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"Zango mu ussoko" reduz casos de agressão

Camuanga Júlia|Saurimo

Maria Bernardete, 30 anos, é ouvinte assídua do programa radiofonico “Zango mu ussoko”, que na língua portuguesa significa “Alegria na família”, emitido uma vez por semana, sob responsabilidade da direcção provincial da Família e Promoção da Mulher, para desencorajar a prática da violência, nas suas múltiplas formas.

Directora provincial interina da Família e Promoção da Mulher Laurinda Lemessa
Fotografia: Dombele Bernardo

Maria Bernardete, 30 anos, é ouvinte assídua do programa radiofonico “Zango mu ussoko”, que na língua portuguesa significa “Alegria na família”, emitido uma vez por semana, sob responsabilidade da direcção provincial da Família e Promoção da Mulher, para desencorajar a prática da violência, nas suas múltiplas formas.
Os dez anos de casada representaram até ao início deste ano um pesadelo devido as surras constantes, protagonizadas pelo marido, que normalmente regressava a casa embriagado. O auxílio prestado por conselheiras da Promoção da Mulher, e a conversão do agressor a fé cristã, deram espaço ao diálogo harmonioso no lar.
O silêncio dos filhos, forçado pelo medo, faz parte das páginas do passado. O pai centraliza a atenção de todos os membros no lar. Risos e gritos de alegria dominam o quotidiano. “Posso considerar que agora vivo em paz, embora nenhum lar esteja isento de problemas”, referiu.
Em declarações à reportagem do Jornal de Angola, a directora substituta do sector, Laurinda Lemessa, destaca o impacto positivo trazido pelo programa e outras iniciativas no seio das comunidades. Em muitos lares o programa dá lições para a boa convivência. Sobre o facto, notou que a fuga de jovens à paternidade, incentivada por famílias, por alegada falta de condições, reduziu consideravelmente e consequentemente a humilhação da mulher. O combate ao fenómeno resgatou o valor de ser progenitor e reafirmou o princípio da igualdade de direitos, independentemente do sexo.
As estatísticas confirmam a redução para 128 o número de casos de violência doméstica registados de Janeiro a Abril passado, contra 180 em igual período do ano anterior, reflexo da “mudança de mentalidade”, sobretudo por parte dos homens, ao substituírem “a justiça por mãos próprias” pela denúncia das respectivas parceiras, em circunstâncias em que há atropelo às normas nos lares.
Acrescenta que no período em balanço, a instituição notificou 101 casos, que incluem incumprimentos no pagamento de mesadas, abandono de lares, fuga à paternidade e desalojamento, apresentados sob forma de queixas, na sua maioria por mulheres.
“A situação da família melhorou”, disse, fruto da participação crescente de mulheres nas aulas de alfabetização, vencido o tabu da mulher servir apenas para a procriação e lides domésticas.

Projectar o futuro

O engajamento da mulher na formação representa, para a directora interina, o melhor investimento para a conquista de cargos em qualquer instituição do Estado e de respeito na sociedade.
Alerta para o cuidado a ter, face a onda de publicidades estampadas em placards, onde a nudez da mulher desponta como isca para atrair clientes. A exibição do corpo coberto por roupas íntimas representa a “desvalorização da mulher, espevita o interesse precoce e banaliza a essência do sexo”.
Na luta pela inversão deste quadro a DPFPM trabalha em parceria com a Organização da Mulher Angolana, promovendo encontros com autoridades tradicionais para encorajarem as famílias no meio rural a pautarem por comportamentos que incentivem a unidade e harmonia.
Para combater a fome e a pobreza, 30 mulheres zungueiras beneficiaram de cinco mil dólares, cedidos por empréstimo pelo Banco de Poupança e Crédito, a fim de desenvolverem negócios para melhorar o nível de vida das famílias e das comunidades.

Violência doméstica

Laurinda Lemessa garantiu que dos projectos elaborados para este ano constam a prestação de informações para prevenir a violência, identificando factores. A empreitada prescreve facilidades para garantir o acesso das vítimas às unidades de saúde e centros de aconselhamento, tratamento clínico/psicológico e construção de casas para acolher as vítimas de violência doméstica. Para o meio rural, a directora trabalha pela garantia de segurança durante os partos, através da distribuição regular de Kits e formação de parteiras tradicionais, além da criação de espaços para abordar assuntos relacionados com o resgate de valores morais e cívicos.
A lista de acções abarca a disponibilização de condições que concorram para a redução crescente da propagação do HIV/SIDA e a renovação de apelos para as famílias seguirem a filosofia do diálogo, "por ser o pilar da sociedade".

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