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Falta de camas na maternidade

Luísa Victoriano |Malanje

A Maternidade Provincial de Malanje, que funciona na área anexa ao Hospital Regional, está sem condições para responder à procura diária de mulheres grávidas. Em entrevista ao Jornal de Angola, o director, Eliseu Chimbangela, afirmou que a falta de espaço obriga a que numa cama fiquem três parturientes com os bebés.

Parturientes revezam-se nas camas da Maternidade que “rebenta pelas costuras”
Fotografia: Eduardo Cunha

A Maternidade Provincial de Malanje, que funciona na área anexa ao Hospital Regional, está sem condições para responder à procura diária de mulheres grávidas. Em entrevista ao Jornal de Angola, o director, Eliseu Chimbangela, afirmou que a falta de espaço obriga a que numa cama fiquem três parturientes com os bebés.
Eliseu Chimbangela disse que a Maternidade Provincial dispõe de 58 camas e recebe, em média, 13 a 20 mulheres, diariamente. Para inverter o actual quadro está em curso a construção de uma nova maternidade com cinco pisos, que vai ter capacidade de 150 camas.
Eliseu Chimbangela revelou que as obras de construção da nova maternidade começaram em Fevereiro de 2009, mas por falta de financiamento os trabalhos estão paralisados.
O director da Maternidade Provincial assegurou ainda que a instituição conta com mais de 50 técnicos especializados, entre médicos, enfermeiros, auxiliares de limpeza e vigilantes. 
Eliseu Chimbangela está preocupado com o número reduzido de especialistas colocados na Maternidade. Garantiu que já foram feitos contactos junto da Direcção Provincial dos Recursos Humanos para admissão de mais técnicos. Referiu ainda que a Maternidade Provincial necessita, sobretudo, de quadros que assegurem o funcionamento pleno da área de reanimação, tendo em conta o elevado número de doentes que saem do bloco operatório. 
 
Gravidez de adolescentes 
 
Eliseu Chimbangela informou que há um elevado número de adolescentes grávidas que acorrem à Maternidade para o serviço de parto. Revelou que das parturientes que a instituição recebe, o número maior é constituído por adolescentes com idades compreendidas entre os 13 e 17 anos.O responsável da instituição disse que a falta de educação sexual e de diálogo com os encarregados de educação está na base do aumento de gravidezes indesejadas entre adolescentes. Para a redução dos casos de gravidez na adolescência, disse ser necessário que a Direcção Provincial da Saúde reforce a equipa de educação para a saúde.
Acrescentou que as adolescentes em serviço de parto vão quase sempre para o bloco operatório por não terem os órgãos genitais suficientemente desenvolvidos.Eliseu Chimbangela precisou que as mulheres que engravidam antes dos 20 anos ficam quase sempre com problemas.
 Aproveitou a ocasião para apelar às adolescentes a prevenirem-se, abstendo-se do sexo ou a procurarem os serviço de planeamento familiar.
Eliseu Chimbangela chamou a atenção às mulheres grávidas para, na altura do parto, procurarem os serviços de saúde para não porem em risco as suas vidas e as dos seus bebés. “O parto realizado na Maternidade é seguro e rápido, ao passo que o parto feito em casa cria enormes dificuldades para a mãe e o bebé, tendo em conta as hemorragias e infecções que podem contrair durante o serviço de parto”, sustentou o director Eliseu Chimbangela.
 
Adolescentes no bloco
   
Relativamente às intervenções cirúrgicas, o director da Maternidade, Eliseu Chimbangela, disse que do primeiro ao terceiro trimestre registaram-se 531 cesarianas, na maioria dos casos a adolescentes, o que perfaz um total de 80 por cento dos casos. Durante o período em referência houve 3.563 partos por via normal. Registaram, ainda, 407 abortos.
A Maternidade registou igualmente 7.592 mulheres grávidas com diversas patologias. O paludismo foi a doença que mais frequentemente assolou as mulheres que estiveram internadas.
Foram feitas 987 consultas pós-parto, 540 de planeamento familiar, 437 de neonatologia, 2.440 exames de ecografia, 1.230 consultas de ginecologia, assim como 3.336 de obstetrícia. 
A Maternidades Provincial, para além de receber parturientes de Malanje, acolhe igualmente mulheres grávidas das regiões de Xá Muteba (Lunda-Norte) e de Mussende (Kwanza-Sul), por se encontrarem localizadas próximas da cidade de Malanje.
Eliseu Chimbangela garantiu que as mulheres vindas das outras províncias chegam com muitos problemas de saúde e algumas delas não resistem e acabam por falecer, dado que percorrem muitos quilómetros à procura de assistência médica.
A Maternidade Provincial de Malanje, para além da falta de camas, tem enormes problemas financeiros. O director disse à nossa reportagem que o orçamento atribuído é insuficiente para os gastos com as despesas.
Sobre os medicamentos, Eliseu Chimbangela diz que o número fornecido é insuficiente para o tratamento das pacientes.

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