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Ausência de infantários na província preocupa as mulheres trabalhadoras

Sérgio V. Dias e Luisa Victriana | Malange

O amanhecer de um dia não difere do amanhecer do dia anterior.

Ana Baptista leva o bebé para o trabalho
Fotografia: Eduardo Cunha|Malange

O amanhecer de um dia não difere do amanhecer do dia anterior. Pelo menos é assim que as mães trabalhadoras de Malange sentem ser o seu quotidiano, sem encontrarem sossego, por não saberem com quem deixar os seus filhos durante a jornada laboral, por falta de infantários na região. Uma situação preocupante que aguarda por uma solução urgente.  
A situação tem criado sérios embaraços e muitas acabam por levar os seus filhos para os postos de trabalho, porque não têm onde os deixar. Ana Maria Baptista, 32 anos, é uma destas mamãs que se vê obrigada a levar diariamente o seu filho para o serviço. Enfermeira de profissão, diz ser um verdadeiro sacrifício e espera soluções para o caso.
Como Ana Maria Baptista estão outras, que também apelam a quem de direito no sentido de investirem nesta área. Yolanda Dias lamenta a situação vigente e considera uma prática errada ir para o trabalho com o filho. “Quando assim acontece, o rendimento não é mesmo, porque às vezes temos de parar com o trabalhar para cuidar da criança, o que não é bom”.
Com um bebé de dois meses ao colo, Ana Maria prefere levá-lo para o local de trabalho, mesmo sabendo que a criança pode correr riscos de contrair uma doença, já que é enfermeira do hospital geral de Malange, onde cuida de pacientes com várias patologias.   
Outra preocupação manifestada por Ana Baptista tem a ver com o facto de a Lei Geral do Trabalho, na sua subsecção II que se debruça sobre a protecção da maternidade, não salvaguardar o aspecto do trabalho nocturno para as mães com filhos de tenra idade.
A enfermeira defende que a Lei Geral de Trabalho devia salvaguardar o trabalho nocturno, sobretudo às mães com filhos menores, considerando-se uma das vítimas, já que o seu bebé tem apenas dois meses, mas ela tem estado a fazer o turno nocturno.  Quem também corrobora deste pensamento é Yolanda Dias. Funcionária pública, diz ser complicado para uma mãe trabalhadora cumprir as suas obrigações no período nocturno, sobretudo se o filho for de tenra idade.
Os infantários são um valor, disse, referindo que a existência de creches constitui um alívio para as mães, por se tratar de um lugar seguro, mas lamentou o facto de Malange não ter investido neste ramo. 

Promoção da mulher

A directora provincial da Família e da Promoção da Mulher, Antónia Maiato, disse que a inexistência de creches constitui uma grande preocupação para o sector que dirige na província. Em Malange, frisou, a situação é ainda mais preocupante devido ao elevado número de mulheres inseridas no mercado de trabalho. Por isso, muitas mães não encontram soluções e vêem-se na obrigação de levar os filhos para o serviço, prejudicando o trabalho que deviam desenvolver, salientou.
Em consequência do quadro actual, Antónia Maiato apelou às entidades de direito para investirem na criação de creches, com vista a melhor a inserção das mães trabalhadoras, que se têm confrontado com um mar de dificuldades.
O Jornal de Angola soube de fonte segura que a província de Malange vai dispor, dentro em breve, de um infantário com uma área de lazer, denominado “Casinha Amarela”. A iniciativa resulta de um investimento privado.
Um outro centro infantil, construído no interior do novo mercado provincial, na zona da Catepa, também deve entrar em funcionamento a qualquer momento.

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