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Falta de espaço na maternidade

Luísa Victoriano| Malanje

A maternidade provincial de Malanje, que funciona na área anexa ao hospital regional, não oferece condições apropriadas para responder à procura diária, disse, ao Jornal de Angola, o director provincial do estabelecimento.

Parte frontal das instalações da maternidade provincial de Malanje
Fotografia: Eduardo Cunha

 A maternidade provincial de Malanje, que funciona na área anexa ao hospital regional, não oferece condições apropriadas para responder à procura diária, disse, ao Jornal de Angola, o director provincial do estabelecimento.
Eliseu Chimbangela, afirmou que a falta de espaço obriga a que numa cama fiquem três parturientes com os bebés. A maternidade dispõe de 58 camas e recebe, em mediam, por dia, 13 a 20 mulheres.
Para inverter o actual quadro, frisou, está em curso a construção de uma nova maternidade, de cinco pisos, com capacidade para 150 camas. As obras começaram em Fevereiro, mas que por falta de financiamento, disse Chimbangela, os trabalhos estão paralisados. A maternidade tem mais de 50 técnicos especializados, entre médicos, enfermeiros, auxiliares de limpeza e vigilantes.
Eliseu Chimbangela mostrou-se preocupado com o número reduzido de especialistas colocados na maternidade e anunciou que já foram feitos contactos com a Direcção Provincial dos Recursos Humanos para admissão de mais técnicos.
A maternidade provincial, sublinhou, necessita, sobretudo, de quadros para assegurar a área de reanimação, tendo em conta o elevado número de doentes que saem do bloco operatório.

Mães adolescentes

O director provincial da maternidade mostrou-se, também, preocupado com elevado número de jovens, entre os 13 e 17 anos, que ocorrem à maternidade para serviço de parto. A falta de educação sexual, o diálogo com os encarregados de educação são, disse, factores que estão na base do aumento de gravidezes indesejadas por parte das jovens.
Eliseu Chimbangela frisou que, geralmente, as mulheres que engravidam antes dos 20 anos têm, depois, problemas de saúde.
O médico aconselhou as mulheres grávidas a aderirem aos serviços de saúde para não porem em risco as suas vidas e a dos bebés.
“O parto realizado na maternidade é um parto seguro e rápido, ao passo que o feito em casa cria enormes dificuldades à mãe e ao bebé”, sustentou.
 
Intervenções cirúrgicas
   
Relativamente às intervenções cirúrgicas, o director da maternidade disse que, este ano, até ao terceiro trimestre se registaram 531 cesarianas, na maioria em adolescentes.
No mesmo período, realizaram-se 3.563 partos por via normal, dos quais 238 resultaram em nados mortos, além de 407 abortos espontâneos e voluntários. A maternidade registou, igualmente, os casos de 7.592 mulheres grávidas com várias patologias, sendo o paludismo a mais frequente. No mesmo período, houve 987 consultas pós parto, 540 de planeamento familiar, 437 de neonatologia, 1.230 de ginecologia e 3.336 de obstetrícia e 2.440 ecografias. Registaram-se, ainda, seis casos de cólera. 
A maternidade provincial recebe parturientes de Malanje e das regiões de Chá-Muteba, (Lunda-Norte) e Mussende (Kwanza-Sul).
A maternidade provincial de Malanje debate-se com enormes problemas, sobretudo no aspecto financeiro. O director do estabelecimento disse, ao Jornal de Angola, que o orçamento atribuído não satisfaz os gastos das despesas da maternidade. Sobre os medicamentos, declarou que o número fornecido é insuficiente para o tratamento das pacientes.

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