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Surto de Sarampo na Lunda-Sul

Yara Simão| Saurimo

A província da Lunda-Sul tem sido assolada desde Fevereiro deste ano, por um surto de sarampo. Só no passado mês de Agosto foram registados 559 casos, que resultaram em 40 óbitos.

Hospital Provincial de Saurimo que tem recebido muitas crianças afectadas pelo sarampo
Fotografia: Dombele Bernardo

A província da Lunda-Sul tem sido assolada desde Fevereiro deste ano, por um surto de sarampo. Só no passado mês de Agosto foram registados 559 casos, que resultaram em 40 óbitos. A área da Pediatria do Hospital Central de Saurimo está sobrecarregada. Neste momento, mais de 100 crianças estão a ser assistidas.
O director do hospital, Isaac Savumbe, disse que uma das causas que leva à morte rápida dos pacientes é os familiares recorrerem ao tratamento tradicional: "aqui na província, as pessoas em vez de recorrerem aos hospitais, procuram primeiro os tratamentos tradicionais, e quando a situação é muito grave procuram as urgências. Daí tantos casos de morte".
Isaac Savumbe revelou que na Pediatria há muitas dificuldades para internar crianças, devido ao surto de sarampo: "com o apoio do Governo Provincial, estamos a construir uma estrutura no pátio do hospital, para acudir ao elevado número de crianças que apanham a doença".
A direcção do hospital está a fazer campanhas de prevenção com entidades ligadas à saúde pública, para informar e educar a população, principalmente as mulheres, sobre as formas de actuar em função do surto de sarampo que assola a província.
Isaac Savumbe acrescentou que outra preocupação tem a ver com a escassez de medicamentos no hospital: "temos falta de medicamentos, porque a capacidade de aquisição é inferior aos gastos, mas temos visto um grande esforço do Executivo para que não faltem medicamentos para as crianças com sarampo".
Para estancar a doença foi feito uma campanha de bloqueio na província, mas não foi suficiente. Com o apoio do Governo Provincial, as autoridades sanitárias organizaram outras campanhas durante15 dias, para informarem as populações sobre os cuidados a ter contra a doença.
O director do Hospital Central de Saurimo informou que a as campanhas de educação para a saúde visam alertar as mães para os sintomas do sarampo. Os sinais mais frequentes são a febre moderada ou alta, acompanhada de tosse, conjuntivite e intolerância à luz, cansaço e falta de apetite. Quando as crianças apresentam estes sintomas devem ir imediatamente ao posto de saúde mais próximo.
Isaac Savumbe alerta que o sarampo é altamente contagioso e por isso é importante que todos estejam imunizados contra a doença. "A vacina do sarampo é administrada segundo as normas da Direcção Geral de Saúde contidas no Plano Nacional de Vacinação, com algumas particularidades para o viajante com idade inferior a nove meses e o idoso. É ainda contra-indicada em mulheres grávidas e em pessoas com alergia à gelatina, ou que tenham verificado reacções adversas a doses anteriores da vacina", disse o médico.

Doença infecciosa

O sarampo é uma doença infecciosa aguda, de natureza vírica, transmitida de pessoa para pessoa por meio das secreções expelidas pelo doente ao tossir, espirrar, falar ou mesmo respirar. O período de incubação do vírus pode variar de sete a 18 dias. O período de transmissão varia de quatro a seis dias antes do aparecimento de manchas avermelhadas na pele até quatro dias depois.
A morte ocorre devido a complicações como a pneumonia, diarreia e encefalite. Não existe tratamento específico para o sarampo, há apenas a recomendação de repouso, hidratação e isolamento dos doentes para diminuir o contágio. As complicações bacterianas são tratadas com antibióticos.
Com capacidade para 300 camas, o Hospital Central de Saurimo tem serviços de medicina interna, pediatria, cirurgia, ortopedia, otorrinolaringologia, oftalmologia, estomatologia.
"Temos recursos humanos à altura, nunca precisamos de mandar pacientes para Luanda. A nossa dificuldade é a falta de camas, porque recebemos cada vez mais doentes", disse o director do hospital.

Outras doenças

A malária e as doenças respiratórias agudas, que afectam principalmente as crianças e os idosos, são as mais comuns na província da Lunda-Sul. O director provincial da Saúde, Alberto Chungo, disse que a malária é a segunda causa se morte, a seguir à tuberculose: "temos um elevado número de infectados com a tuberculose, mas tudo fazemos para estancar a doença".
Em termo de Sida, há registo de muitos casos novos da doença: "os doentes que estão sobre o nosso controlo estão a ser acompanhados, temos medicamentos disponíveis e distribuímos remédios a todos os municípios. Na província temos 300 casos seropositivos e todos os anos aparecem novos casos".

Progressos na saúde

De 2002 para cá, as infra-estruturas melhoraram significativamente na província da Lunda-Sul. Há permanentemente formações e qualificações dos médicos e enfermeiros, segundo o Director provincial da Saúde Alberto Chungo.
Falar de saúde  é também referir o saneamento básico, que em Saurimo funciona em pleno e reduz o número de casos de doenças. Com o alcance da paz, a província conseguiu construir três hospitais municipais, 11 centros comunais de saúde, um centro materno infantil, uma escola técnica provincial de saúde, dois centros de saúde, um centro de aconselhamento e testagem voluntaria do VIH/SIDA.
Está em fase de conclusão uma cadeia de frio, para conservar as vacinas para as crianças e mulheres em idade fértil.
Em termos de recursos humanos, poucos quadros nacionais de saúde aceitam trabalhar no interior, disse Alberto Chungo: "O Governo Provincial oferece aos quadros técnicos da saúde excelentes condições de habitabilidade, mas mesmo assim os médicos e enfermeiros não querem trabalhar na Lunda-Sul".
Actualmente a província tem 46 médicos, dos quais dez são angolanos: "Precisamos de 65 médicos para preencher as infra-estruturas já existentes e as que estão na forja, como a maternidade provincial e o hospital municipal de Saurimo, projectos já aprovados a nível central", disse Alberto Chungo.

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