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Venda de água imprópria perto do fim

Flávia Massua |* Saurimo

Efectivos da Polícia Económica encerraram vários poços de abastecimento de água imprópria para o consumo humano e apreenderam vários camiões cisternas e diversas motobombas nos bairros Kandembe, Kamahundu, Nhama e Kalussaze, arredores da cidade de Saurimo.

Fotografia: JAimagens

A operação resultou de denúncias de populares, preocupados com a venda de água em diferentes bairros suburbanos de Saurimo, a partir de poços construídos ilegalmente e cisternas.
O director da Polícia Económica, António Martins Chilala, chefiou a operação realizada em parceria com o Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (INADEC) e direcções da Saúde e Energia e Águas.
António Martins Chilala disse que os prevaricadores revendiam água de qualidade duvidosa, obtida a partir de reservatórios improvisados, sem as mínimas condições de higiene, apenas preocupados com o lucro fácil.
Testes laboratoriais, realizados em vários pontos visitados por elementos ligados ao departamento de Energia e Águas, revelaram a existência de elevado potencial de hidrogénio, condutividade e acidez.
A comissão detectou em vários pontos de abastecimento de água insectos de várias espécies, rãs e sapos no interior dos tanques de água, largamente consumida por populares que vivem nas comunidades suburbanas onde o sistema de abastecimento público tem uma cobertura deficitária. A incursão, segundo o inspector provincial da Saúde, João Sekuma, serviu também para um trabalho pedagógico, traduzido no apelo à construção de retretes para criar um ambiente saudável, que reduza a propagação de doenças, como diarreias, malária e vómitos, provocadas pela exposição de dejectos e outros resíduos que concorrem para a poluição da água, sobretudo em tanques a céu aberto.
A responsável do INADEC, Delfina Mazau, ressaltou a coragem dos populares que denunciaram a venda de água imprópria para o consumo humano, notando que isto desencoraja a prática de actos que atentam contra a saúde humana.
A cidadã Napassa Cristina, habitual cliente de água das cisternas, referiu que a compra do produto resulta da falta de possibilidade de conseguir água de boa qualidade.

*Com Camuanga Júlia

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