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Cidade de Malange em festa de anos

Sérgio Dias | Malange*

A cidade de Malange assinala hoje, 13 de Fevereiro, 79 anos da sua existência. Para a elevação de Malange à categoria de cidade, a 13 de Fevereiro de 1932, contribuiu a evolução extraordinária que a região conheceu, sobretudo devido à sua localização geográfica privilegiada e às suas potencialidades turísticas, económicas e sociais. 
 

 

Cidade de Malange celebra aniversário com fortes sinais de crescimento e desenvolvimento socio-económico
Fotografia: João Gomes

A cidade de Malange, capital da província do mesmo nome, assinala hoje, 13 de Fevereiro, 79 anos da sua existência. Situada no então concelho de Malange, a região foi criada a 10 de Março de 1957, pelo então governador-geral de Angola, Coelho do Amaral. Ao concelho estavam adstritas as localidades do Duque de Bragança, de Tala Mungongo, do Ambaca e de Pungo Andongo.
Malange, que representa neste momento um distinto e fabuloso planalto, celebra os 79 anos da sua elevação à categoria de cidade, com o ressurgir da perspectiva de uma vida melhor para a sua população.
A então cidade de Malange foi criada como feira e paróquia, em 1951, tendo a sua circunscrição civil sido instituída a 3 de Março de 1857. Neste ano de 2011, a região volta a festejar o aniversário, sob o slogan “Malange: a esperança por um futuro melhor”.
Somente em Novembro de 1870 foi criada a portaria que determinava o Corpo Administrativo que foi instalado por meio de acta datada de dia 20 do referido mês e ano, que nomeava o primeiro governador a residir nessa povoação. Tratava-se do major Veríssimo Sarmento, nomeado subsequentemente em 1896.
Para além da população branca, oriunda do então Portugal metropolitano, em Malange residiam tribos de considerável expressão numérica. Entre estas destacavam-se gingas, songos, ambaquistas, bambeiros, mossuelas, quiocos, minungos e luimbes.
Para a elevação de Malange à categoria de cidade, a 13 de Fevereiro de 1932, contribuiu a evolução extraordinária que a região conheceu, sobretudo devido à sua localização geográfica privilegiada e às suas potencialidades turísticas, económicas e sociais.
É assim que se resume a história do surgimento da cidade capital de Malange, região pertencente à zona Norte do país.
No virar de mais uma página da sua história, muitas são as metas traçadas a nível de Malange, todas elas com vista ao trilho do progresso de uma região que ficou dilacerada pelas marcas da guerra que o país enfrentou durante quase 30 anos.
A cidade capital da terra onde pontifica a imponente Palanca Negra Gigante caminha hoje rumo ao sucesso, buscando um quadro próspero em quase todos os seus domínios.
À semelhança do que acontece hoje em muitas outras cidade capitais do país, Malange traça uma série de metas rumo ao seu desenvolvimento.
A urbe em si vive ainda a inocência das grandes transformações que conhecerá nos tempos vindouros, pese embora as inúmeras acções desencadeadas pelo executivo malangino que tem à testa Boaventura da Silva Cardoso.
Por isso mesmo, passados que estão os tempos da inquietação derivada pela guerra que assolou o país, hoje todos os filhos da terra dos grandes sobas e da rara Palanca Negra Gigante vivem expectantes com os desafios que têm pela frente.
Por mais que alguns se mostrassem cépticos em relação a esse aspecto, a perspectiva de uma vida melhor sobrepõe-se hoje às inquietações anteriormente reinantes, fixando-se a ideia do progresso e de uma vontade cada vez maior de vencer.

Crescimento e desenvolvimento

E, para os tempos vindouros, obviamente, todos hão-de olhar Malange com um sentimento de vitória, face à perspectiva de desenvolvimento que se regista nos vários domínios, como a educação, a saúde e em outras esferas da vida social.
Para já, duas boas novas para o ano que já faz história passam pelo recente regresso do comboio e a reinauguração do aeroporto local, hoje apetrechado com os mais altos padrões de tecnologia.
De igual modo, o surgimento do Curso Superior de Pedagogia em Malange constitui outra das melhorias significativas em todo este quadro de progresso.
Segundo dados colhidos pelo Jornal de Angola, os gingas e bondos, povos nativos da região, na busca dos seus direitos costumeiros, guerreavam-se entre si, constantemente.
Este factor facilitou, sobremaneira, a fixação dos portugueses, que contavam com o auxílio de alguns negros que abraçaram os intentos da dominação colonial, depois de várias revoltas entre os donos da terra e os invasores.
Os portugueses concretizam assim a ocupação em 1839. Outros dados dão conta que, em 1582, a povoação de Malange possuía um comércio funcional, facto que permitiu, em 1857, ser elevada à categoria de vila e sede de concelho com o mesmo nome.
Em 1895 foi criado o distrito da Lunda, cuja sede passou para Malange, em 1896, por ordem do então governador Veríssimo Sarmento.  A Vila de Malange teve um papel de destaque como ponto de apoio de campanhas militares da Baixa de Cassange, dirigidas por negros nacionalistas. Em 1908 concluía-se a construção do caminho-de-ferro que ligava Luanda a Malange e deu-se um grande avanço no progresso da vila.

Postal do município sede

Malange, em tempos idos, constituía um ponto obrigatório para as comitivas de carregadores que, das feiras de Cassange e Lunda, se dirigiam ao Dondo.  Com uma superfície de 2.222 quilómetros quadrados, Malange, a cidade capital da província com o mesmo nome, tem duas grandes comunas: Kambaxe e Ngola Luíge.
A Norte, este ponto da província é limitado pelo rio Lombe, a Sul pelos rios Kuije, Luximbe e Luhanda. A Este, a cidade que hoje completa 79 anos de existência limita-se pela comuna de Mufuma e a Oeste pelo rio Kwanza, o maior dos que cruzam o país.
Relativamente a bairros, o município sede da província da Palanca Negra Gigante congrega no seu seio 17. Trata-se do bairro Azul, Barreiras, Campo de Aviação, Carreira de Tiro, Canâmbua, Centro da Cidade, Kangambo, Kafuco-Fuco, Kaála, Katepa, Kizanga do Bango, Kizanga da Barraca, Maxinde, da Polícia, Ritondo, Sambizanga e da Vila Matilde.
Malange conta ainda com as povoações do Mvula Ngombe, Ngondo, Kissol, Kamatete, Zela, Cambondo, Kastembale de Cima, Kastembale de Baixo, Kamibafu, Kazundo, Kulamuxitu, Kassucina, Kassembele, Kinguila e de Kifukussa Bande.
Juntam-se a estas as de Kambundi do Kuije, Kissaco, Quéssua, Kibinda, Kamatende, Karianga, Karianga do Kuije, Kuije, Cambondo do Kuije, Katombe de Cima, Katombe de Baixo, Vanvala de Cima, Vanvala de Baixo, Kamakondeca e do Kamibafu.
A sua situação geográfica faz com que Malange se torne um município de Malange, quer do ponto de vista de localização, quer no enquadramento direccionado ao armazenamento e escoamento dos mais variados produtos.
As condições naturais existentes no município permitem encontrar facilidades no acesso aos demais locais desta província do Norte do país.

Boaventura Cardoso assinala os ganhos obtidos

Governador de Malange aponta a circulação ferroviária e aérea como duas das grandes conquistas
No dia em que Malange assinala os 79 anos da passagem de vila ao estatuto de cidade, as entidades máximas aproveitam para fazer o balanço das acções realizadas e para reflectir em torno das soluções que devem ser encontradas para os muitos problemas que ainda afectam o quotidiano dos habitantes da cidade.O governador Boaventura Cardoso sublinhou que apesar das dificuldades e constrangimentos que caracterizaram a realidade do país, “é bom reconhecer que os esforços do governo provincial, associados à participação de todos, têm permitido executar acções em vários domínios”.
Desse modo, prosseguiu o chefe do governo de Malange, “vai-se mudando paulatinamente a imagem da urbe, restituindo-lhe a beleza que lhe é característica e ao mesmo tempo conferindo melhores condições sociais a todos que delas necessitam”.
No quadro dos esforços do governo que dirige, Boaventura Cardoso apontou a melhoria do abastecimento de água potável a muitos cidadãos, incluindo os da periferia, que beneficiam igualmente de energia eléctrica de melhor qualidade, tanto pública como domiciliar, sem interrupções.
 “O fornecimento de água às residências e aos chafarizes públicos é também uma realidade visível, diminuindo os contratempos e sacrifícios de muitas famílias para a obtenção deste precioso líquido”, referiu.

Ensino superior

Boaventura Cardoso referiu, por outro lado, como um dos ganhos de maior destaque, o ensino superior na província que, a par da Faculdade de Medicina, se juntam agora, neste ano lectivo, os cursos superiores de Pedagogia e Matemática, além do Superior de Enfermagem.
O governante apontou como uma das maiores conquistas a circulação ferroviária e aérea, que vieram aumentar as possibilidades de circulação de pessoas e bens.
Muito recentemente, a cidade testemunhou a abertura do Serviço Integrado de Atendimento ao Cidadão, que vai alargar o leque de opções e oportunidades da população, e do Centro de Produção da Televisão Pública de Angola (TPA), o que “vai permitir, em tempo real, que as notícias sobre Malange cheguem a todos os lares e ao mundo em geral”. No quadro da implementação do Programa Nacional de Urbanismo e Habitação, vão ser construídos, a partir deste ano, seis mil fogos, depois de terem sido identificadas as reservas fundiárias e as zonas para implementação de projectos de habitação social e a distribuição de lotes para autoconstrução dirigida.
No domínio económico, Boaventura Cardoso reconheceu o grande movimento de revitalização e a instalação de unidades comerciais, hoteleiras, industriais e de outro domínio.
Por outro lado, as agências bancárias já instaladas e outras recém-chegadas vão abrindo novos balcões, facilitando o acesso do público aos seus serviços.
Boaventura Cardoso afirmou ainda que, apesar dos avanços referidos, há muito por fazer. “Temos a certeza de que com o esforço e empenho de todos nos será possível transformar a esperança desta maravilhosa terra da Palanca Negra, das Pedras Negras do Pungo Andongo e das Quedas de Kalandula em certeza de um futuro melhor”, concluiu.

Mudanças significativas

Malange assinala 79 anos da sua elevação à categoria de cidade num momento em que se registam, a nível local, mudanças significativas. Nessa esteira, Dom Luís Maria de Honraita, Bispo da Igreja Católica, expressa a sua satisfação pelo crescimento que a capital da província da Palanca Negra conhece nos dias que correm.
Em conversa mantida com o “Jornal de Angola”, o Bispo da Diocese de Malange realçou que durante estes 79 anos da sua elevação à categoria de cidade, “verificaram-se na cidade mudanças significativas”.
O prelado católico explicou que o Governo central e de Malange, em particular, têm desenvolvido muitos esforços para a criação de condições para a população da região.
Dom Luís Maria de Honraita sublinhou que “com o advento da paz, a cidade de Malange está a tornar-se mais bela”.
Por esse facto, há necessidade de o Executivo Central e local trabalharem mais em prol da região, para a criação de condições mais condignas para os munícipes.
“Devem criar-se áreas de lazer e construir mais casas para que a população possa viver condignamente.
Deve-se também apostar na criação de mais escolas do ensino superior, de maneira a que os jovens de Malange não imigrem para outros pontos do país, para aumentarem os seus conhecimentos”, frisou.
Lamentou, por outro lado, o mau comportamento de muitos cidadãos, que têm praticado acções de vandalismo em diversos pontos da cidade de Malange.
Dom Luís Maria de Honraita frisou, a esse respeito, que a igreja desempenha um papel preponderante na pacificação dos espíritos e na preparação da concórdia de saber perdoar.
Recorde-se que para saudar os 79 anos da elevação de Malange à categoria de cidade, estão a ser desenvolvidas várias actividades, com realce para espectáculos culturais e a inauguração de equipamentos sociais.

*Com Francisco Curihingana e Luisa Vitoriano

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