Províncias

Fábrica transforma açúcar em álcool e energia térmica

André da Costa | Malange

Dentro de um ano, o país vai começar a produzir açúcar, álcool e energia térmica, a partir da Companhia de Bioenergia de Angola (BIOCOM), localizada no município de Cacuso, província de Malange.

Dentro de um ano, o país vai começar a produzir açúcar, álcool e energia térmica, a partir da Companhia de Bioenergia de Angola (BIOCOM), localizada no município de Cacuso, província de Malange. Avaliado em 300 milhões de dólares, o projecto, de iniciativa público/privada, garante emprego a centenas de jovens residentes na sede provincial de Malange e no município de Cacuso e vai produzir mais de quatro milhões de toneladas de açúcar por ano. O projecto começa a funcionar em Setembro do próximo ano.
A principal matéria-prima para que a BIOCOM produza energia, açúcar e álcool é a cana-de-açúcar. Por essa razão, existe uma área de seis mil hectares onde está plantada cana-de-açúcar. Diariamente, máquinas e homens trabalham no aumento da produção desta matéria-prima. A intenção da empresa é alargar o cultivo de cana a uma área de 32 mil hectares.
O engenheiro químico Júlio César Jovanete, gerente industrial da Companhia, explica que o projecto prevê moer dois milhões de toneladas de cana-de-açúcar, que vão resultar na produção de 4,3 milhões de sacos de açúcar de 50 quilos, 33 milhões de litros de álcool por ano, e gerar 143 gigawatts de energia térmica por hora.   
A montagem dos equipamentos conta com um grupo de trabalho de 450 funcionários brasileiros e 350 nacionais. Até ao final do projecto, a BIOCOM conta empregar mais de 1.500 trabalhadores em várias áreas, desde os campos agrícolas, até à produção e fabrico dos produtos.
Actualmente, estão a ser montados a máquina difusora para extracção do caldo da cana-de-açúcar, a caldeira, aparelho de aquecimento da palha de cana, material para secagem do bagaço, duas caldeiras de 150 toneladas, três geradores, dos quais dois de 25 megawatts e um de 20.
O director de Administração e Finanças, António Carlos Carvalho, explica que a montagem da fábrica começou em 2008, mas, devido a questões técnicas, o projecto parou e só em Julho deste ano arrancou com um investimento superior a 300 milhões de dólares. “A nossa meta é que, até Setembro de 2013, atinjamos mais de mil trabalhadores, dos quais 97 por cento nacionais da região de Cacuso e Malange”, garante.
Até 2015, a previsão é aumentar o número de trabalhadores, passando para 1.500. A quantidade de energia é de 150 gigawatts que vão permitir iluminar a cidade de Malange. É a primeira fábrica de produção de açúcar em Angola, sendo um marco muito importante, que vai contribuir para a redução da importação de açúcar. “Futuramente, não vai haver mais necessidade de se importar açúcar, porque Angola vai produzir”, afirma com satisfação.
A BIOCOM iniciou um processo de treino e formação de técnicos angolanos em equipamentos agrícolas de última geração para o cultivo e preparação dos solos. Em Novembro, mais trabalhadores vão iniciar um ciclo de formação na área industrial.
Na porta principal das instalações da Companhia, centenas de pessoas aguardam, com todos os documentos na mão, na ânsia de realizarem os testes de aptidão para trabalharem. São maioritariamente jovens, com idades compreendidas entre os 20 e os 40 anos, de ambos os sexos.
Pedro Gaspar é técnico em segurança do trabalho na BIOCOM há três anos. Pedro é um dos 60 angolanos que frequentou uma acção formativa de três meses para operadores industriais, no Centro de Formação Tecnológica, em Luanda, ao qual se seguiu um outro curso no Brasil, em processo de cozimento de açúcar, durante cinco meses.
A segurança no trabalho consiste na prevenção de acidentes de trabalho, com o uso de materiais como capacetes de protecção, óculos de segurança, luvas, botas, metais, máscaras de soldadura, macacão e outros materiais de segurança, explica Pedro Gaspar. Um dos métodos usados na prevenção de acidentes de trabalho consiste numa palestra aos trabalhadores.
Os funcionários estão divididos pelas diferentes áreas da companhia. Uns labutam na área agrícola, outros na montagem dos equipamentos e controlo.
O trabalho conta com funcionários brasileiros, que passam aos técnicos angolanos a sua experiência no cultivo da cana-de-açúcar. Com o aumento do trabalho e expansão das equipas, houve também a necessidade de se aumentar o número de técnicos em segurança no trabalho para evitar acidentes.
Pedro Gaspar considera que a instalação da empresa vai ter um impacto muito grande junto das comunidades do município de Cacuso, através do seu desenvolvimento social, com a construção de escolas, hospitais, creches.
O técnico considera que a BIOCOM vai ser determinante para que Angola, num futuro próximo, deixe de importar açúcar, como acontece actualmente. 

Tempo

Multimédia