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Movimento na fronteira com RDC mais rápido

Adão Diogo * | Chiluage

Makanda Makuiza, 32 anos, 20 litros de água à cabeça, filho às costas, passos firmes, transpõe os últimos 50 metros que a separam do posto fiscal, perto do qual as autoridades de Angola e do Congo Democrático, instalaram um ponto de  travessia do rio Kassai.

A zona urbanizada de Chiluage inclui instalações da administração com uma residência protocolar e aposentos para o administrador
Fotografia: Flávia Massua

Makanda Makuiza, 32 anos, 20 litros de água à cabeça, filho às costas, passos firmes, transpõe os últimos 50 metros que a separam do posto fiscal, perto do qual as autoridades de Angola e do Congo Democrático, instalaram um ponto de  travessia do rio Kassai, para facilitar a circulação de cidadãos através da comuna de Chiluage, no município de Muconda, província da Lunda-Sul.
De regresso à pátria, no termo de uma visita familiar à comuna de Sandoa, interior da RDC, a angolana elogiou a simplificação de requisitos pelas autoridades fiscais dos dois países e a segurança nas rotas utilizadas para as diversas localidades.
No rio das “ águas verdes,” habitat  predilecto de jacarés e hipopótamos, duas frágeis canoas artesanais asseguram a travessia de passageiros e mercadorias. Do lado de Angola a responsabilidade pela “ pilotagem” é do ancião Patrício Kumba, que cobra 250 kwanzas por passageiro. Faz este trabalho há 18 anos.
Um convite para um passeio na sua canoa surpreende os repórteres desta casa. A aceitação da arriscada passeata custou calafrios, disfarçados com risos. O visitante chega ao local depois de percorrer sete quilómetros de picada que separam a vila do ponto de travessia.
A manutenção da inviolabilidade da fronteira limitada pelo rio Kassai é o quotidiano das forças da Polícia  de Guarda Fronteira, baseadas na sede comunal de Chiluage.
O comandante Manuel Martinho Ribeiro Sambaia nota que o quadro de estabilidade no movimento migratório reflecte o cumprimento de pactos produzidos em encontros entre as estruturas dos dois países, para estabilidade da circulação dos cidadãos.
“Registamos neutralidade no movimento de violação à nossa fronteira”, referiu Manuel Martinho Ribeiro Sambaia, apontando constrangimentos ligados à falta de botes e lanchas para garantir segurança na travessia de pessoas, nos pontos criados, três vezes por semana. O comandante da Polícia de Guarda Fronteira sublinha que a transição de pessoas nos dias programados concorre para melhorar as transacções comerciais, onde o gado bovino, aves, carne de caça, peixe, dominam a lista de mercadorias, solicitadas pelos habitantes locais, permitindo aos congoleses adquirirem óleo alimentar, sabão e outros bens.
Um cenário de ordem e higiene reforça a auto-estima do povo na conservação das infra-estruturas da vila que incentivaram o regresso de 3.700 habitantes, dos 8.100 da comuna, situada a leste de Saurimo e que ocupa uma superfície de 9.660 quilómetros quadrados.
Um centro de saúde, com dez camas e áreas para os principais serviços, funciona com cinco enfermeiros, dos 15 necessários. Para acudir situações de emergência a comuna, em reconstrução há quatro anos, dispõe de uma ambulância.
A zona urbanizada inclui as instalações da administração com uma residência protocolar, aposentos para o administrador, casa para o seu adjunto. A comuna tem uma escola do primeiro nível. Um gerador de 60 KVA garante o fornecimento de energia eléctrica. Há também um tanque reservatório de 50 mil litros de água potável que garante o abastecimento diárioda população em cinco  chafarizes construídos na vila e bairros circundantes.
O administrador adjunto da circunscrição, Pedro Txizeneva, destaca incumprimentos na conclusão de escolas, centros de saúde, e casas para quadros nas localidades de Tambwe, a Sul, e Dala Chiluage, a Oeste, ambas situadas a cem quilómetros da sede comunal, por parte dos empreiteiros Mussende Lda e João Mosaico.

 Conforto e percalços 

 Um percurso de 100 quilómetros de estrada asfaltada proporciona  viagem confortável aos visitantes, na segunda e última etapa que começa na sede de  Muriége. Mas há ainda 80 quilómetros com extensos troços de terra batida  entre ravinas, areais e curvas apertadas. O mau estado destes 80 quilómetros da estrada impedem a circulação de autocarros públicos, o que atrasa o aumento do movimento a partir da fronteira.
O trânsito na parte da estrada de terra batida é reduzido. O atrevimento de alguns automobilistas na luta pelo pão quotidiano representa um sacrifício, pago com danos avultados nas viaturas. Mas o “número dois” da comuna, Pedro Txizeneva, expressa a sua confiança no Governo Provincial, para Chiluage “explodir” na senda do desenvolvimento a favor das populações.     
                       
*Com Flávia Massua

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