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Violência doméstica com mais denúncias

Victorino Matias | Dundo

A violência doméstica deu origem, ao longo de este ano, a 339 denúncias na Lunda-Sul, revelou na sexta-feira, no Dundo, a chefe em exercício do departamento para a política familiar da direcção local da Família e Promoção da Mulher.

Madalena Muiza, que falava no âmbito da agenda integrada da campanha mundial dos “16 dias de activismo pelo fim da violência contra as mulheres”, que decorre desde o dia 25 de Novembro em todo o país, disse que entre estes casos se destacam os de abandono do lar, fuga à paternidade e incumprimento de mesadas.
O machismo, um sentimento de superioridade do sexo masculino sobre o feminino, é apontado como um dos principais factores das agressões dos homens às mulheres. Por isso, Maria Muiza acredita que a educação a nível das famílias é um dos principais caminhos a seguir para fazer diminuir os índices de violência nos lares.
Em todo o país, este ano, 7.769 casos de violência doméstica foram registados pela Direcção Nacional para os Direitos das Mulheres, com destaque para o abandono familiar, que representa a metade dos actos, com mais de quatro mil.
Euclides Lopes, técnico do Ministério da Família e Promoção da Mulher, referiu que foram ainda registados 1.782 casos de violência psicológica, 1.289 física, 136 laboral e 121 sexual. O também sociólogo apontou o alcoolismo, a falta de diálogo, a poligamia, a crença no feiticismo, a pobreza, o desemprego e os ciúmes como as principais causas da violência nas famílias em todo o mundo e, em particular, em Angola.
Euclides Lopes explicou que a violência doméstica é, geralmente, cometida no meio familiar, transformando, assim, os lares e as famílias em ambientes de risco e de violação dos direitos individuais.
“Falar da violência doméstica é um problema universal, que atinge milhares de pessoas de forma silenciosa e dissimulada”, afirmou, para acrescentar que se trata de um fenómeno que acontece em ambos os sexos e não distingue raça, posição social ou credo religioso.
Esta violência é praticada no seio familiar, envolvendo homem, mulher, crianças, pessoas idosas, portadoras de deficiências e pessoas com VIH/Sida. O sociólogo salientou que tanto a mulher como o homem podem ser vítimas de violência doméstica. “Todos estão sujeitos a sofrer actos desta natureza”, advertiu.
 A desestruturação familiar, perda de bens materiais e de emprego, prostituição, elevado índice de delinquência juvenil, redução da auto-estima, deformações no corpo (cicatrizes), ferimentos graves e até a morte, como algumas consequências da violência.

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