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Centenas de casos registados

Venâncio Víctor | Malanje

Um total de 128 casos de violência contra a mulher, 27 dos quais de abuso sexual a menores, foi registado este ano em Malanje, informou, no município de Massango, o vice-governador provincial para o Sector Técnico e Infra-estruturas.   

Gabriel Pontes, que falava no acto de abertura da campanha dos 16 dias de activismo, pelo fim da violência contra a mulher, diz ter acusado a ocorrência de 50 casos por espancamento, 27 de violência sexual contra menores e 23 de incumprimento de mesada. Foram ainda notificados 28 casos diversos, entre adultério, ameaça de morte, chantagem, ofensas morais, privação de bens, queimaduras e traumatismo.
O responsável considera preocupante a situação e disse que os casos de violência contra a mulher no país têm atingido proporções alarmantes, causando a desestabilização de muitas famílias que ficam traumatizadas por causa de acções como, por exemplo, estupro, maus tratos físicos e psicológicos, chocando a sociedade.
“Pensamos que a violência contra a mulher quer no seio da família, quer a nível social tem sido um dos obstáculos na concretização dos objectivos da igualdade do género e no desenvolvimento. Portanto, trata-se de um assunto que tem merecido a atenção do Executivo que pretende diminuir o grau de violência, educando a população, com base em mecanismos de protecção a mulher e a criança”, sustentou.Para dar resposta a este mal que enferma a sociedade, disse que foi aprovada a Lei contra a Violência Doméstica, na qual constam os  regulamentos.
A directora provincial da Família e Promoção da Mulher em exercício, Madalena Julião, defendeu a necessidade premente da mudança de atitudes, com vista à moralização da sociedade para se evitar a desestruturação de muitas famílias.
A responsável lembrou que cerca de 70 por cento das mulheres sofrem um tipo de violência no decorrer das suas vidas, daí o aumento de casos de violência sexual todos os anos no mundo, constituindo uma preocupação de vários Estados.
Angola, frisou, realiza desde 2007 a campanha sobre os 16 dias de activismo contra a violência contra a mulher em que participam os parceiros sociais com o objectivo de despertar a sociedade sobre a moralização e consciencialização das famílias angolanas na luta contra a violência, igualdade na protecção dos direitos humanos e liberdades fundamentais quer no domínio político quer económico-social cultural.
Os 16 dias de activismo pelo fim da violência contra a mulher servem de reflexão sobre a violência sexual de menores, a gravidez e os casamentos precoces em África, em particular em Angola. Pretende-se igualmente com a campanha quebrar o silêncio das vítimas na denúncia de casos de violência a que são submetidas. 

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