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Crédito agrícola em Cangandala

Francisco Curihingana| Malange

O Banco de Comércio e Indústria cedeu um montante financeiro avaliado em 192.492 dólares, que beneficiou 139 camponeses da comunidade Agrícola “Doutor António Agostinho Neto”, do bairro de Cagiza, município de Cangandala.
O montante foi cedido no dia 14 de Abril, no âmbito do programa "Crédito de Campanha Agrícola" e visa a cada sócio a obtenção de enxadas, catanas, sementes, fertilizantes  e outros meios indispensáveis à produção agrícola.

Autoridades tradicionais e membros de associações de camponeses aplaudem a concessão dos créditos de campanha agrícola
Fotografia: Eduardo Cunha| Malange

O Banco de Comércio e Indústria cedeu um montante financeiro avaliado em 192.492 dólares, que beneficiou 139 camponeses da comunidade Agrícola “Doutor António Agostinho Neto”, do bairro de Cagiza, município de Cangandala.
O montante foi cedido no dia 14 de Abril, no âmbito do programa "Crédito de Campanha Agrícola" e visa a cada sócio a obtenção de enxadas, catanas, sementes, fertilizantes  e outros meios indispensáveis à produção agrícola.
Cada sócio beneficia do equivalente a cinco mil dólares americanos, reembolsáveis num período de dez meses.
O sócio Quintinha Fernando assegurou à reportagem do Jornal de Angola que com o crédito, os níveis de produção vão conhecer uma outra realidade. "Vamos produzir mais batata, mandioca, cana e ajudar a combater a fome".
Segundo ele, o Estado agiu de maneira positiva ao ceder o referido montante, já que permite inclusive o aluguer de uma máquina agrícola, para preparar a terra.
Joaquim Quissonde, um outro associado, não podia estar indiferente. Disse que com o crédito cedido, a produção vai conhecer melhorias consideráveis.
"A guerra terminou e nós, como agricultores, voltamos às nossas zonas de origem e o objectivo é produzirmos o essencial para criar a estabilidade no seio das nossas famílias e o excedente canalizarmos para os mercados".
"Nós produzimos muito, só que não encontramos mercado, para procedermos ao escoamento dos nossos produtos e isto nos entristece muito", disse Joaquim Fernando, que augura dias melhores a partir do crédito que lhe foi disponibilizado pelo Banco BCI.
O agricultor Luís Canda Mussanga considerou o crédito um alívio, na medida em que vai ajudar na elevação dos níveis de produção e proporcionar o bem-estar e felicidade das respectivas famílias.
"Com o crédito, vou fazer uma lavra de dois hectares, cultivar feijão e outros produtos que depois são canalizados para o mercado. Os lucros, acrescentou, vão permitir melhorar as condições da minha família", disse o interlocutor.

Presidente da UNACA augura dias melhores

O presidente da União Nacional das Associações de Camponeses (UNACA), Manuel Inácio "Quente", disse à nossa reportagem que o surgimento do Banco de Comércio e Indústria (BCI), depois do Banco Sol, é uma iniciativa que vai potenciar os camponeses na concretização do seu sonho, em ver melhoradas as suas condições quer na produção dos bens essenciais para a sua subsistência bem como melhorar os seus níveis de vida.
Manuel Inácio acrescentou que para esse desafio, estão seleccionados na província de Malange quatro instituições bancárias, que, no entanto, quase continuam inoperantes em relação ao sector agrícola.
Dos bancos seleccionados para o sector agrícola, para além do Sol e Comércio e Indústria, que já começaram a trabalhar, aguarda-se a todo instante o arranque do Banco de Poupança e Crédito (BPC), na óptica do presidente provincial de Malange da UNACA.
Para o director provincial da Agricultura, Desenvolvimento Rural, Pescas e Ambiente (MINADER), João Manuel, caso surja mais um banco, para ajudar o governo no seu Programa de Combate à Fome e Pobreza, vai haver mais incentivos aos camponeses.
"O processo de crédito aos camponeses pode ser alargado para outros municípios da província, onde existam associações de camponeses e cooperativas agrícolas", rematou o funcionário sénior da Agricultura.

Relação contínua com as populações

O presidente do Conselho de Administração do Banco de Comércio e Indústria (BCI), Adriano Pascoal, referiu que a ideia da instituição que dirige é "estabelecer uma relação contínua com as populações, na base das orientações expressas pelo Chefe do Executivo, José Eduardo dos Santos".
Assegurou que o Executivo, ao criar o programa de crédito "Campanha Agrícola", pretende fazer com que cada cidadão participe, no local em que estiver, no processo de reconstrução nacional em curso no país.

Boaventura Cardoso pede empenho de todos

O governador de Malange, Boaventura Cardoso, aconselhou os camponeses locais a respeitarem os regulamentos do crédito agrícola aprovado pelo Executivo.
Para Boaventura Cardoso, passados seis meses desde o anúncio do programa, verifica-se apenas o envolvimento de uma instituição bancária (BCI), que responde aos anseios do seu governo e dos camponeses. "Dos contactos que vimos mantendo com os camponeses de todos os municípios de Malange, ficamos com a percepção de que nem tudo vai bem no que toca ao Programa de Crédito Agrícola", apontou.
Referiu existirem, por outro lado, constrangimentos que se vão registando e que requerem maior e melhor organização por parte dos camponeses e cooperativas agrícolas. Pediu que se faça mais sensibilização em volta dos objectivos do programa, passando pela efectivação de sessões de esclarecimento e de sensibilização sobre a importância estratégica do Programa Crédito de Campanha.
A Cooperativa Agrícola Doutor António Agostinho Neto existe há cinco anos e na presente campanha agrícola os seus sócios prepararam 180 hectares de terra destinados a produção diversa.
Os agricultores da província de Malange produzem essencialmente mandioca, milho, feijão, cana-de-açúcar e inhame.

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