS, referiu que a pretensão da brigada é igualmente evitar que os doentes acamados fiquem à espera de transfusão por muito tempo.
A directora do Hospital Geral da Lunda Sul, Hortência Miguel, manifestou a sua satisfação pela ajuda da brigada, uma vez que a doação chega numa altura em que a hemoterapia regista uma grande escassez de sangue.
A referida escassez resulta da ausência de dadores voluntários e da falta de doações regulares, o que obriga a que os familiares de pacientes com necessidade de transfusão continuem a ser um dos principais contribuintes do produto a nível da província. Em função desta doação, Hortência Miguel acredita que, por alguns dias, a unidade clínica vai sentir um certo alívio, para dar resposta aos casos com necessidade de transfusão que possam surgir.
A directora do hospital apontou as parturientes, com maior incidência das mulheres que fazem os partos no domicílio, crianças e as vítimas de acidentes de viação como os casos que lideram as estatísticas de transfusões de sangue. Hortência Miguel avançou ainda que outra causa da transfusão de sangue tem a ver com as doenças infecciosas crónicas, em que a maioria da população recorre inicialmente a terapeutas tradicionais e só mais tarde, em estado anémico, chegam ao hospital. Em crianças, a directora disse que muitos motivos de transfusão estão relacionados com a malária e a má nutrição. “Sobre o paludismo, dizer que a província é endémica e, neste ano, houve uma modificação do plasmódio”, explica.
Em função desta modificação, Hortência Miguel lamentou o facto de continuar-se a registar muitos casos de anemias, por causa da malária, uma vez que “o plasmódio ficou mais agressivo.”

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