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Sinais de progresso na Regedoria do Tambwe

Adão Diogo |Tambwe

A regedoria de Tambwe, comuna de Chiluage, na Lunda-Sul, tem seis chafarizes, abastecidos por um tanque aéreo de 35.000 litros e que resolvem as carências dos mais de 1.400 habitantes que até agora tinham dificuldades de acesso à água potável.

Foram construídos na região novos sistemas de captação e distribuição de água potável
Fotografia: Flávia Massua|Tambwe

A regedoria de Tambwe, comuna de Chiluage, na Lunda-Sul, tem seis chafarizes, abastecidos por um tanque aéreo de 35.000 litros e que resolvem as carências  dos mais de  1.400 habitantes que até agora tinham dificuldades de acesso à água potável.
Este primeiro passo de progresso, enaltecido pela comunidade, marcou o arranque das obras de construção  da nova escola com seis salas, um centro de saúde e reabilitação de um bairro com casas definitivas, construído em 1974.
A regedoria está situada a 20 quilómetros da fronteira com o Congo Democrático e a mais de 300 da cidade de Saurimo.
Abílio correia, encarregado das obras, reafirmou o seu empenho em cumprir com os prazos previstos no contracto, admitindo que a degradação de  cerca de 200 quilómetros do percurso de terra batida, dos 300 que separam a regedoria da cidade de Saurimo, atrasam o transporte de material de construção civil, mesmo utilizando viaturas com tracção às quatro rodas.
Há quinze dias na empresa, o cidadão Cassongo  augura “aprender de tudo um pouco” para agir como profissional competente,  no programa de reabilitação de infra-estruturas e de reconstrução do bairro onde nasceu. O contrato que subscreveu define um salário de  150 dólares, de acordo com a sua categoria. Dentro do modelo de construção de bairros urbanizados em zonas rurais, definido na época pelas instâncias coloniais, Tambwe representa o “ exemplo mãe”, seguido pelas  localidades de Txoji e Sakambunji,   no mesmo perímetro fronteiriço, ao nível da província.
A reconstrução da circunscrição nesta zona longínqua e de difícil acesso atesta o progresso  do desafio de transformar o país “num verdadeiro canteiro de obras”, anunciado pelo Presidente da República, para, aos poucos, eliminar os vestígios da guerra e firmar a esperança pelo desenvolvimento multissectorial no seio das comunidades. Ao descrever o quadro vivido pelas populações, o regedor do Tambwe, Gustavo Kahango Mbwanha, expressou o sentimento  de “alguma felicidade” que liberta “a minha gente, sujeita a discriminação na RDC, onde  recorre, habitualmente, para  fins  de tratamento  médico, por não termos condições  para uma assistência efectiva”.
Confessa que a construção, equipamento e funcionamento de uma escola primária onde estudam 500 crianças, além de 100 adultos, 51 mulheres para as aulas de alfabetização, instalação de água, reconstrução de cinco casas e do centro médico, suaviza a pressão sofrida em anos anteriores, sustentada  pelo sentimento de suposta incompetência de sua parte, para “defender os direitos da população”.
A autoridade tradicional apelou a urgência na extensão dos sinais da Rádio Nacional de Angola (RNA) e Televisão Pública Angola (TPA), para contrapor o impacto produzido pelas notícias emitidas pela Voz da América, única fonte de notícias acessível à população. As necessidades de comunicação apontadas incluem também a instalação dos sinais de telefonia móvel afectos à Unitel e Movicel, alegando “constrangimentos no funcionamento dos sistemas de comunicação liga-liga,” disponível no bairro.


Evangelização e costumes


Enalteceu o trabalho de  evangelização gizado por cinco igrejas protestantes para a mudança da mentalidade do povo, arraigada na crença  e prática do feitiço, violência doméstica, casamentos precoces e outros actos que concorrem para o surgimento de conflitos no seio das famílias.
De acordo com os procedimentos locais, avançados por Mbwanha  “o adultério é resolvido mediante pagamento ao marido desonrado, pelo adúltero. Acrescenta que em caso do falecimento do cônjuge (marido) “a viúva é devolvida à  respectiva família”.
Nota que é prática corrente na comunidade o consentimento para  casamento de uma jovem no mínimo com 16 anos e a obrigação do pretendente cumprir  com os requisitos estipulados como dote”.
A dificuldade na circulação de pessoas e bens é o principal factor que atrasa a vida em Tambwe.  
O estado dos cerca 200 quilómetros da via Tambwe/Chiluage/Muriege, em direcção a cidade de Saurimo, agrava o quadro de uma série de irregularidades nos 60 quilómetros, também em terra batida, que desembocam na sede da localidade de Kassai-Sul.
Uma das alternativas encontradas para gerir a situação consiste em esperar a chegada de um viatura da administração, ou de particulares, neste caso sujeito ao pagamento em kwanzas 1.000.00 ou 25.00.00, caso o destino seja a cidade de Saurimo. Esta situação remonta há vários anos, mas a sua solução carece de estudos e investimentos de vulto.


Décadas a tratar doentes


A experiência acumulada em  37 anos de trabalho, aprofundou o sentimento humano do enfermeiro Augusto Mwazela, que  atende diariamente 30 pacientes. O seu trabalho começa com a limpeza do consultório, sala de tratamento para dar lugar as consultas, análises e medicação, para combater as diarreias, tosse e aliviar dores na coluna, de que a maioria adulta padece.
O único enfermeiro está disponível a qualquer hora. No exercício da profissão gere incompreensões ao apelar para a preservação  do saneamento do meio e construção de latrinas, interpretados “muitas vezes como postura de arrogância ou desprezo aos contemporâneos”.
“Por isso, o senhor vê as casas envoltas por capim” referiu, apontando para o bairro, onde várias famílias optam pelo tratamento na vizinha República Democrática do Congo, em detrimento do centro onde “nunca faltou nada, pelo stock de medicamentos essenciais existentes”, garante o enfermeiroAugusto Mwazela.
A população da regedoria de Tambwe, na comuna de Chiluage, cultiva desde a mandioca, milho, ginguba e outras culturas. A agricultura de subsistência é o suporte principal para a sobrevivência, secundada pela pesca e caça, utilizando métodos tradicionais. 

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