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Cólera mata em Cambundi Catembo

Venâncio Victor| Malange

O surto de cólera, que se regista desde o mês de Junho, no município de Cambundi Catembo, 185 quilómetros a sul da cidade de Malange, já causou a morte de duas pessoas, revelou sexta-feira o chefe da repartição municipal da Saúde.

Funcionários dos serviços sanitários não medem esforços para contrapor os efeitos da cólera que assola em grande escala comunidades de Cambundi-Catembo
Fotografia: Eduardo Cunha| Malange

Jorge Samacuri disse que o surto de cólera faz-se sentir com grande incidência no sector do Queve, na comuna de Dumba Cambango, onde já foram diagnosticados dez casos.
O chefe de repartição municipal considerou a situação de preocupante, na medida em que o surto de cólera arrasta-se há mais de três meses e os técnicos ainda não conseguiram travar a sua propagação.Uma equipa de profissionais da direcção da Saúde visitou há dois dias o sector do Queve, a cerca de 75 quilómetros da sede municipal, para estudar estratégias mais eficazes e realizar acções de sensibilização e prevenção da doença.
O sector da Saúde a nível do município de Cambundi Catembo dispõe apenas de dez enfermeiros, número considerado insuficiente para enfrentar as necessidades dosector. Para reverter o quadro, disse que são necessários, em média, 40 novos técnicos. Avançou que a rede sanitária de Cambundi Catembo é composta por três postos de saúde e um hospital municipal, actualmente reabilitado, com uma capacidade para 40 camas.
Quanto aos medicamentos, o chefe da repartição da Saúde referiu que o município tem tido abastecimento regular, daí garantir que não existem roturas de reservas.
A situação daquela doença é ainda agravada pelo facto do município de Cambundi Catembo debater-se com falta de água potável, há mais de 25 anos, lamentou o administrador municipal, João Tito.
Este cenário pode ser alterado em breve, assegurou o administrador para quem existem garantias do Ministério da Energia e Água, com vista à instalação de sistemas de captação, tratamento e distribuição de água potável.
João Tito adiantou que o Ministério de tutela procedeu já ao lançamento do concurso para a construção dos sistemas de bombagem. Enquanto não se instala o sistema, a população continua a percorrer longas distâncias para ter acesso à água, que é retirada directamente de cacimbas não tratadas. O administrador de Cambundi Catembo disse que as autoridades locais têm distribuído regularmente produtos de desinfestação da água, de forma a evitar o surgimento de doenças.

Praga nas plantações

Outro problema da população de Cambundi Catembo tem a ver com a praga da virose, que afecta as plantações dos municípios da região, como Cambundi, Luquembo e Quirima. Preocupado com a situação, o administrador municipal garantiu a aquisição de novas sementes, para serem distribuídas nos hectares afectados.
O mau estado das vias de acesso tem tido igualmente repercussões negativas no andamento das obras de impacto social em curso naquela circunscrição, com destaque para os 200 fogos habitacionais.

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