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Escola de Malange recebe apoio de universitários

Francisco Curihingana | Malange

Salas de aulas da escola primária “Pioneiro Zeca”, no bairro da Canâmbua, vão mudar de imagem, depois da instalação de portas e janelas, doadas por um grupo de estudantes do terceiro ano de Pedagogia da Escola Superior Politécnica de Malange, afecta à Universidade Luegi A’nkonde.

Os alunos da escola primária “Pioneiro Zeca” do bairro Canâmbua já têm motivos para sorrir e olhar para o futuro com esperança
Fotografia: Eduardo Cunha |

A doação dos estudantes é uma resposta à apelos feitos pela direcção da escola, dado o avançado estado de degradação em que se encontram as infra-estruturas de ensino.
Com a chegada da época chuvosa, os estudantes universitários decidiram juntar-se aos esforços da direcção da escola para minimizar o sofrimento dos alunos e professores, que têm de se submeter a sacríficios para as aulas acontecerem.
A directora da escola, Feliciana Cuianda, disse que a chegada das chuvas constitui uma grande preocupação, uma vez que o grau de degradação de 21 salas de aulas faz com que alguns alunos passem a assistir as aulas fora das salas, sem a observância de mínimas condições para o normal desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem.
Feliciana Cuianda lançou um apelo às entidades de direito para velarem pela melhoria das condições da escola, pois, corre-se o risco de assistir-se ao ruir completo do estabelecimento de ensino. A directora avançou ainda que actualmente os alunos sentam-se em latas por não existirem carteiras, uma situação que tem influenciado de forma negativa na aprendizagem e no aproveitamento das crianças.
A professora primária agradeceu o gesto dos estudantes universitários, esperando que a acção dos jovens despertasse a atenção das  entidades de direito e a sociedade, no sentido de retirar a escola no estado em que se encontra, para que “não desapareça do mapa”, disse. A docente apela igualmente para que os pais ajudem as autoridades nesta luta para evitar a instituição não encerre as portas e lançar para fora do sistema centenas de crianças.
Catarina Mário Afonso, estudante da 4ª classe na escola Pioneiro Zeca, agradeceu o gesto e lançou um apelo às entidades de direito no sentido de melhorarem as condições da instituição de ensino. O seu colega Zezinho sonha ser advogado, mas teme que as condições da actual escola não dêem muitas esperanças para a concretização da referida intenção.

Falta de incentivo

Engrácia Mateus Gamboa, professora há mais de 20 anos, diz sentir-se bastante mal com o estado da escola em que trabalha, avançando que, às vezes, perde a vontade de dar aulas, principalmente no tempo chuvoso, em que são obrigados a abandonar as salas. “Quando começa a chuva temos de interromper as aulas, porque a água cai por tudo quanto é canto, o que passa a ser humilhante para nós e os nossos alunos, se comparados com outros estabelecimentos”, apontou a professora.
Neste ano lectivo, a escola, que enfrenta inúmeras dificuldades, conta com 912 alunos da iniciação a 6ª classe, com aulas asseguradas por 25 professores nos períodos da manha e tarde.
A estudante do curso de Pedagogia, Hermenegilda Benza, disse que a iniciativa surge também no cumprimento de uma actividade extra-escolar programada pelo professor da cadeira de Dificuldades de Aprendizagem. Hermenegilda Benza disse ter ficado comovida com as condições da instituição de ensino, daí apelar para a sua melhoria no sentido de permitir que os alunos possam ter aulas de forma regular.

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