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Estradas atrasam desenvolvimento de Massango

Venâncio Victor| Malange

Viajar para o município de Massango, na província de Malange, requer esforços redobrados, paciência e preparar uma viatura em condições, ou seja, um todo-o-terreno. Pela frente esperam-nos perto de 140 quilómetros de estrada em péssimas condições de circulação.

Pormenor da vila de Massango cujas estradas estão em péssimas condições para circulação de viaturas de todo o tipo
Fotografia: Eduardo Cunha| Malange

Viajar para o município de Massango, na província de Malange, requer esforços redobrados, paciência e preparar uma viatura em condições, ou seja, um todo-o-terreno. Pela frente esperam-nos perto de 140 quilómetros de estrada em péssimas condições de circulação.
Isso mesmo constatou na quarta-feira o primeiro secretário provincial de Malange do MPLA, Boaventura Cardoso, durante uma série de visitas de ajuda e observação às estruturas do seu partido naquele município fronteiriço.
Boaventura Cardoso reconheceu que “não é fácil viajar para os municípios de Massango, Luquembo e Qurima, por serem os mais longínquos e devido à inacessibilidade das vias de acesso a essas localidades”. No entanto, estão a ser realizadas obras de reabilitação da via, que decorrem sem sobressaltos. Por isso, neste momento, a estrada já está reabilitada até à ponte sobre o rio Lucala, nas imediações do sector de Santa Maria, que fica a 18 quilómetros da sede municipal de Kalandula, conforme apurou o Jornal de Angola.
Localizado a Norte da sede provincial, Massango tem uma população calculada em 25 mil habitantes que têm a agricultura como principal actividade, com particular realce para a mandioca e a ginguba. A caça, a pesca e o artesanato são também algumas das actividades do dia-a-dia da população. Para além da sede municipal, a região conta também com as comunas de Quihuhu e Quinguiengue.  
Na região existem dois grupos etnolinguísticos, designadamente os bacongos, que integram as línguas phombo e soso, e o quimbundo, que é a segunda tribo predominante.
A guerra fratricida que dilacerou o país durante 30 anos levou tudo "por água abaixo".
Com a conquista da paz definitiva em Angola, o município do Massango começa agora a reerguer-se das cinzas.
As obras de impacto social que estão a ser edificadas começam a mudar a imagem, para melhor, da vila de Massango. A circunscrição conta neste momento com um centro municipal de saúde, construído de raiz, novas salas de aula e estão também em curso as obras de construção de um novo sistema de captação, tratamento e distribuição de água potável.
 
Faltam professores

 
O sector da educação, de acordo com o seu responsável, Elias Domingos, enfrenta sérios problemas que se prendem com a falta de professores e de escolas.
No presente ano lectivo estão matriculados mais de quatro mil alunos da iniciação à 9 ª classe, mas o Jornal de Angola apurou que mais de duas mil crianças em idade escolar ficaram fora do sistema de ensino por falta de professores. O quadro docente da região é composto por 136 professores, número considerado irrisória face às necessidades.
"Necessitamos de mais 120 docentes do primeiro nível e ensino secundário", revelou Elias Domingos. O município tem uma rede escolar composta por 69 salas de aula de construção precária e 13 de carácter definitivo, das quais seis estão em funcionamento e as restantes carecem de obras de reabilitação. Para se inverter o quadro, o sector precisa de pelo menos uma escola com 12 salas de aula.
Os alunos que concluem a 9ª classe são obrigados a deslocarem-se para o município turístico de Calandula para conclusão do ensino médio. A sede municipal, segundo disse o chefe de repartição da educação, conta apenas com três salas onde são leccionadas aulas da 7ª 8ª e 9ª classe, funcionando em dois turnos.
As aulas do primeiro nível, entretanto, são leccionadas em instituições religiosas e privadas.
O abastecimento de material didáctico tem sido feito, contudo, dentro da normalidade.
 
Sector da saúde regista melhorias
 
No sector da saúde os problemas não diferem dos da educação. De acordo com o titular da pasta no município, Pereira Armando, o sector dispõe apenas de 19 técnicos de enfermagem. O município tem uma rede sanitária constituída por quatro estabelecimentos.
A par da sede municipal, as duas comunas que compõem o município, Quinguiengue e Quihuhu, têm um posto de saúde cada. Para este ano, referiu o responsável municipal, está em curso a construção de cinco novas unidades sanitárias com vista à melhoria da assistência médica e medicamentosa. Na regedoria de Quitala Mbanze, a 167 quilómetros da sede municipal, foi construído um posto de saúde de carácter provisório.
O hospital de Massango tem capacidade para internar seis pacientes e presta serviços de pediatria e medicina geral, dispondo também de Banco de Urgência. O estabelecimento assistiu, entre Janeiro e Agosto, sete mil pacientes. As enfermidades mais frequentes são as doenças diarreicas e respiratórias agudas, malária, infecções dermatológicas, e doenças gastrointestinais. O estabelecimento clínico atende em média 50 doentes por dia, de acordo com o responsável.
 
Falta de comercialização e escoamento dos produtos 
 
O sector da agricultura debate-se com a falta de infra-estruturas condignas para o seu melhor funcionamento, segundo disse ao Jornal de Angola o director da Estação de Desenvolvimento Agrário (EDA), Manuel de Lima. Além disso, a estiagem que afectou a localidade durante o mês de Março em nada contribuiu para a improdutividade.
Manuel de Lima disse que a campanha agrícola de 2008/2009 teve o êxito desejado, apesar de algumas dificuldades na comercialização e escoamento dos produtos do campo, devido ao mau estado  da via. O responsável defendeu uma política do comércio rural em vez de os camponeses se limitarem apenas à permuta.
Destacou ainda a distribuição, no ano passado, de instrumentos de trabalho, que apenas beneficiaram os camponeses da sede municipal. Na campanha 2009/2010, segundo ele, estiveram envolvidos mais de mil camponeses, dos 13 mil inicialmente previstos.
O município de Massango, que está a beneficiar de várias infra-estruturas sociais, faz fronteira a Norte com a República Democrática do Congo, a Leste com o município de Marimba, a Sul é limitado por Kalandula, e a Oeste pela a província do Uíge. A sua superfície territorial e de 7.560 quilómetros quadrados.

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