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Decano quer maior controlo dos produtos químicos

Filipe Eduardo | Malanje

O decano da Faculdade de Medicina da Universidade Lueji Ankonde, em Malanje, André Pedro Neto, apelou às diferentes sensibilidades do país no sentido de exercerem maior rigor na verificação dos produtos químicos que entram no país.

Primeiro Congresso Internacional de Toxicologia constitui um espaço privilegiado para a troca de experiências entre os técnicos
Fotografia: Genivaldo Fonseca

Pedro Neto, que falava durante a primeira exposição no Primeiro Congresso Internacional de Toxicologia, que decorre nesta cidade, disse que a toxicologia constitui um mecanismo de defesa e segurança pública, pelo que há necessidade de se verificar o que entra e circula no nosso país.
Ao falar dos “Principais factores que influenciam o desenvolvimento da toxicologia em Angola e que contribuem para a melhoria da qualidade de vida das populações”, apontou a falta de um quadro básico de medicamentos, bem como recursos humanos capacitados como um perigo à toxicologia no país.
"A toxicologia ainda é uma ciência muito nova que necessita de ser desenvolvida, para que a nossa população saiba e tenha os devidos cuidados na altura certa, pois esta disciplina está presente na vida económica, social e política de qualquer país", salientou.
Pedro Neto referiu que o mundo atravessa situações complexas em toxicologia e daí a necessidade de maior reforço no actual sistema de "toxicovigilância", pois o contrário pode pôr em causa "a nossa defesa nacional". A estabilidade de um país, salientou, não se resume apenas em ter quartéis generais ou armamentos nucleares, pois o mundo está cada vez mais moderno e a defesa química já constitui prioridade para vários países.
“É necessário que se incuta mais no país a cultura da toxicologia, pois a nossa população deve saber mais sobre o que ela representa, os seus efeitos e contributo na sociedade”, afirmou Pedro Neto.
Actualmente, disse, mais de 30 milhões de produtos tóxicos circulam livremente em toda a parte sem serem diagnosticados, pelo que urge "conjugarmos esforços para travar e dar respostas a este problema, pois não se sabe se o nosso país também tem sido usado como uma área de experimentação de tais materiais tóxicos".

Reflexão científica

“Graças aos convénios entre o Centro de Investigação e Informação de Medicamentos e Toxicologia (Cimetox), a Faculdade de Medicina de Malanje e as diferentes instituições de toxicologia, e as acções de capacitação de técnicos de saúde, hoje “temos dado solução a diversos casos que chegam à nossa instituição, mas é necessário redobrar o esforço”.
“A toxicologia está presente em toda a actividade humana, por isso é necessária uma reflexão científica”, disse.
O decano da Faculdade de Medicina da Universidade Lueji Ankonde salientou que, perante estes riscos, a OMS chamou a atenção de todos os governos, no sentido de se criarem centros antitóxicos, devido à livre circulação de produtos tóxicos, para a formação e capacitação constante de técnicos em toxicovigilância, acções de prevenção e atendimento à saúde.
"Depois de várias investigações feitas um pouco por todo o país, concluímos que diversos produtos tóxicos circulavam livremente em Angola. Em Novembro de 2011 criámos o primeiro Centro de Investigação e Informação de Medicamentos e Produtos Toxicológicos (Cimetox), único no país, para contribuir para o desenvolvimento da toxicologia no país, fazendo um atendimento adequado às populações."
Estefanini Santera, um dos participantes ao encontro, especialista em manutenção de serpentes em cativeiro, da Universidade de Butantam, Brasil, valorizou a realização do evento que, além da troca de experiências, vai permitir a assinatura de um convénio entre a sua Universidade e o Cimetox.
No próximo ano, os especialistas brasileiros regressam a Malanje, onde já estão criadas as condições para o arranque do processo de desenvenenamento das serpentes de Angola e a realização de um estudo mais aprofundado dos diferentes tipos que existem no país.
Outra especialista, Maria de Lurdes Bastos, da Universidade do Porto, com cerca de 30 anos dedicados à toxicologia, elogiou a iniciativa que juntou técnicos de vários países, sublinhando que o encontro vai permitir  a identificação dos problemas que cada um enfrenta.

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