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Comuna do Micanda à espera de investimentos

Francisco Curihingana | Malange

A população da comuna do Micanda arregaçou as mangas para ajudar a administração local a resolver diversos problemas, como a falta de unidades sanitárias, escolas e degradação das vias de acesso.

Ângulo da sede de Micanda cujo administrador pede aos empresários para investirem na região e ajudarem a melhorar o nível de vida
Fotografia: Eduardo Cunha|Malange

A população da comuna do Micanda arregaçou as mangas para ajudar a administração local a resolver diversos problemas, como a falta de unidades sanitárias, escolas e degradação das vias de acesso.
O administrador local pede aos empresários para investirem na região e ajudarem a melhorar o nível de vida da população, que já sonha com dias melhores. Adão Neto tem 12 anos, estuda na 3ª classe e vive na comuna do Micanda, município de Cahombo, com os seus pais. O sonho deste petiz é ser médico, mas levanta muitas interrogações quanto à sua pretensão. Na comuna do Micanda, como diz, há poucos professores e, em consequência disso, várias crianças da sua idade estão fora do sistema normal de ensino.
Samuel Malaquias, um outro menino que vive naquela localidade do município de Cahombo, diz que quer ser professor para que as próximas gerações não enfrentem os mesmos problemas que estão a viver neste momento.  “Quero ser professor para ajudar os meus irmãos a estudar e contribuir para o desenvolvimento da nossa comuna”, disse Samuel Malaquias.
Idalina Sousa, 14 anos, que estuda na 4ª classe, foi a nossa terceira interlocutora. Tal como Samuel Malaquias, Idalina também deseja ser professora, porque na sua localidade há falta de educadores.
“Nós aqui estamos sem professores nem escolas. Os professores não aceitam vir para cá, porque dizem não haver condições. Como consequência, muitos dos nossos irmãos e outros familiares próximos não estudam”, alertou.
Segundo o soba Manuel, a comuna do Micanda, a 174 quilómetros da cidade de Malange, vive ainda muitos problemas, como a falta de escolas e postos de saúde.  No que toca à Agricultura, refere que quase tudo quanto produzem serve para o consumo, fica apenas algum excedente destinado ao mercado ou para permuta com os comerciantes. Uma das preocupações que aflige o soba é a falta de comunicações. “Antigamente, escrevíamos cartas aos nossos familiares que viviam longe de nós. Hoje, essa prática foi substituída pelos telefones, que infelizmente aqui não temos”, lamentou. O soba Manuel revelou que as vias de circulação na região não oferecem condições de segurança, por se encontrarem esburacadas.  As pontes também não são seguras.  O administrador comunal, Pacheco Mudile, apelou aos filhos de Micanda a direccionarem os seus investimentos para a região, a fim de permitir o seu rápido desenvolvimento. A comuna, como disse, tem no Programa de Combate à Pobreza as suas grandes esperanças. Neste momento, estão em curso a reabilitação do posto médico, a construção de duas salas para assistência à mãe grávida, uma escola com três salas de aulas, além de estarem a ser reabilitadas várias salas para permitir a inserção de mais crianças no sistema de ensino.

 Vias de circulação degradadas
 
O administrador Pacheco Mudile reconheceu que o desenvolvimento da região passa primeiro pela reabilitação das vias de acesso e das pontes. A comuna conta neste momento com dois postos de saúde, com dois enfermeiros em cada um.
O responsável municipal considera que este número deve ser aumentado, tendo em conta a extensão da comuna. Em caso de pacientes em estado grave, a administração tem contado com o auxílio da única ambulância que se encontra na sede do município.
Pacheco Mudile apontou o facto de muitos professores que deviam trabalhar na região não aceitarem, por preferirem trabalhar na cidade. Este ano lectivo, a comuna não recebeu professores novos, alegadamente por não existirem condições de acomodação.
Micanda, que se encontra situada ao norte da província de Malange, possui uma superfície de 508 quilómetros quadrados. A localidade é limitada a norte pelo município de Kalandula, através da comuna do Kuale, ao sul pelo município de Cahombo, a oeste pelo de Kiuaba-Nzoge e a leste pela comuna do Dala Samba, município de Marimba.
Neste momento, estão contabilizados na região, mais de quatro mil habitantes, que se dedicam maioritariamente ao campo.

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