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Cachoeiras de Kadiheke é bom lugar para turismo

Venâncio Victor | Malanje

As cachoeiras de Kadiheke, localizadas a dez quilómetros da sede municipal do Quela, um importante ponto de atracção turística, vão merecer uma maior promoção e divulgação, assegurou ontem o administrador municipal-adjunto daquela circunscrição de Malanje.

Malanje tem muitos espaços turísticos à espera de investidores para serem explorados
Fotografia: Martinho de Melo | Malanje

Marcial Etóme falava durante um encontro com as autoridades tradicionais da localidade, no quadro da operação “Vamos mostrar Malanje”, realizada na vasta região da Baixa de Cassanje.
A denominação Kadiheke, na língua nativa dos mbondu, uma das etnias do município do Quela, significa “cuidado, ver e calar” e remonta desde a época colonial. Esta designação era aplicada com o objectivo de impedir que os dominadores coloniais conhecessem o referido sítio turístico, daí que os portugueses nunca o exploraram.
O soba André Quicassa explicou que, durante a época do conflito armado que devastou o país por cerca de 30 anos, as referidas cachoeiras serviam de refúgio para as populações. “Eu mesmo, fiquei aqui durante um mês com a família naquele local, para fugir a guerra e, só mais tarde, fui para a comuna do Xandel (Quela)”, referiu o responsável tradicional.
O administrador municipal-adjunto do Quela lamentou o mau estado da via de acesso às cachoeiras, o que dificulta a visita de turistas, para desfrutarem do seu encanto. Marcial Etóme referiu que o município do Quela, potencialmente turístico, conta igualmente com outros espaços de lazer e de atracção turística, como o Memorial dos Mártires da Repressão Colonial de 1961, na Baixa de Cassanje, o miradouro do morro de Cabatuquila e uma pousada.
A região do Quela é também potencial na produção agrícola, com particular realce para o cultivo de algodão e madeira, bem como é rica em recursos hídricos.
No sector da Saúde, o município conta com um centro e oito postos médicos, com serviços assegurados por um médico e outros 16 técnicos. A rede escolar do Quela é composta por sete estabelecimentos de ensino, sendo 154 salas, das quais 95 de carácter provisório.  As aulas são asseguradas por 94 professores, segundo Marcial Etóme.
No domínio das águas, acrescentou, a sede municipal e as comunas de Moma e de Bângalas contam cada com um sistema de captação, tratamento e distribuição, ligados a redes inter-domiciliárias.
O Quela integra a vasta região da Baixa de Cassanje, de que fazem também parte os municípios de Marimba, Kunda dya Base e Massango. A  municipalidade tem uma população estimada em mais de 21 mil habitantes e uma extensão de cinco mil quilómetros quadrados.

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