Províncias

Mais mulheres são alfabetizadas

Kátia Ramos | Ndalatando

Mais de 93 mulheres estão a ser alfabetizadas no centro de formação “Dom Bosco”, instituição da Missão Católica do bairro da Kipata, no município de Cazengo, província do Kwanza-Norte.

Alfabetizadas dizem que nunca é tarde para adquirir novos conhecimentos
Fotografia: Jornal de Angola

Mais de 93 mulheres estão a ser alfabetizadas no centro de formação “Dom Bosco”, instituição da Missão Católica do bairro da Kipata, no município de Cazengo, província do Kwanza-Norte.
O projecto enquadra-se no programa de alfabetização e aceleração escolar denominado “Sim, eu posso”, que visa dar formação especialmente aos deficientes com problemas audiovisuais.
Para atingir este fim, estão a ser utilizados equipamentos audiovisuais, como televisores, DVD e CD.
As aulas são também ministradas através de cartilhas para os alunos sem deficiências e a partir de folhetos que servem para orientar os professores, que já haviam recebido uma formação especializada sobre como ensinar com audiovisuais, em Luanda.
O centro Dom Bosco conta com três salas de aulas especiais, com capacidade para acolher 30 alunos cada, constatou o Jornal de Angola.
Ultimamente, várias associações estão a juntar-se aos projectos de alfabetização na província do Kwanza-Norte, com a criação de centros nas instalações de igrejas, casas pastorais, quintais e, até, em espaços abertos, quer na cidade quer em sanzalas.

Vida devolvida

Josefina André Domingos, de 54 anos, mãe de seis filhos, não é portadora de deficiência física, aluna da 3ª classe. Conta que antes as pessoas do bairro zombavam dela por não saber nem escrever nem ler.
Lembra que namoradas do marido já chegaram a deixar-lhe carta para entregar ao companheiro, mentindo-lhe que se tratavam de documentos importantes.
 “Hoje, é como que se a alfabetização tivesse me devolvido a vida”, comparou.
Sebastiana da Conceição, 32, e Cristina Fortunato Gaspar 28, são duas portadoras de deficiência visual. Elas frequentam o segundo ano da iniciação, carregando consigo uma enorme vontade de aprender.
Agradecem a paciência e os cuidados que os professores demonstram aos alunos, apesar da sua condição física. “Os professores são os nossos segundos pais”, reconhecem.

Não desistir

Cristina Gaspar apelou as mulheres da província, especialmente as que vivem nas zonas rurais, a continuarem os estudos, sem terem em conta a sua condição física.
“É preciso que as pessoas não desistam dos seus sonhos. Estudar é uma forma de encontrar os caminhos que nos levam a encontrar as formas de realizar os nossos maiores desejos”, disse a senhora.
 Além destas 93 mulheres, o centro de alfabetização “Dom Bosco”, aberto desde 2002, já formou mais de 3.286 alunos. A instituição conta com 15 instrutores, que trabalham arduamente para mudar a vida de muitas pessoas.

Tempo

Multimédia