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O país está a andar e a marcha é notória

Adão Diogo | Saurimo

O arcebispo da Diocese de Saurimo, Dom José Manuel Imbamba, elogiou os esforços desenvolvidos pelo executivo no sentido de, em dez anos de paz, melhorar as condições de vida das populações.

Fotografia: Dombele Bernardo



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“Dou os meus louvores pela perspicácia e sensatez na solução dos problemas elementares do cidadão. Admiro esta criatividade de fazer chegar tudo isso às populações”, disse.
Indagado sobre as vozes que insistem em afirmar que o país não progrediu, Dom Manuel Imbamba replicou afirmando que “como cidadãos com olhos para ver, ouvidos para ouvir, e boca para falar, não podemos esconder aquilo que está manifesto para a luz do sol”. O país está a andar, está a crescer pouco a pouco, ao encontro das necessidades elementares dos cidadãos através das respostas aos vários problemas que nos afligem - vincou.
Esta marcha - disse - é notória. “Em pouco tempo mudamos a imagem do nosso país, estamos a conseguir chegar onde não podíamos”. Como tudo, salientou, “este é um processo. Não vamos pretender que o país mude de um dia para o outro. É um grande desafio, uma grande missão que requer de todos nós muito trabalho, sacrifício, inteligência e criatividade”.
Pesssoalmente apelo que todos continuemos nesta senda de ir ao encontro dos problemas mais elementares das populações, levando de forma paulatina escola, posto médico e o comércio, exortou o arcebispo da Diocese de Saurimo.
A concluir Dom Manuel Imbamba alertou para o seguinte facto: “a necessidade do momento apela a uma atenção especial ao nível da microeconomia”.

Humanização da família

A sociedade e a família foram também tema da conversa que Dom Manuel Imbamba manteve com o Jornal de Angola. O arcebispo da Diovese de Suairmo é de opinião que a humanização da família e valorização do matrimónio são fundamentais para salvar a sociedade mediante a partilha dos sentimentos de sinceridade, perdão e responsabilidade na educação do indivíduo, .
O preladodefende que a família deve ser inecntivada e “assumir-se como uma comunidade reconciliada e reconciliadora vivendo o verdadeiro amor, para a sociedade brilhar nas suas obras”.
Dom Manuel Imbamba expressou profunda preocupação pelo aumento da violência, infidelidade e outras práticas anti-sociais que reflectem a “falta de algo” responsável pelo “mau funcionamento no seio da própria família”, vítima de influências culturais que “atentam contra a dignidade da pessoa, da família e da própria sociedade”.

Alternativas

Entre as soluções propostas para resolver os problemas destaca a necessidade de identificação de todos os males e definição de estratégias, “porque o pecado não se esgota”. O arcebispo incentiva aos angolanos a agirem com inteligência, diante das influências nocivas da cultura e da globalização, lembrando que “o mundo ocidental já está cansado, saturado e a empobrecer porque privilegia o lucro, a riqueza, a fama, o dinheiro, o desfrute de prazeres em detrimento de valores cultivados no passado”.
Alertou a sociedade angolana e outros povos, que dão os primeiros passos no caminho do desenvolvimento, sobre o risco de “absorver determinadas formas de vivência do mundo mais avançado”.

Influências

O mandatário da região eclesiástica Leste do país considera que “estamos a viver as consequências da degradação moral desse mundo ocidental, que desnaturalizou o amor humano, visto como uma invenção dos padres das igrejas e das religiões”. Exploram o instinto animal que vive em nós, sem considerar o facto de sermos pessoas, com consciência, liberdade e responsabilidade nos actos - sublinhou.
A liberalização do amor, segundo o bispo, gerou a banalização da família, como instituição natural. Deu lugar à “artificialidade que considera o amor a dois e na família como uma cantiga”, prevalecendo a ideia da pessoa pensar numa liberdade sem limites.
O também antropólogo referiu que muita gente encara o amor como um indício para a própria realização pessoal, sem restrições de obrigar alguém a viver com uma única pessoa, tendo como “tese” a liberdade de “poder amar esta, ou aquela pessoa”. Segundo disse, “este sentido de liberdade deturpada está na origem dos problemas que assolam a sociedade”. Apelou a urgência de se vincar posições e ideias, para “não banalizar a essência da pessoa humana, colocada ao mesmo nível que outros animais”.

Realidade

Dom Manuel Imbamba sustenta o argumento citando a homossexualidade e exemplos de pessoas que copulam com animais, “numa clara deturpação dos princípios naturais, para exaltar uma liberdade isenta de norma, de lei, e muito menos de religião, por não sabermos o que valemos, e por orgulho próprio, de tomar por divino o modelo da cultura do mundo ocidental, mas esquecendo que estão a despejar-nos o lixo moral da degradação e do desprezo”.
O missionário referiu que o quadro vivido denota a perda paulatina de “julgar, de ver o que nos convém, e avaliar aquilo que exalta capacidades espirituais, interactivas/evolutivas, para se assemelhar a Deus, o que nos difere de outros animais”.
Casamentos precoces

Dos dramas vividos na região diocesana o arcebispo destaca o conformismo reinante no seio das famílias e das comunidades, onde muitas adolescentes de 14, 15 e 16 anos, gerem o embaraço de serem mães sem qualquer formação.Na conversa mantida com muitas, acharam ser algo normal.
Sobre o assunto o arcebispo vislumbra um futuro nublado para as raparigas, vítimas da ignorância e que tem o horizonte de vida circunscrito as lides domésticas e a procriação.
“Isto para mim é muito forte, e as causas têm a ver com aspectos da própria cultura que não favorecem um crescimento digno”, justificou, precisando que alguns constrangimentos inibem sonhos, ousadia, perspectivas e organização da própria vida e do futuro, estimulando a prática do sexo como única diversão, responsável pela ocorrência da gravidez precoce.

Acção de seitas religiosas

Dom Manuel Imbamba ataca a prestação de seitas religiosas que incentivam o abuso do sexo, tirando proveito da ignorância, do impacto de novelas, internet e revistas, da moda libertina marcada pela exibição e comercialização do sexo e a pedofilia, que campeia no seio da juventude.
Dom Imbamba considera estes incentivos de “experiências muito ruins, que desresponsabilizam e convertem as pessoas em meros instrumentos de prazer e negócio. Para inverter esse quadro em que a jovem rapariga é vítima das consequências do desamparo e da falta de escrúpulos, a igreja trabalha com grupos juvenis, à luz de programas delineados, para banir a ignorância em relação à sexualidade, abordando temáticas ajustadas às circunstâncias, através de palestras e iniciativas do género.

* Flávia Massua

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