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Obras mudam a imagem da vila de Muriége

Adão Diogo |Muriége

Kapindji Kole, o mesmo que escravo magoado, observa o homem da construção civil, quando desenrola, de forma ágil, dois cabos pretos, numa das grandes empreitadas para a reabilitação da rede pública de energia eléctrica, na comuna do Muriége, cerca de 100 quilómetros a leste de Saurimo, província da Lunda-Sul.

Administradora comunal Maria Ulumbo
Fotografia: Adão Diogo |Muriége

Kapindji Kole, o mesmo que escravo magoado, observa o homem da construção civil, quando desenrola, de forma ágil, dois cabos pretos, numa das grandes empreitadas para a reabilitação da rede pública de energia eléctrica, na comuna do Muriége, cerca de 100 quilómetros a leste de Saurimo, província da Lunda-Sul.
O rapaz, de dez anos, aproxima-se vacilante do homem e tenta participar na actividade como aprendiz, testando a sua habilidade, depois de observar o desempenho do mestre. O gesto do menor gera cochichos entre os técnicos, que abanam as cabeças em sinal de aprovação da iniciativa.
Órfão de pai, o primogénito de antigo casal de camponeses, tem demonstrado sempre, nas suas andanças, ter herdado grandes ensinamentos e princípios dos pais, apesar da idade, como a obediência e seriedade, interpretadas como postura comportamental de um “escravo magoado”.
 As obras que o menino Kapindji Kole tenta ajudar, ainda que de forma inocente, referem-se à instalação de candeeiros de iluminação pública, a par da conclusão de duas casas geminadas para técnicos e sistemas de abastecimento de água, no quadro de novas obras da administração comunal do Muriége para aumentar e inovar a oferta em serviços. Enquanto Kapindji procura dar uma mãozinha aos operários, a pequena Maria Salomé está junto de um chafariz, em companhia de outros meninos, à espera que a água jorre a qualquer altura. A administradora da comuna de Muriége, Maria Ulumbo, disse,ao Jornal de Angola, que as acções gizadas criaram no seio dos habitantes uma sensação de bem-estar, apesar de a comuna enfrentar ainda problemas com a falta de quadros para os sectores da saúde e educação.

Dificuldades

A par destas dificuldades, a administradora salientou que a localidade se debate com questões ligadas à degradação de infra-estruturas e daí a necessidade de se recuperar três escolas e algumas dependências do hospital local.
 A agricultura ocupa o quotidiano dos mais de 6.000 habitantes da comuna, que se dedicam à produção, em grande escala, da mandioca, principal base da dieta alimentar, batatas doce e rena e feijão, um incentivo criado pela distribuição de sementes e disponibilidade de vastos campos férteis.
Os camponeses, segundo a administradora, defendem que o governo defina políticas favoráveis à utilização de tractores na preparação dos solos, numa estratégia de poupar tempo, esforço e contribuir para a elevação das colheitas.

Outros ganhos

A presença de uma cabine móvel e de técnicos adstritos aos serviços de identificação civil ajudou a resolver o problema de centenas de pessoas que viviam sem qualquer documento. A população local aplaudiu a iniciativa das autoridades enviarem uma equipa para que muitos conseguissem obter cédulas e outros documentos.
A par deste programa, as autoridades empenham-se em reabrir o corredor leste até ao rio Cassai, no município do Luau, local que limita o país com a República Democrática do Congo. Para isso, há dois anos, mais de 300 quilómetros de estrada e pontes foram totalmente reabilitados, o que está a facilitar circular por Muriége. 
Maria Ulumbo salientou que a reabilitação da estrada trouxe grandes benefícios aos habitantes, que actualmente têm acorrido aos postos de registo eleitoral.
 A administração de Muriége conta com um novo e amplo espaço, localizado a cerca de dois quilómetros da vila, para prestar serviços à comunidade. O empreendimento, que servia de estaleiro, foi entregue pela Mota-Engil.

Reabilitação de estradas

Depois de ter terminado as obras de construção do troço rodoviário Saurimo/Muriége/Muconda/Cassai Sul/Luau, a empreiteira decidiu oferecer um espaço de cinco hectares à administração, no quadro da sua responsabilidade social. No referido espaço existem escritórios, dormitórios, refeitório, cozinha, sala de lazer, casas de banho, campo desportivo e áreas espaçosas cobertas com brita, o que permite a edificação de outros empreendimentos no local.  A entrega do espaço foi recebida com bastante satisfação por parte das autoridades provinciais.  A governadora Cândida Maria Narciso agradeceu o gesto e referiu que a estrada edificada pela construtora vai facilitar a vida dos habitantes da localidade.

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