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Encontro marcado com grandes obras

Filomeno Manaças|*

A cidade de Malanje celebra hoje 80 anos de existência e as suas gentes fazem da data um momento de reflexão sobre o seu percurso histórico e também da província. Para uma cidade quase centenária os malanjinos não têm dúvidas de que há obra por realizar.

Requalificação de bairros,novas centralidades e pólos turísticos e industriais vão mudar Malanje
Fotografia: Eduardo Cunha

A cidade de Malanje celebra hoje 80 anos de existência e as suas gentes fazem da data um momento de reflexão sobre o seu percurso histórico e também da província. Para uma cidade quase centenária os malanjinos não têm dúvidas de que há obra por realizar. Mas sabem também que a cidade, tal como a província com o mesmo nome - berço de personagens como Ngola Kiluanje, Njinga Mbandi (no passado), e de homens da têmpera do cardeal Dom Alexandre do Nascimento, do bispo Emílio de Carvalho, de Bornito de Sousa, dos Kitumbas, dos Camabaias e de tantas outras ilustres figuras malanjinas que pontificam no panteão da intelectualidade angolana - , passou por várias vicissitudes. Mas não vergou!
Por isso os malanjinos não desistiram de sonhar. Continuam apostados em levar a província a melhorar em todos os aspectos e sentem orgulho pelo contributo dado para a emancipação do país. Olham para o passado longínquo e recente e acreditam, têm a certeza, já sentem que o momento de viragem na reconstrução pode acontecer agora.
Até ao momento o executivo local direccionou as suas acções para áreas prioritárias como a saúde, educação, abastecimento de água, de energia, e para a desminagem de modo a melhorar as ligações rodoviárias intermunicipais. Apesar de que ainda persistem dificuldades, é notável o facto de, dez anos depois do fim da guerra, ser possível circular em toda a província.
Numa outra vertente, os esforços desenvolvidos pelo Executivo permitiram melhorar as condições de acesso à província. Por estrada a nova via aberta a partir de Maria Teresa veio encurtar a distância entre Luanda e Ndalatando, no Kwanza-Norte, e, por conseguinte, também em relação a Malanje. Em 2010 o comboio passou a apitar na sede capital da província e melhorou ainda mais o transporte de passageiros e de carga no sentido Luanda-Malanje e vice-versa.
O aeroporto foi reabilitado e, em conjunto, estas três realizações, agregadas ao grande trabalho de desminagem feito, representam o desbravar de terreno para que agora a província possa sonhar com voos mais altos, para despertar nos investidores o interesse em apostar na realização de obras.
A bem dizer, alguns desses projectos já estão em curso. A fazenda agro-pecuária em Pungo Andongo, com 33 mil hectares, e que labora desde 2006, é reveladora da dimensão que se pretende que a economia malanjina tenha. A barragem de Kapanda e o projecto de produção de biocombustível idem em aspas gordas.
Esses anos foram praticamente destinados a lançar os dados no terreno e por isso o executivo de Boaventura Cardoso acredita que Malanje tem agora encontro marcado com obras sociais de envergadura, que arrancam este ano. O ano 2012 pode assim marcar o “antes” e o “depois” na reconstrução económica e social para Malanje. Entre as grandes obras previstas estão os projectos de requalificação dos bairros de Malanje, do corredor da antiga estação de caminhos-de-ferro, de construção de novas centralidades e outras de intervenção urbanística que visam a expansão da cidade. E de obras não é tudo: o pólo de desenvolvimento turístico de Kalandula vai também agora sair do papel para se tornar realidade e arrastar consigo outros investimentos em toda a extensão da província. Só nos resta dizer: Força Malanje! Mãos à obra!
*Administrador Executivo para a Área Editoria

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