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Mona Quimbundo combate pobreza

Adão Diogo| Mona Quimbundo

O empenho de famílias camponesas e associações agrícolas está a permitir aumentar a produção e o abandono da monocultura. As novas áreas de produção agrária estão integradas nos programas provinciais de combate à fome e pobreza e abrangem a comuna de Mona Quimbundo, 50 quilómetros a Oeste de Saurimo, capital da província da Lunda-Sul.

Os camponeses estão a beneficiar de apoio diverso para aumentarem a produção
Fotografia: Pedro Miguel

O empenho de famílias camponesas e associações agrícolas está a permitir aumentar a produção e o abandono da monocultura. As novas áreas de produção agrária estão integradas nos programas provinciais de combate à fome e pobreza e abrangem a comuna de Mona Quimbundo, 50 quilómetros a Oeste de Saurimo, capital da província da Lunda-Sul.
António Fernando vive do que colhe na lavra onde cultiva, com a ajuda da mulher e duas filhas, os alimentos necessários ao agregado familiar. Para cobrir outra parte dos encargos no lar, presta serviço numa fazenda, situada nos arredores da vila de Mona Quimbundo.
António Fernando e outros camponeses de Mona Quimbundo aguardam pelo crédito da campanha agrícola, para aumentarem a produção e garantirem fartura de alimentos. Os camponeses começam a produzir excedentes cuja venda proporciona lucros que permitem adquirir outros bens de consumo e melhorar as condições de vida.
 Situada a 50 quilómetros de Saurimo, Mona Quimbundo possui condições de solo e clima favorável ao cultivo, à grande escala, da mandioca, arroz, amendoim, feijão, batata-doce, produtos hortícolas e frutas. A agricultura e pecuária são neste momento as principais actividades desenvolvidas pela maioria dos 13.526 habitantes da vila.
O administrador adjunto, Jeremias Pedro Bungo, diz que os esforços das famílias camponesas e das associações agrícolas no interior redundam em fracasso por deterioração das colheitas devido às dificuldades de escoamento. Acrescenta que também se verificam atrasos na distribuição de sementes e fertilizantes. O quadro de dificuldades inclui a falta de dinheiro para custear o aluguer de tractores.

Cultivo do arroz

Os camponeses da região estão empenhados no combate à fome e pobreza. Cada camponês cultiva no mínimo um hectare. Os técnicos incentivam a prática do emparcelamento de terras e a associação dos camponeses para diversificarem as culturas, em detrimento da monocultura, dominada pelo plantio da mandioca em lavras familiares inferiores a um hectare.
Jeremias Pedro Bungo informou que o Ministério da Agricultura, no ano passado, impulsionou a produção do arroz, através de um programa piloto de multiplicação de sementes: "o projecto fracassou por razões desconhecidas. As 17 toneladas de sementes disponibilizadas nos diferentes campos seleccionados germinaram e cresceram, mas em vez de grão produziram apenas flores", disse.
O resultado obtido estrangula o trabalho de pesquisa realizado pelas autoridades competentes. As referências do passado colocam a comuna no topo de áreas potencialmente produtivas do cereal, onde um punhado de camponeses tem vasta experiência em torno de cuidados que envolvem o cultivo. Quanto ao crédito de campanha, os camponeses defendem que dos 5.000 dólares estipulados por produtor, "metade da verba deve ser destinada a despesas inerentes a trabalhos específicos, fora do que está previsto".
 
Equipamentos sociais
 
A construção de um novo edifício para a administração local, um posto policial, seis casas para técnicos e funcionários melhoraram a imagem da vila de Mona Quimbundo que já dispunha de um hospital, sistema de captação e distribuição de água por intermédio de chafarizes, energia eléctrica e uma escola com seis salas.
A sua localização junto à via entre Saurimo, Cacolo e Malange, facilita a circulação. Os habitantes remeteram ao passado os velhos tempos de isolamento com a activação dos serviços da Rádio Nacional, UNITEL e TPA.
No domínio da educação, a comuna matriculou este ano lectivo 2.688 alunos, da iniciação ao primeiro ciclo e tem oito professores, dos quais apenas três são assíduos.

 

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