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Calandula em busca do título de grande pólo turístico

Filipe Eduardo |Calandula

A transformação do município de Calandula num dos maiores pólos turísticos do país, à luz do Decreto Presidencial nº54/11, constitui o principal incentivo para o desenvolvimento daquela parcela de Malange, que fica a cerca de 78 quilómetros da sede provincial.

Vista parcial da sede de Calandula onde estão a ser reabilitadas e construídas várias infra-estruturas para acomodar os turistas
Fotografia: Filipe Eduardo| Calandula

A transformação do município de Calandula num dos maiores pólos turísticos do país, à luz do Decreto Presidencial nº54/11, constitui o principal incentivo para o desenvolvimento daquela parcela de Malange, que fica a cerca de 78 quilómetros da sede provincial.
Uma das principais atracções da municipalidade é as quedas de Calandula, a segunda mais alta de África, com 105 metros de altura e 401 de largura, localizadas no rio Lucala, só superadas pelas quedas de Ruacaná, com 120 metros. O ponto turístico recebe todas as semanas mais de 1.500 visitantes, oriundos de vários pontos de Angola e do mundo, para apreciar uma das maiores belezas do país.
O administrador municipal, Manuel Campos, refere que está em fase de instalação o gabinete de gestão, criado por decreto Presidencial, com vista a tornar realidade um projecto turístico.
 À luz do decreto, Calandula vai reforçar as infra-estruturas de hotelaria e de apoio ao turismo, entre restaurantes, hotéis e bungalows.
Além disso, vai ser construído um heliporto, para permitir aos turistas que não queiram deslocar-se à localidade por via terrestre, possam fazê-lo por via aérea. Com a instalação, para breve, do gabinete de gestão, afirma o administrador, estão criadas todas as condições para que Calandula seja o maior centro turístico de Angola.

Outras quedas

Manuel Campos acrescenta que a existência de vários pontos turísticos no município permitiram estabelecer o roteiro turístico.
Calandula possui outras quedas, embora de menor altura, mas que também constituem um atractivo para a actividade turística do município. As quedas de Musselegi, de Mbango a Zenze e Rápidos do Luando, também conhecidas por Makato a Luando, complementam a lista das quedas de águas da municipalidade. Outro ponto turístico é a mesa da Rainha Njinga, a cerca de 20 quilómetros da sede da comuna de Quinje.

Potencialidades locais


Manuel Campos considera Calandula uma terra promissora, com todas as condições para grandes negócios, desde o forte potencial agrícola ao bom pasto, uma característica do planalto da Camabatela, de que a localidade é parte integrante. Existe ainda um grande potencial agropecuário, em termos de produção de alimentos, desde mandioca, milho, ginguba e outros produtos do campo. O rio Lucala vem igualmente complementar a riqueza da região, pois fornece, nas duas estações do ano, peixe de diversas espécies e tamanhos.

Nova mini hídrica

O administrador municipal anunciou que, nos próximos dias, vai ser construída uma mini hídrica no rio Lucala, com vista a melhorar o problema do abastecimento de energia eléctrica à cidade. /> Até lá, é alimentada por grupos geradores, uma realidade que acarreta elevados custos no abastecimento de combustível, avaliado em cerca de mil litros por dia.
O Ministério de Energia e Águas já lançou o concurso para a construção do referido sistema de energia eléctrica, estando para breve o arranque das obras. Manuel Campos disse que uma outra estratégia para resolver o problema está na aquisição de electricidade a partir da subestação de Cacuso, fazendo-se um aproveitamento da barragem de Capanda.

 BUE em breve


Outro benefício aguardado com grande expectativa pelos munícipes é o arranque, para breve, do Balcão Único do Empreendedor (BUE), cujas instalações já foram construídas. A Administração tem igualmente em carteira acções para o fomento do desporto, em particular o futebol, disse Manuel Campos, tendo adiantado que existe um campo para a prática da modalidade, embora a infra-estrutura precise de restauração.

Faltam quadros


A falta de recursos humanos constitui um dos principais “calcanhares de Aquiles” do município, onde as áreas da saúde e educação são as mais afectadas.
Esta situação é resultado, entre outros factores, do mau estado das vias secundárias e terciárias, que ligam a sede do município às quatro comunas e as 464 aldeias.
A administração municipal está preocupada com a situação das estradas, dadas as dificuldades de acesso, disse Manuel Campos.
O Governo Provincial vai iniciar as obras de reparação das vias em breve, para que se permita o acesso a várias outras zonas turísticas, como é o caso da localidade onde funcionou o reino do Ndongo, depois de ter sido expulso da Pomba Real, no Kwanza-Norte.
Manuel Campos acredita que um kit de terraplanagem seria a solução imediata para a manutenção das vias secundárias e terciárias. O transporte colectivo e os serviços de táxis também são afectados por esta situação das vias. Por exemplo, os candongueiros cobram, no percurso Calandula/Malange, cerca de mil kwanzas, um montante considerado demasiado elevado para muitos camponeses.

Fogos habitacionais


Cerca de 200 casas estão a ser construídas em Calandula, salientou o administrador. Os empreendimentos são entregues no próximo mês de Dezembro.
O município tem cinco comunas, designadamente Cota, Quale, Quinje, Cateco Cancola e a sede, distribuídos em 18 regedorias e 464 aldeias.
A população de Calandula está estimada em cem mil habitantes, predominantemente integrada pelo grande grupo dos Mbundos, com destaque para os Ngola, Mbaka, Malengue e os Mandongo.

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