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Ameaçada circulação para o Leste de Angola

Francisco Curihingana | Malanje

As fortes chuvas que caem frequentemente na região do Quela, onde se encontra localizado o Morro de Cabatuquila, na comuna do Xandel, podem, a qualquer momento, inviabilizar a circulação rodoviária em direcção ao Leste do país, disse ontem ao Jornal de Angola o administrador comunal, Ananias Gomes.

As chuvas que caem frequentemente na região arrastam pedras e árvores pondo em perigo a circulação de pessoas e mercadorias
Fotografia: Francisco Curihingana

“As chuvas caem quase todos os dias e contribuem para a degradação da estrada. O nosso apelo vai para o INEA - Instituto de Estradas de Angola - para que tome conhecimento e faça alguma coisa no sentido de ser alterada a situação actual”, sublinhou o administrador.
Ananias Gomes disse que a situação já se arrasta desde o ano passado, mas, realçou, “não era tão grave como este ano. Está a chover com maior intensidade, às vezes temos quase duas semanas a chover todos os dias e a água está a corroer cada vez mais a estrada e se continuar assim teremos uma situação lamentável, com o corte desta estrada, que, como sabem, ainda é a via principal que dá acesso ao Leste do país”.
O administrador defende uma intervenção urgente para se evitar o pior, pois no morro de Cabatuquila, quando chove, há deslizamento de terras, que dá lugar à abertura de ravinas, queda de pedras e árvores, que muitas vezes impedem o trânsito na estrada.
Para colmatar a situação, a administração municipal recorre muitas vezes às comunidades locais, que, com instrumentos rudimentares, enxadas, catanas e machados, cortam as árvores e retiram as pedras da estrada, para permitir a circulação de pessoas e bens. “Certamente que haverá um dia que serão tantas pedras e tantas árvores que ultrapassarão a nossa capacidade e as coisas ficarão pior”, frisou. />Segundo o administrador, além dessa via, não existe alternativa para a passagem de camionistas para o Leste do país. Há relatos que apontam a morte de pessoas naquele local, há já alguns anos, devido à queda de pedras, segundo o administrador Ananias Gomes.
“Há pedregulhos que quando se soltam lá de cima colhem as pessoas que estiverem a passar e há relatos de mortes”, concluiu.
O automobilista Albino Sindaco disse à reportagem que a situação daquele local já se arrasta há algum tempo. A acontecer o pior, as populações do Leste do país, nomeadamente, Lundas Norte e Sul e Moxico, vão ser as mais penalizadas, por utilizarem a mesma estrada.
Fernando Cazenga, outro camionista ouvido pela nossa reportagem, disse ser muito perigoso circular nesta altura em que as chuvas estão a cair constantemente, uma vez que é um dos sítios mais difíceis para se transitar. Os camionistas que utilizam a mesma via, aconselhou, não devem exceder a velocidade e devem evitar a circulação nocturna, uma vez que os locais degradados não estão devidamente assinalados.
O soba Alberto Domingos disse que caso a estrada não conheça uma intervenção com urgência, a população vai conhecer dias difíceis, porque a única via para adquirir bens de primeira necessidade passa pela utilização da estrada, que dá a possibilidade de se deslocar para Malanje e Luanda.

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