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Estiagem prejudica culturas alimentares em Malange

Venâncio Victor | Malange

A regedoria de Cambunze, no município de Cacuso, em Malange, foi fortemente atingida pela estiagem, durante a primeira época da campanha agrícola 2010/2011.

A regedoria de Cambunze, no município de Cacuso, em Malange, foi fortemente atingida pela estiagem, durante a primeira época da campanha agrícola 2010/2011.
De acordo com a agricultora Domingas António, antiga moradora na região, a estiagem, que durou quatro meses, afectou por completo as culturas de milho, ginguba e feijão.
Acrescentou que a população local conseguiu sobreviver graças aos excedentes da produção anterior e de actividades comerciais, com destaque para 12 hectares de batata-doce.
A agricultora lamentou ainda a falta de escoamento dos produtos do campo para a cidade de Malange, referindo que, na maior parte das vezes, estes acabam por se ­deteriorar.
Outro problema da população de Cambuze tem a ver com a falta de sementes e de instrumentos de trabalho, situação que se arrasta desde o ano passado. A nossa reportagem apurou que as sementes, que foram lançadas à terra esta época agrícola, em Cambunze, foram adquiridas pelos próprios camponeses a partir da localidade de Lucala, a preços exorbitantes.
Dada a situação, Domingas António apelou aos responsáveis da Estação de Desenvolvimento Agrário (EDA) para que sejam distribuídos sementes e fertilizantes, para ser possível melhorar a actividade agrícola e aumentar os níveis de produção.

Faltam professores

O sector da Educação também está a enfrentar grandes dificuldades em Cambunze, principalmente pela falta de professores, disse o responsável da área na sede da regedoria, José Paulo.
A localidade conta apenas com 13 professores, número que o responsável considera insuficiente face às necessidades do sector. Para alterar esta situação, são necessários, na sua opinião, no mínimo mais 20 professores para reforçarem o número de técnicos do sector que asseguram o ensino em Cambunze, localidade com uma rede escolar composta por 12 escolas. O Jornal de Angola apurou que a sede da regedoria vai dispor, no decorrer deste ano, de uma nova escola, com seis salas, construída no âmbito do Fundo de Apoio à Gestão Municipal.
O empreendimento espera apenas pela inauguração.
Este ano, foram matriculados 840 alunos da iniciação à sexta classe, mantendo ainda fora do sistema escolar mais de 100 crianças, por falta de professores e de escolas. Quanto à disponibilidade de material didáctico, o responsável disse que a instituição recebeu 58 livros da primeira e terceira classe.
O sector da saúde, que conta com posto médico construído de raiz, vive igualmente grandes problemas para garantir a assistência médica e medicamentosa às populações, uma vez que depende de apenas dois técnicos ­­de enfermagem.
O Jornal de Angola constatou ainda que várias obras de impacto social estão a ser edificadas na regedoria, contribuindo para que a zona ganhe outra imagem.
Até agora, as populações já beneficiaram de escolas, postos de saúde e um novo sistema de bombagem, erguido no âmbito do programa nacional “Água para Todos”. Além da sede, a regedoria de Cambunze conta com quatro aldeias: Bengueje, Catuta de Cima, Casela do Centro e Caminhos-de-Ferro.
No período colonial, salienta-se, Cambuze chamou-se Sector do 50, por ter sido um centro de referência, em termos do comércio rural. A localidade foi igualmente uma região com fortes tradições no ramo da avicultura.
Com uma população estimada em 6.545 habitantes, maioritariamente camponesa, a zona produz grandes quantidades de batata-doce e tabaco.

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