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Rigor na gestão salva Catoca da crise

Adão Diogo | Catoca

A manutenção da força de trabalho, credibilidade e rigor na gestão, mediante a contenção de despesas no domínio do investimento e terciarização de serviços, de apoio indirecto à produção, sobressaem do quadro dos reajustamentos estratégicos feitos pela Sociedade Mineira de Catoca para sobreviver às oscilações no mercado económico e financeiro mundial a partir de 2008. A afirmação é do seu director-geral, José Ganga Júnior.

Director Geral da Sociedade Mineira de Catoca José Manuel Ganga Júnior
Fotografia: Francisco Bernardo

A manutenção da força de trabalho, credibilidade e rigor na gestão, mediante a contenção de despesas no domínio do investimento e terciarização de serviços, de apoio indirecto à produção, sobressaem do quadro dos reajustamentos estratégicos feitos pela Sociedade Mineira de Catoca para sobreviver às oscilações no mercado económico e financeiro mundial a partir de 2008. A afirmação é do seu director-geral, José Ganga Júnior.
Segundo Ganga Júnior, no leque de esforços para contornar a crise, a SMC criou um comité integrado por técnicos competentes, que incentivaram a empresa a disponibilizar uma verba de 50 milhões de dólares para as operações geológicas e mineiras, o que garantiu stocks em diamantes, “porque não houve pressa em vender o produto”.
Referiu que as experiências amargas vividas, e o último “abano” no mercado económico e financeiro mundial, registado entre Setembro e Outubro do ano passado, “aconselham ao cuidado” num momento em que o fraco nível de procura reduziu em 20 porcento o preço de venda de diamantes, que tinha por principais compradores os Estados Unidos da América e a Europa.

Rendimento

Ganga Júnior garante que a sua empresa está na etapa “anterior à crise ocorrida em 2008”, em resultado do recurso aos mercados da China e Índia, que figuram à cabeça da lista dos maiores consumidores mundiais na actualidade. Compensam a crise comprando “85 porcento de 6.500.700 quilates da nossa produção anual”, para uma produção média mensal de 550 mil quilates - argumentou. Este patamar de produção paulatino que contou com reservas anteriores, é reflexo positivo da cooperação técnica e constitui o ponto forte defendido na visão estratégica, traçada pela empresa até 2034/2035. Com o lucro líquido de 141 milhões de dólares, resultantes do rendimento global de 611 milhões de dólares, Catoca desenvolve actividade de pesquisas em outros pontos, dentro da área de concessão, e em outras províncias do país com potencialidades mineiras.

Expansão

Para a exploração de um novo quimberlito na localidade de Txiuso, que ocupa uma extensão de 15 hectares, contra os 63 da actual área em exploração, os técnicos concluíram com sucesso os respectivos estudos de viabilidade. Na província do Kwanza-Sul decorrem trabalhos de prospecção nas localidades de Leji e Gango, depois de uma investigação sismológica, no ar e em terra, apontar para a existência de quimberlito.
O fim da estação das chuvas propicia o arranque das sondagens para a obtenção de outros dados.

Responsabilidade social

O director-geral de Catoca refere que o nível de necessidades vigentes no seio das comunidades assistidas no quadro da responsabilidade social da empresa torna as “acções incipientes”. Nesta área preocupa a empresa a criação de condições para garantir a sustentabilidade dos projectos agro-piscícolas, e presume, pelos comentários ouvidos, que “o grau de receptividade é bom”.
As exigências requeridas no processo de mineração reflectem o impacto na agressão da natureza, mas “somos obrigados, à luz da lei, a repor o cenário de equilíbrio” através de programas traçados por uma estrutura que intervém especificamente no domínio ambiental. A empresa trabalha em prol do arranque das obras para a construção das primeiras 1.500 casas, de 3.500 previstas, num bairro social que privilegie os trabalhadores locais e população, no esforço de elevar a qualidade de vida para todos.

Novos negócios

Na entrevista concedida ao Jornal de Angola, Ganga Júnior revela a intenção da empresa desenvolver, daqui a dez anos, suportes que permitam duplicar o rendimento actual, contando com subsídios e pensando na diversificação da exploração em fontes de energia hidroeléctrica, dentro e fora do país.

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