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Vila de Muriége apresenta uma nova imagem

Flávia Massua| Muriége

O cenário de higiene, ordem e tranquilidade despontam à vista do visitante que chega à vila de Muriége, situada junto a Estrada Nacional 230, a cerca de 100 quilómetros a leste da cidade de Saurimo.

Conquistada a paz há 11 anos a vila de Muriége ganhou novos equipamentos sociais que dá qualidade de vida aos seus habitantes
Fotografia: Flávia Massua| Saurimo

O isolamento parcial, justificado pela ida da maioria dos habitantes para o campo marca o quotidiano, enquanto os funcionários públicos cumprem com as suas tarefas nas distintas instituições onde trabalham.
Parado diante da sua casa, atribuída pelo Estado, o professor João Baptista fala do conforto vivido por centenas de alunos com a ampliação da escola construída há três anos e a instalação de equipamentos nas salas.
A facilidade de circulação na estrada desde que foi reabilitada e sinalizada, a funcionalidade do Centro de Saúde, o acesso à água potável e à energia eléctrica, quatro casas geminadas para os técnicos, novas instalações para a Administração e a Polícia Nacional, além de uma loja e cantinas, são os principais traços da nova imagem da vila. Para a recuperação dos doentes com complicações, o Centro de Saúde conta com 15 camas e uma ambulância.
Mas há outros. O professor João Baptista acrescenta as oportunidades de emprego abertas aos jovens com a instalação de empresas que operam, principalmente, na construção civil. No mesmo diapasão, a aluna Dina Carla, 18 anos, diz que apenas aguarda a instalação, na comuna de Muriége, de uma antena de telefonia móvel para facilitar a comunicação com os familiares que vivem em outros pontos da província e do país.
Muriége, comuna com uma superfície de 8.000 quilómetros quadrados e uma população de 5.700 habitantes, maioritariamente mulheres, aposta também na formação. Para lutar contra o analfabetismo, a Administração criou condições que permitiram a inserção de 90 alunos no programa de alfabetização, distribuídos por salas cedidas por duas igrejas, uma das quais destruída por acção das chuvas fortes que caem sobre a região.
O professor João Baptista destaca o empenho da administradora na realização de palestras e actividades sobre a igualdade de género com as mulheres e sobre a importância da alfabetização. A administradora Delfina Mazanga enaltece o comportamento cívico da população, apesar de lembrar que se registam casos de agressão física entre os jovens.
A Polícia Nacional trabalha em parceria com a administração local na manutenção da ordem pública e realiza também sessões de aconselhamento aos jovens da vila e arredores.
Transferida da comuna de Kassai Sul há sete meses, a administradora Delfina Mazanga perspectiva a continuidade no desenvolvimento da comuna. Do Programa Municipal Integrado de Combate à Fome e à Pobreza, Delfina Mazanga elege a construção de uma nova escola com seis salas, duas casas para garantir o alojamento condigno do administrador e seu adjunto e para os sobas nos nove bairros que integram a comuna. 
Enfermeira profissional, Delfina Mazanga valoriza a contribuição de todos, incluindo as autoridades tradicionais, “com ideias para definir prioridades nas acções  que estimulem o desenvolvimento”.
Sinais de degradação na estrada entre Saurimo e Muriége começam a despontar por causa das chuvas e da falta de manutenção, e sugerem cautelas aos automobilistas. Os buracos e obstáculos aumentam de tamanho e número e são um alerta para as autoridades competentes, três anos depois da reabilitação da estrada realizada pela Mota Engil, a AFA e a Conduril, com a aplicação de asfalto e a construção de 15 pontes ao longo dos mais de 300 quilómetros até à fronteira com o Congo Democrático, através do rio Kassai.

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