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Uma cidade em processo de renovação

Adão Diogo | Saurimo

Saurimo assinalou 56 anos de existência desde que ascendeu à categoria de cidade através do diploma legislativo número 2757, de 28 de Maio de 1956, com a denominação de Henrique de Carvalho, chefe da expedição militar portuguesa, e primeiro governador do então distrito da Lunda.

Repuxos de água no jardim situado defronte ao edifício sede do governo provincial da Lunda-Sul o local preferido por muitos munícipes para passar os tempos livres
Fotografia: Dombele Bernardo

Saurimo assinalou 56 anos de existência desde que ascendeu à categoria de cidade através do diploma legislativo número 2757, de 28 de Maio de 1956, com a denominação de Henrique de Carvalho, chefe da expedição militar portuguesa, e primeiro governador do então distrito da Lunda.
Reflexo do desinteresse das instâncias coloniais, atraídas pelo impacto do diamante, que apelava à concentração de elevada força de trabalho, em detrimento de outra actividade, a urbe teve nos anos subsequentes um desenvolvimento tímido e faseado.
Os primeiros traços de urbanização despontaram a abertura de algumas ruas, edificação de casas, lojas, concepção de uma central para a captação e abastecimento de água, numa previsão de crescimento para 18.000 habitantes.
O vandalismo gerado pela euforia e ignorância no limiar da independência, acentuado pela desarticulação em tempo de conflito armado, gerou a estagnação dos programas de desenvolvimento traçados.
A urbe serviu de porto seguro para milhares de pessoas, fugidas das respectivas áreas de jurisdição, gerando o crescimento desordenado e a devastação da cintura verde, na luta pela sobrevivência, sobretudo nas periferias.
As chuvas aterrorizaram famílias devido às inundações, por obstrução das linhas de água, favorecendo o surgimento de ravinas que, aos olhos de todos, provocaram o assoreamento do lendário rio Muangeji.

Reconstrução

O arranque dos programas de reconstrução em tempo de paz propiciou a implantação de novas infra-estruturas, recuperação e ampliação das existentes, resgatando de forma paulatina a dignidade de uma cidade moderna, limpa e arrumada.
A reasfaltagem de ruas acabou com os buracos e outros transtornos ao trânsito. A iluminação resgatou a segurança e incentivou o ensino nocturno. Valas a céu aberto edificadas em betão armado afastaram o perigo das ravinas nas periferias. A recuperação de rotundas, parque infantil e jardins funcionou como cartão de visitas para o munícipe e qualquer visitante.
O número de hospitais aumentou nas periferias, provocando o descongestionamento na maior unidade da província. Com água à fartura, escolas para todos, lojas e afins, Saurimo assumiu, por mérito, o estatuto de capital atractiva, ontem com mais de 80.000 habitantes, hoje com cerca de 160.000.

Cidade Diamante

Saurimo é hoje exemplo de que onde há trabalho e empenho os frutos não tardam. O trabalho de limpeza e saneamento básico gizado pelas operadoras, constitui referência, em parte, para merecer a designação de “cidade diamante”, gravada na maior parte das placas de informação fixadas nas ruas.
No quadro dos preparativos para a festa o governo procedeu à substituição e pintura de lancis, fachadas frontais de edifícios, decoração de árvores, além de instalar sistemas luminosos multicolores.

Inaugurações

Escolas, centros de saúde, parques infantis, jardins, lar para estudantes, sistemas de abastecimento de água para três comunidades nas periferias da cidade, casas para os técnicos, são parte das realizações entregues à população.
Maio foi um mês de festa para Saurimo e para a província da Lunda-Sul e, na lista de surpresas no seu 56º aniversário, a urbe e a sua população ganharam a inauguração de uma Central Térmica, com capacidade para fornecer mais de sete Megawatt de energia e suportar cerca de 5.000 ligações domiciliares, em cerimónia que foi presidida pelo ministro de Estado e da Coordenação Económica, Manuel Vicente, que se fez acompanhar da governadora Cândida Narciso.
No mesmo dia Manuel Vicente e Cândida Narciso também inauguraram o “Portão do Leste”, um mercado espaçoso e moderno situado no bairro Kandembe. A abertura deste antigo espaço, agora inovado, oferece oportunidade a centenas de vendedores. O mercado alberga um balcão afecto ao Banco de Poupança e Crédito BPC.
Consciente da euforia em ambientes de festa o administrador Gregório Miasso apelou à moderação no consumo de bebidas alcoólicas, respeito aos bens públicos que dignificam a nossa cidade, “para que a alegria não se transforme em tristeza”. E o apelo foi cumprido.

Visão do Rei Lunda Tchokwe

Entre os sinais notáveis no desenvolvimento multifacético de Saurimo, o soberano lunda tchokwe Mwatshissenge Watembo aponta o “aumentos no número de escolas dentro da cidade e periferias, recuperação de estradas, pontes e de ruas em bairros que nunca foram asfaltados”.
Desclassifica todas as pessoas que de forma maliciosa minimizam os feitos do Executivo, desde o alcance da paz, “porque não sabem o que dizem”.
Lembra que a ignorância no passado “levava as pessoas a considerarem de pássaro qualquer coisa que passasse no ar. A realidade, hoje, anulou a confusão, para não falarmos de outras coisas que despertam admiração no nosso íntimo”.
Para ele as ruas “em boas condições, limpas e edifícios bem pintados, atestam a atenção do executivo para dignificar a população”. Convida ao regresso à procedência, de “todo o cidadão angolano que ido da diáspora, desembarque no país para incitar a confusão”.
O soberano realça que “os sinais de desenvolvimento de uma cidade passam pela disponibilidade de água potável, energia eléctrica, escolas, hospitais, ruas asfaltadas e outros serviços”.
Exímio bailarino de Carnaval e que no passado conquistou três títulos de forma consecutiva, lembra que todos “esqueceram estas glórias, porque já sou velho”. Profetiza que “Saurimo chegará mais distante do que se pensa”.

Cidade aconchegante

Pedro Mwatxongo é coordenador do bairro Luavuri. Considera que o desenvolvimento da cidade de Saurimo honra a impressão esboçada pelo Presidente António Agostinho Neto ao sublinhar no seu discurso que Saurimo “era pequeno, mas aconchegante e com futuro”.
Segundo Mwatxongo, as condições de acesso ao ensino disponíveis, desde que alcançamos a paz, facilitam a qualquer pai ou mãe na formação dos filhos. “Quem procede ao contrário não quer aproveitar”, referiu.
Lalá Nico, 41 anos, é cidadã de nacionalidade caboverdiana, crescida em Saurimo, onde concluiu o curso básico de enfermagem. Os 15 anos de trabalho “nesta terra representam uma bênção”. O cidadão João Miguel destaca a disponibilidade de transportes públicos urbanos, intermunicipais e provinciais, “coisa que víamos apenas em Luanda”.
Residente há quatro anos na cidade de Saurimo, ido de Luanda onde viveu 20 anos, ressalta que na terra natal “encontrei oportunidade de emprego na função pública”.

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