Províncias

Mais de 2.500 crianças fora do sistema de ensino

Jaquelino Figueiredo | Soyo

Mais de 2.500 crianças em idade escolar vão, no presente ano lectivo, ficar fora do sistema de ensino, no município do Soyo, província do Zaire, por insuficiência de professores, segundo o director de repartição municipal da Educação.

As autoridades locais têm dado atenção especial à reabilitação e construção de escolas
Fotografia: Adolfo Dumbo | Edições Novembro | Soyo

Paulo Vemba Nsuka, que falava à margem do acto de tomada de posse de 20 novos gestores escolares, recentemente nomeados na região, com destaque para directores e sub-directores pedagógicos e administrativos, disse que, para o presente ano lectivo, o município do Soyo vai contar com apenas 526 professores do ensino primário, para atender um horizonte de cerca de 36 mil alunos da iniciação à 9.ª classe.
“Vamos tentar gerir esta situação com gestores escolares, de modo a sairmos do padrão de 35 alunos por turma, segundo a reforma educativa, para 45, convertendo as salas modernas em tradicionais, com vista a enquadrar mais alunos, como “meio-termo” para diminuir o número de crianças fora do sistema de ensino, porque acabar ainda não é possível”, avançou Paulo Nsuka.
De acordo com o director de repartição municipal da Educação no Soyo, não existe nenhuma orientação a curto ou a médio prazo que aponte para a realização de concurso público para admissão de novos professores, mas o sector vai articular com os que existem para atender o presente ano lectivo.
“Para pôr cobro à procura, precisamos praticamente de 500 novos professores. Ainda não temos nenhuma orientação, mas com o pouco que temos, estamos a tentar articular, principalmente nas duas escolas novas que entram em funcionamento no presente ano lectivo, nos bairros Kitona e Kinganga Mavacala”, frisou.
Paulo Vemba Nsuka disse que, em termos de salas de aula, o município dispõe de 369 para o presente ano lectivo, incluindo as duas novas escolas que entram em funcionamento nos bairros Kitona e Kinganga Mavacala.
“Temos mais salas de aula do que professores, quer na sede do município, quer nas comunas”, acrescentou Paulo Vemba Nsuka.
No concernente ao ano lectivo, aquele responsável disse que o défice de professores não vai condicionar o arranque das aulas em 2018, mas dificulta a execução do trabalho, porque vai obrigar a uma carga lectiva excessiva.  
O responsável assegurou que tudo está preparado para o arranque das aulas em Fevereiro próximo, apesar da falta de carteiras, à altura do número de salas existentes.
“Em termos  preparativos para o arranque do ano lectivo está tudo a postos, apesar de haver dificuldades em termos de carteiras, mas com as poucas existentes vamos poder gerir o ano, até que haja mais disponibilidade de mobília”, assegurou.
No tocante às comunas, Paulo Vemba Nsuka disse não haver elevado número de crianças fora do sistema de ensino, porque existe um certo despovoamento, fruto da emigração para as cidades.
“Para as comunas não digo que haja um elevado número de crianças fora do sistema de ensino, porque elas quase estão despovoadas, onde inclusive temos escolas com poucos alunos, mas temos um défice em termos de professores também, porque poucos vão para o interior”.

Tempo

Multimédia