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Aldeias de Quissol isoladas do mundo

Venâncio Victor e Sérgio Dias| Malange

O Quissol está a registar uma melhoria significativa nas principais áreas da vida social, constatou, na sexta-feira, a administradora municipal de Malange, Teresa Dias de Abreu, durante uma série de visitas efectuadas no sector.

Nascente fonte de amor leito que motivou a construção da fábrica de água Quissol na província de Malange
Fotografia: Eduardo Cunha

O Quissol está a registar uma melhoria significativa nas principais áreas da vida social, constatou, na sexta-feira, a administradora municipal de Malange, Teresa Dias de Abreu, durante uma série de visitas efectuadas no sector.
Localizado a leste da cidade de Malange, Quissol tem uma população calculada em mais de três mil habitantes, maioritariamente camponesa, já que se trata de uma região potencialmente agrícola, com particular realce para o cultivo da cana-de-açúcar e de cenoura.
A guerra, que dilacerou o país durante 30 anos, deixou a localidade em escombros, mantendo-se, todavia, quase tudo destruído, entre escolas, postos de saúde, fábrica de açúcar, igrejas e outras infra-estruturas.
Mas com o advento da paz, Quissol vai renascendo dos escombros deixados pela guerra. Neste momento, destaca-se a construção de uma fábrica de água mineral e uma escola de carácter definitivo com quatro salas de aula, cujas obras foram financiadas pelo Fundo de Apoio Social (FAS). As duas empreitadas estão na sua fase derradeira.
No ano passado, a população começou a consumir água potável proveniente da nascente do rio Cangulungo. Para o efeito, foram construídos, através da direcção provincial da Energia e Águas, dois novos fontanários.
Além da sede da regedoria, Quissol conta com outras zonas em franco progresso, como é o caso de Candumbo, Castembele, Camembe, Caiala e Fonte de Amor, onde está a ser erguida a fábrica de água mineral.
 
Via de acesso inacessível

A grande dificuldade da população do sector, de acordo com o regedor Agostinho Nhanga, tem a ver com a inacessibilidade daquele troço. Os automobilistas raramente utilizam a via por não se apresentar em boas condições de circulação e ao longo desta são visíveis pequenas ravinas.
Os residentes na localidade são regularmente obrigados a circular a pé para comercializarem os seus produtos do campo nos mercados de Malange, como os da Xauande, Cabulo e do bairro do Camatondo.
Nhanga afirmou que a região conta, neste momento, com quatro associações de camponeses, tendo lamentado a falta de apoios, em termos de sementes, além de se queixar da escassez de fertilizantes e de meios de trabalho para o fomento da produção agrícola. A agricultura praticada neste momento é de subsistência, disse.
O escoamento dos produtos do campo para a cidade e a consequente comercialização tem sido feita dentro da normalidade, conforme assegurou à reportagem do Jornal de Angola, Manuel Flores, um dos sobas da regedoria de Quissol.
Neste momento, a população está empenhada no cultivo de plantas hortícolas, enquanto é aguardada a mecanização das terras para a próxima época agrícola, que arranca já em Setembro.
 
Sector da Educação

O sector da Educação, de acordo com a directora do centro escolar local, Maria Júlia, debate-se com a falta de infra-estruturas e de professores. Mesmo assim, no presente ano lectivo estão matriculados 1.800 alunos, ficando de fora do sistema de ensino uns 250 meninos.
Maria Júlia informou que a rede escolar é composta por 12 estabelecimentos de ensino de carácter provisório e que fruto da escassez de escolas, muitos alunos frequentam as aulas em instituições religiosas.
Para o reforço do quadro docente na sede de Quissol, a responsável disse serem necessários mais de dez novos professores.
 
Saúde em dificuldades

O sector da Saúde conta apenas com um posto médico, onde são atendidos casos de consultas externas. O mesmo debate-se com a falta de medicamentos, principalmente para o tratamento do paludismo.
O referido estabelecimento clínico conta apenas com um técnico indicado pela direcção provincial da Saúde e atende em média entre 30 a 40 pacientes por dia.
Segundo Correia Quitari, técnico de saúde colocado na regedoria, o paludismo, as doenças diarreicas e respiratórias agudas constituem as principais enfermidades da região.
A administradora de Malange defendeu a ampliação da actual infra-estrutura sanitária para que se melhore a assistência médica e medicamentosa às populações.

Energia e registo de nascimento

A falta de energia e dos serviços de registo e notariado constituem outra das grandes dificuldades dos habitantes de Quissol. O facto de as crianças não terem cédulas de nascimento tem criado alguns transtornos na época de confirmação de matrículas. Os responsáveis da Educação estão preocupados com a situação, pois, muitos alunos adulteram os dados em cada novo ano lectivo, por falta de documentos.
Teresa Dias de Abreu considerou a falta de registo de nascimento de menores, assim como a dos adultos, um problema conjuntural.
 De acordo com a dirigente municipal, a província de Malange tem um número reduzido de técnicos nos serviços de registo. Mas prometeu que o executivo local vai trabalhar no sentido de fazer deslocar brigadas móveis para a emissão do bilhete de identidade e de outros documentos civis naquela circunscrição do município sede da província da Palanca negra.
Enquanto se espera por estas soluções, fica no ar a esperança de que, nos próximos tempos, o sector de Quissol há-de melhorar os seus serviços básicos.

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