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Área de Calandula convida ao turismo

Francisco Curihingana| Malange

Calandula é um município de Malange que está situado a norte da província, com uma superfície de 7.037 quilómetros quadrados.
Tem cinco comunas, a sede, Cota, Kingi, Kateco Kangola e Kuale, integra 18 regedorias e 548 sobados e tem uma população estimada em 72 400 habitantes.

As Quedas de Calandula constituem o principal cartão de visita do município e têm atraído milhares de turistas nacionais e estrangeiros
Fotografia: JA

Calandula é um município de Malange que está situado a norte da província, com uma superfície de 7.037 quilómetros quadrados.
Tem cinco comunas, a sede, Cota, Kingi, Kateco Kangola e Kuale, integra 18 regedorias e 548 sobados e tem uma população estimada em 72 400 habitantes.
O cartão de visita do município está patente nos abundantes recursos naturais e atractivos turísticos e culturais que ostenta.
A população predominante integra o grande grupo mbundu e, de entre estes, destacam-se os ngola, mbaka, malengues e os mandongos.
O município controla 389 professores e 43 alfabetizadores, distribuídos em cinco comunas, conta com 26 escolas de carácter definitivo, às quais se juntam 187 salas de aulas feitas à base de adobes.
O administrador municipal, Manuel Campos, assegurou que se encontram em construção na região dez escolas com seis salas cada. "As escolas estão num ritmo acelerado. Pensamos, que antes da abertura do ano lectivo, as escolas estarão à disposição das populações".
Manuel Campos deplorou a qualidade de ensino, pois, como sublinhou, a maior parte dos professores tem formação básica e "estamos a lutar para dotar o ensino de um instituto para a formação de professores".
Afirmou que, em Kalandula, o ensino médio é garantido por técnicos médios, o que na sua óptica, garantem a qualidade de ensino no centro pré-universitário.
O município, de acordo com o administrador, recebeu novos 150 professores, que foram distribuídos em diversas comunidades.
Do seu ponto de vista, esse reforço vai permitir a inserção no sistema de ensino de mais de seis mil crianças, que se encontram fora do sistema, particularmente na Baixa do Kuale, na zona do Luquinge, onde os transportes não funcionam.
Manuel Campos disse que, em função das condições existentes nas referidas localidades, "existe alguma resistência por parte dos jovens para ensinar no meio rural". "Temos trabalhado com as comunidades para que nada falte a estes profissionais", assegurou.
 
Saúde chega às comunidades
 
No domínio da saúde, apesar de o hospital municipal se encontrar em péssimo estado de conservação, Manuel Campos considera que houve avanço no sector. Recentemente, foram inaugurados e apetrechados três centros de saúde na regedoria do Kapele-Kota, Cabaça Muhongo, em Kateco Kangola, na localidade do Muondo, na comuna do Kinge.
Indicou que, neste momento, estão em construção três outros centros na comuna do Kuale, em Kateco Kangola e no Kinge. Existem 17 postos de saúde que, com mais três em construção, vão perfazer um total de 20 unidades.
Relativamente ao hospital municipal, o administrador disse ter recebido garantias para a conclusão das obras no próximo ano e lamentou o número escasso de enfermeiros para atender a população.
O administrador Manuel Campos aponta como recurso a contratação de profissionais desse ramo a tempo certo, até à realização de concursos públicos.
O município conta neste momento com 30 profissionais de saúde para uma população de 74 mil habitantes, o que, na óptica do administrador, a localidade necessite de mais 120 técnicos de saúde.
O município dispõe de um único médico ligado ao Programa de Luta contra a Malária. "Estamos apostados em criar as condições de habitação, para que os médicos se estabeleçam no município", indicou.
Dada a escassez de enfermeiros naquele município, o recurso tem sido a formação de promotores de saúde no seio das comunidades para prestar os primeiros socorros, assim como a formação de parteiras tradicionais.
A EDA de Calandula controla 472 associados. As famílias camponesas dedicam-se à pesca artesanal e à venda de produtos agrícolas e artesanais para os turistas que desfrutem das famosas Quedas de Kalandula.
De acordo com o administrador Manuel Campos, decorre o crédito agrícola, mas os camponeses estão relutantes em aderir ao programa, porque os prazos de reembolso são bastante curtos.
O município produz mandioca, batata-doce, rena, ginguba e gergelim. "Temos uma gama diversificada de produtos. Existem problemas no escoamento dos mesmos, principalmente nas comunas do Kuale e do Kateco Kangola", admitiu o administrador municipal.
O relançamento da cultura do café na região, que em tempos idos era tradicional na região, processa-se de uma forma tímida. Para ele, tem a ver com os baixos preços praticados no mercado, produto que está a ser comercializado a 30 Kwanzas o quilo. Os camponeses não estão de acordo com os preços. No município de Calandula, na comuna do Kinge, está localizada uma fábrica de descasque de café em funcionamento.
 
Energia e Águas
 
No domínio da energia, esclareceu, está em conclusão o sistema de tratamento e captação de água da comuna do Kinge e o mesmo projecto estende-se à comuna do Kateco Kangola e na comuna do Kota já foi concluído o Programa "Água para Todos", realçou o administrador.
Manuel Campos assegurou que, no âmbito do Programa de Intervenção Municipal, foram abertos cinco chafarizes, numa altura em que estão em curso estudos com vista à recuperação do sistema de água no município.
Na vila e arredores a energia é fornecida a partir de grupos geradores, o que na sua perspectiva é bastante oneroso aos cofres do Estado.
Manifestou-se optimista em relação à recuperação da mini-hídrica do rio Lucala. "Já existem estudos. Pensamos que, no próximo ano, as obras arrancam", assegurou. Caso sejam concluídas as obras, a barragem vai produzir oito megawatts, o que vai potenciar o desenvolvimento do município.
 
Turismo em desenvolvimento
 
As Quedas de Kalandula constituem o cartão de visita da localidade e recebe em média mais de 1.000 visitantes por mês. O número, de acordo com o administrador Manuel Campos, pode ser irreal, uma vez que não existe um mecanismo exacto de controle dos turistas que visitam a localidade. "Vamos estabelecer um mecanismo para determinarmos, através de um livro, o número de turistas que visitam Kalandula", sublinhou.
Em Kalandula existem, também, as Quedas do Bango a Zenze e do Musselege.
Pontualizou a existência de um projecto que visa a rentabilização dos pontos turísticos da região, para que sejam uma fonte de receitas, uma forma de contribuir para o desenvolvimento sócio-económico das comunidades.

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