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Mais veterinários vão ser graduados este ano lectivo

António Canepa e Justino Vitorino |Huambo

 

A Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade José Eduardo dos Santos, na província do Huambo, lança, ainda este ano, 43 médicos veterinários para o mercado de trabalho, depois do ano passado ter graduado os primeiros especialistas do período pós-guerra.

Um pormenor das áreas já recuperadas onde são leccionadas algumas aulas
Fotografia: António Canepa

 

A Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade José Eduardo dos Santos, na província do Huambo, lança, ainda este ano, 43 médicos veterinários para o mercado de trabalho, depois do ano passado ter graduado os primeiros especialistas do período pós-guerra.
Situada aproximadamente a três quilómetros a Sul da cidade do Huambo, a Faculdade de Medicina Veterinária é o único estabelecimento de ensino superior vocacionado para a formação de médicos veterinários a nível do país.
A aposta da faculdade continua a ser a formação de cada vez maior número de médicos veterinários, para se suprir o grande défice de especialistas que se regista no mercado do trabalho. O país conta com poucos médicos veterinários e, uma vez em paz, um dos grandes desafios das autoridades é formar também especialistas que garantam a saúde dos animais.
Actualmente, cerca de 250 estudantes frequentam o curso de medicina veterinária na faculdade e, de acordo com o professor doutor Joaquim Morais, coordenador do curso, este número vai aumentar nos próximos tempos, tendo em conta as obras de restauro e ampliação que a faculdade está a sofrer.
As obras vão permitir o ingresso de mais estudantes na faculdade e a criação de mais infra-estruturas, como laboratórios, salas de aulas, tanto teóricas como práticas, porque constitui igualmente grande objectivo a formação de especialistas altamente qualificados.
Como Faculdade surge com a criação da Universidade José Eduardo dos Santos, depois de fazer parte da Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade Agostinho Neto. A Faculdade de Medicina Veterinária é uma unidade orgânica da Universidade José Eduardo dos Santos, cuja missão é formar especialistas ligados à área de produção, investigação científica e cuidar da saúde animal.
Como em todos os estabelecimentos de ensino superior, a formação em medicina veterinária comporta várias fases. Os estudantes têm uma carga de aulas teóricas que cumprem nas salas de aulas e uma outra componente prática que cumprem no campo.
A Faculdade conta também com uma área experimental e alguns laboratórios no mesmo complexo, sendo que outros estão a ser construídos e reabilitados, como é o caso dos laboratórios de parasitologia, bioquímica, química e outros que vão suportar a formação integral do médico veterinário.
Segundo a direcção da Faculdade, a intenção é formar um especialista que seja capaz de trabalhar no campo ou na investigação. Por isso, é também objectivo da direcção especializar os finalistas em diferentes áreas, como sanidade animal, inspecção, tecnologia de alimentos, saúde pública e outras.
Joaquim Morais realçou que a formação e a graduação dos quarenta e três finalistas do curso de medicina veterinária, este ano lectivo, será um benefício para a província e o país, porque, para além das tarefas imediatas, o médico veterinário vai participar nos trabalhos de sensibilização nas comunidades e nas campanhas de vacinação dos animais. Adiantou que doravante o médico veterinário vai estar mais perto da comunidade e participar activamente no desenvolvimento da pecuária.
Apesar das obras estarem a decorrer dentro dos prazos estabelecidos, a faculdade enfrenta muitas dificuldades.
O complexo do Santo António, que durante muito tempo foi Instituto de Investigação Veterinária (IIVA), foi uma referência no campo científico, tanto dentro como fora do país, no período colonial e antes da guerra. Para além de infra-estruturas, que quase ficaram reduzidas a escombros, todos os equipamentos laboratoriais foram destruídos.
Desafios e metas
Com a paz, vários desafios se abrem para a Faculdade de Medicina Veterinária no antigo IIVA. Depois da sua reconstrução, muitos outros projectos estão em execução: a construção da clínica infecto-contagiosa, o laboratório de parasitologia e uma planta piloto que vai servir para as inspecções de alimentos e estudos sobre os alimentos são os desafios imediatos.
A médio prazo, um outro grande projecto em carteira é a construção de um hospital veterinário de referência, com todas as especialidades e equipado com tecnologia de ponta, para ajudar no diagnóstico epidemiológico de algumas doenças.
Segundo os seus responsáveis, o projecto já está elaborado e está na fase de apresentação. É de âmbito central e por isso implica muito dinheiro.
“Pretendemos criar um hospital especializado e equipado com tecnologia de ponta”, referiu o docente Joaquim Morais, coordenador do curso de veterinária.
A faculdade conta com um corpo docente constituído por 14 angolanos e 11 cubanos, que leccionam distintas disciplinas em dois períodos.
Ordem dos médicos
A Ordem dos Médicos Veterinários de Angola considera, por sua vez, que a situação do médico tem melhorado substancialmente nos últimos tempos. África Félix, representante da ordem na província do Huambo, disse que estão a trabalhar no sentido de definir as tarefas específicas de um médico veterinário, porque, segundo ela, existem instituições que estão a realizar o trabalho do médico veterinário.
“Existem instituições que estão a fazer trabalhos que são do médico veterinário”, disse.
África Félix chamou a atenção aos criadores de animais para criarem o hábito de consultarem um médico veterinário. Criticou aqueles que preferem recorrer a um enfermeiro quando se deparam com casos de doenças nos seus rebanhos e apelou também aos próprios médicos para uma actuação mais visível no seio das comunidades.
A Ordem dos Médicos surge como necessidade para a defesa da classe. Na região Centro congrega cerca de trinta especialistas.

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