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Província tem milhares de crianças fora do ensino

João Upale |Namibe

“Temos mais de nove mil crianças fora do sistema normal de ensino”, disse à nossa reportagem António Muvundeno, o director provincial da Educação da Lunda-Sul. O Governo Provincial está a fazer tudo para que todas as crianças estudem mas há uma grande falta de escolas e estruturas desportivas.

O crescimento das infra-estruturas de ensino está muito aquém do aumento exponencial do contingente de novos alunos
Fotografia: Kindala Manuel

“Temos mais de nove mil crianças fora do sistema normal de ensino”, disse à nossa reportagem António Muvundeno, o director provincial da Educação da Lunda-Sul. O Governo Provincial está a fazer tudo para que todas as crianças estudem mas há uma grande falta de escolas e estruturas desportivas.
António Muvundeno apontou como principais causas para a existência de crianças em idade escolar fora do sistema de ensino, a falta de escolas, pavilhões desportivos e casas para os professores. A ausência de alojamento reduziu ao mínimo o número de docentes com um perfil aceitável para preencher o vazio existente na região.
A falta de professores é um problema difícil de resolver porque há grande carência de quadros na província e no país.
António Muvundeno esteve recentemente na cidade do Namibe onde participou no primeiro seminário nacional sobre o novo regulamento de avaliação do desempenho do professor, promovido pelo Ministério da Educação. António Muvundeno disse que para colmatar as vagas de professores na Lunda-Sul é preciso um grande esforço nacional. Disse ainda que o elevado índice de crianças fora do sistema normal de ensino se deve também à fraca distribuição da merenda escolar.

Jornal de Angola - Depois da conclusão do seminário nacional sobre o novo regulamento do desempenho da avaliação do docente, qual é a mensagem que vai transmitir ao sector que tutela na Lunda-Sul?

António Muvundeno
- Esta acção que foi desenvolvida aqui na província do Namibe sobre o desempenho no sector da Educação é muito importante, porque os professores e outros técnicos do sector vão perceber que só o seu desempenho pode elevar a qualidade do ensino. Vamos realizar acções idênticas com todos os responsáveis e líderes das escolas. Queremos pôr em prática a avaliação do desempenho e estimular o diálogo entre os responsáveis das escolas e os parceiros sociais.

Jornal de Angola –Vai apostar na organização das escolas?

AM
- Aqueles que fiscalizam os serviços da Educação e também aqueles que os acompanham devem fazer tudo para atingirmos um nível de organização aceitável. Para isso é preciso agir com rigor a nível de todos os estabelecimentos de ensino. É isso que vamos fazer, porque afinal de contas a avaliação do desempenho do professor não significa castigo mas sim animar as pessoas a trabalhar com prontidão. Significa sobretudo que os professores devem trabalhar com mais empenho, com mais eficiência para que de facto os nossos alunos aprendam.

JA – Como pensa resolver o problema da falta de professores?

AM – Estamos a abrir concursos e este ano foi-nos atribuída uma quota de 700 candidatos, 300 para o ensino primário, 184 para o primeiro ciclo e 286 para o segundo ciclo. Neste nível é que residem as maiores dificuldades, porque os candidatos têm de possuir uma licenciatura ou um mestrado e não temos candidatos com esse perfil.

JA - O Ministério da Educação pode resolver essa carência?

AM - O Ministério garante a mobilidade dos professores. Isso significa que independentemente do local onde os candidatos façam o concurso, podem ir preencher vagas nas províncias mais carenciadas. Mas nós temos um problema muito sério, a falta de alojamentos. Nem todas as localidades têm casas para acolher os professores. Mas se houver professores interessados em trabalhar na Lunda-Sul, nós vamos ultrapassar esta situação e arranjamos casas.

JA - Como se encontra o sector de Educação na província?

AM - Há dificuldades mas não estamos muito mal, todos os subsistemas do ensino na província funcionam. Oferecemos às crianças e aos jovens escolas desde o ensino primário até ao superior e isso já é muito bom. O Governo Provincial está a construir mais escolas. Vamos dando respostas para diminuirmos o número de crianças fora do sistema de ensino. Fazemos a distribuição gratuita dos manuais fornecidos pelo Ministério da Educação.

JA - O número de crianças fora do sistema de ensino está a descer?

AM – Este ano lectivo a cifra de crianças fora do sistema de ensino é superior a nove mil crianças e temos algumas escolas com turmas superlotadas. O normal era termos 35 alunos dentro da sala de aula, mas há escolas em que temos 60, 70 alunos, isto porque estamos a fazer tudo para diminuir o número de crianças fora do sistema de ensino. Há mais crianças a ingressar no sistema.

JA - A merenda escolar está a funcionar?

AM - A merenda escolar é um outro problema. Nós estamos a fazer chegar esse apoio a 35 mil alunos do ensino primário, que corresponde a 20 escolas. Mas na província da Lunda-Sul temos 192 escolas. Estamos a trabalhar para ver se podemos estender a merenda escolar a toda a rede escolar, mas os recursos financeiros não são suficientes para atingir maior número de alunos. Nós começámos a distribuir a merenda escolar na província em 2007, beneficiando as crianças das 20 escolas da sede provincial e até agora, por falta de recursos financeiros não conseguimos alargar a oferta aos restantes municípios e comunas.

JA - Quantas escolas tem a província da Lunda-Sul?

AM - Construídas temos 192 escolas do ensino primário e do primeiro ciclo, que são poucas. Temos duas escolas do primeiro ciclo no município sede e outras em cada um dos três municípios do interior. Depois temos também uma escola do ensino superior na sede da província.

JA - As escolas têm estruturas desportivas?

AM - um dos maiores problemas que nós temos é a falta de estruturas desportivas. As escolas temos, mas as instalações desportivas estão degradadas. Isto nos estabelecimentos escolares onde elas existiam. Nas novas escolas não há pavilhões desportivos. É uma questão que está a ser corrigida este ano, para que à medida em que se constrói uma nova escola, tem que se ver também a área desportiva.

JA - Qual é o panorama do ensino nos municípios e comunas do interior?

AM – Em Saurimo há necessidade de mais escolas e mais escolas para professores. A mobilidade dos professores faz com que haja municípios que têm mais quadros do que outros. Para fixá-los são necessárias casas nessas localidades. Queremos em todas as escolas campos polivalentes e bibliotecas. Estamos a trabalhar para que nos próximos anos lectivos haja o segundo ciclo nos municípios e o Governo Provincial está a apostar na formação dos professores na escola superior da Lunda-Norte.

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