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Cabembo carece de docentes

Francisco Curihingana | Malange

O sector de Cabembo, comuna do Kuale, a 230 quilómetros da cidade de Malange, está sem professores há dois anos.
Segundo Fernando Zua, residente naquela localidade, que revelou o facto ao Jornal de Angola, à falta de docentes junta-se um posto médico para atender a população, para além de outros problemas.

O sector de Cabembo, comuna do Kuale, a 230 quilómetros da cidade de Malange, está sem professores há dois anos.
Segundo Fernando Zua, residente naquela localidade, que revelou o facto ao Jornal de Angola, à falta de docentes junta-se um posto médico para atender a população, para além de outros problemas.
Um outro morador de Cabembo, Gaspar Cababa, referiu que um professor trabalhou apenas durante três meses na localidade, em 2007. “Desde que o mesmo abandonou a região nunca mais tivemos professores. Estamos preocupados com o futuro dos nossos filhos, uns pararam na primeira classe, outros na segunda, enfim, agora eles estão aqui sem fazer nada e nós, os pais, não encontramos solução para este problema. Já não sabemos o que fazer”, desabafou.
Quanto à falta de um posto médico, os habitantes de Cabembo mostram-se particularmente preocupados, pelo facto de a localidade situar-se a 27 quilómetros da sede municipal de Massango e a 22 da comuna do Kuale. “Quando acontecem casos graves passamos muito mal, porque não temos transporte e às vezes o paciente acaba por morrer ao longo do percurso”, disse Gaspar Cababa.
Cababa disse que a situação se torna ainda mais delicada em relação às mulheres grávidas. “Quando há complicações no parto, ficamos de mãos atadas, porque não encontramos soluções”, disse.
O administrador comunal do Kuale, Salvador Domingos, confirmou os problemas com que se debatem as populações de Cabembo. “A comuna não tem capacidade suficiente para resolver este e outros problemas”, referiu, notando ter já remetido um dossier às áreas correspondentes, para equacionar soluções e permitir que aquelas populações encontrem o progresso desejado.
O administrador de Calandula, Manuel Campos, reconheceu que existem outras áreas nas mesmas condições de Cabembo, mas disse haver já um conjunto de medidas a ser tomadas para que, no próximo ano lectivo, as crianças voltem à escola.
“Nós adquirimos chapas de zinco para a construção de uma escola de carácter provisório e uma residência para o professor. Acabámos de receber agora 68 novos docentes e dividimos dez para cada comuna que o município dispõe e, neste caso, vamos priorizar o sector de Cabembo”, disse o administrador. Manuel Campos anunciou para esta semana uma visita a Cabembo para avaliar, no terreno, todos os problemas da comunidade.

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