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A voz da experiência

Francisco Curihingana|

 Desde muito cedo o reverendo António Francisco Buta preocupou-se com a sua formação académica. Por isso, a 15 de Agosto de 1930 foi para Muquixe, em Caculama, onde havia uma escola mais organizada que se adequava ao seu perfil.

Velho Buta completa 94 anos em Maio próximo e recorda com emoção os tempos em que exortava os seus alunos ao patriotismo
Fotografia: Eduardo Cunha

 Desde muito cedo o reverendo António Francisco Buta preocupou-se com a sua formação académica. Por isso, a 15 de Agosto de 1930 foi para Muquixe, em Caculama, onde havia uma escola mais organizada que se adequava ao seu perfil.
Três meses depois, o professor, seu irmão mais velho, é transferido para a região do Dumba-Cabango, no município de Kambundi-Katembo. Em consequência disso é matriculado no Centro Evangélico do Quéssua, onde dá continuidade à sua formação.
Estudou até ao primeiro ciclo liceal e matriculou-se depois na Escola Teológica do Quéssua, onde é consagrado mais tarde pastor da Igreja Metodista Unida e professor.
Como professor, o reverendo Buta ainda conserva nomes dos estudantes que passaram pelas suas mãos, destacando-se o malogrado embaixador João Filipe Martins e o actual vice-presidente do MPLA, Roberto de Almeida.
Conta ainda que na qualidade de professor, durante os dois anos que permaneceu no Quela, preparou os seus estudantes para a necessidade de se empenharem para a conquista da liberdade e consequentemente da Independência Nacional.
“Eu dizia aos meus alunos que era preciso estudar para nos libertarmos do jugo colonial. Dizia-lhes isso, porque se não o fizesse nunca podíamos saber dos nossos direitos, tínhamos que lutar contra a colonização. Por isso, fomos transmitindo esses e outros ensinamentos aos nossos estudantes de forma clandestina. Isto foi desenvolvido de forma secreta. Foi um ensino secreto, aberto não podia ser porque nós, os professores da Igreja Metodista Unida, éramos perseguidos. Os portugueses reconheciam em nós como políticos, por conseguinte, a perseguição foi constante, era preciso a gente saber viver para poder continuar a leccionar”, disse.
O reverendo Buta referiu, também, que o evangelismo contribuiu imenso para a transmissão aos angolanos do “verdadeiro sentimento patriótico”. “A bíblia diz que eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância”, isto, prosseguiu, “nos catapultou e lançou-nos para um verdadeiro sentimento de revolta”, como disse.
“Malanje no passado era diferente. As ruas, as construções, tudo era diferente. Hoje as coisas são outras”. Foi assim, nesses termos, que o reverendo Buta caracterizou a actual imagem da cidade capital da terra da Palanca Negra Gigante.
De acordo com o nosso interlocutor, deve se imprimir mais dinâmica, incrementar cada vez mais acções de impacto social que se reflictam nas populações, assim como o melhoramento do abastecimento de água e luz.

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