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Falta de pontes isola populações do Luquembo

Venâncio Victor| Malange

Faltam pontes no município de Luquembo. Os habitantes das comunas de Cunga Palanca, Dombo, Quimbango e Capunda, a 210 quilómetros da cidade de Malange, estão há anos isolados da sede municipal e da província.

Por causa do mau estado das estradas e pontes a populacão é obrigada a deslocar-se às regiões ribeirinhas em canoas como esta
Fotografia: Eduardo Cunha

Faltam pontes no município de Luquembo. Os habitantes das comunas de Cunga Palanca, Dombo, Quimbango e Capunda, a 210 quilómetros da cidade de Malange, estão há anos isolados da sede municipal e da província.
Além das pontes, destruídas durante a guerra, o péssimo estado das estradas impede contactos com as aldeias vizinhas, facto que está a preocupar as autoridades municipais e provinciais. Sem recursos, as autoridades locais clamam por apoios do Governo Provincial face às dificuldades que a situação tem criado às populações.
A falta de uma ponte sobre o rio Luando, no Luquembo, obriga ao recurso a canoas feitas de troncos de árvores. Esta foi a realidade encontrada no passado fim-de-semana pela administradora municipal de Luquembo, Rosa André Lourenço, durante uma visita à comuna de Cunga Palanca e que visou a apresentação da administradora Luísa Malungo.
A administradora do Luquembo deixou sinais de esperança às populações, assegurando que  o executivo da província de Malange, liderado por Boaventura Cardoso, está informado da situação e vai apoiar a edificação de uma ponte sobre o rio Luando: "podem estar descansados que o Governo Provincial está a trabalhar para que esta e outras situações sejam resolvidas no mais curto espaço de tempo", garantiu.
A administradora municipal disse ainda que a falta de uma ponte sobre o rio Luando exclui as quatro comunas do Plano de Desenvolvimento Municipal (PDM). Rosa André referiu que a construção da ponte passa a ser uma prioridade do seu executivo, no âmbito do desenvolvimento sócio económico harmonioso da região.

Escoamento dos produtos

Enquanto a nova ponte não é instalada, a travessia sobre o rio Luando é feita em canoas. A administradora comunal de Cunga Palanca, Luísa Malaungo, disse que foram compradas chatas que vão facilitar a livre circulação de pessoas e bens na sua área de jurisdição, mas defendeu que tudo deve ser feito para a instalação de uma ponte e normalizar a situação na região. "Até porque as chatas não permitem o transporte de muita gente e de grandes quantidades de produtos agrícolas", referiu.
Luquembo é um município potencialmente agrícola e com fortes tradições no cultivo do arroz. A administradora defendeu que é preciso "trabalhar rápido" para ligar a região ao resto da província e do país. A caça e a pesca artesanal são também actividades do dia-a-dia da população do Luquembo, que aguarda com grande expectativa a instalação de uma ponte sobre o rio Luando.
O escoamento dos produtos do campo, de acordo com o director provincial da Estação de Desenvolvimento Agrário, Abreu Pedro, é feito com muitas dificuldades, sobretudo nas regiões de Quimbango, Capunda e Cunga Palanca, devido à falta de uma ponte sobre o rio Luando, mas também pelo mau estado das estradas: "as populações não conseguem levar as suas colheitas para os grandes centros de consumo". E recordou que muitos produtos  se estragam nas lavras.
Abreu Pedro destacou o apoio da Estação de Desenvolvimento Agrário a três mil famílias, com a distribuição de sementes e instrumentos de trabalho como enxadas e catanas. O município do Luquembo registou um aumento de produção na campanha agrícola 2008/2009 em função desse apoio e da regularidade das chuvas: "em Luquembo não se passa fome, temos muito que comer, mas precisamos que nos tirem daqui os produtos para termos mais rendimentos".
 
Sector da Educação
 
O sector da Educação no município do Luquembo tem falta de professores e escolas, assegurou à reportagem do Jornal de Angola o chefe da Repartição Municipal. De acordo com António de Oliveira, no presente ano lectivo estão matriculados 12.250 alunos da iniciação à oitava classe e está prevista a entrada em funcionamento no próximo ano lectivo da nona classe e do ensino médio.
António de Oliveira disse que quatro mil crianças em idade escolar estão fora do sistema normal de ensino devido à falta de escolas e professores. Luquembo tem um quadro docente de 200 professores, número considerado como irrisório, já que são necessários mais 100 novos docentes para a cobertura total do município.
António de Oliveira disse ainda que o sector da Educação em Luquembo precisa, no mínimo, de cinco novas escolas em cada comuna. No que toca à alfabetização, referiu que, durante o ano passado, foram matriculados 567 alunos. O processo regista uma maior adesão entre as mulheres, pois muitos homens, por vergonha, recusam-se a aprender a ler e escrever, sob o falso argumento da "idade avançada".
 
Saúde em dificuldades

 
As dificuldades no município do Luquembo não se ficam pela falta de pontes e pelo mau estado das estradas. A Saúde também vai mal. O sector conta com poucos enfermeiros nas quatro comunas. "O número é manifestamente insuficiente para fazer face ao grande fluxo de doentes que procuram os nossos serviços", realçou o responsável municipal.
Morais Nicolau defendeu o recrutamento de novos quadros para o sector, mas reconheceu que a solução do problema não depende apenas das instituições da Saúde provincial. Diz que o processo começa com o concurso público de ingresso, que é feito anualmente com base no plano nacional e dos recursos alocados pelo Orçamento Geral do Estado a cada província.
Admitiu que este ano não deve contar com novos técnicos, mas acredita que o orçamento do próximo ano vai melhorar substancialmente o quadro clínico da região.
Revelou que as patologias mais frequentes em Luquembo são o paludismo, as diarreias e as doenças respiratórias agudas. Apontou ainda a falta de uma ponte sobre o rio Luando como factor que tem inviabilizado a evacuação de doentes graves para a sede capital da província.
"Alguns doentes acabam por morrer porque não chegam a tempo de receber o devido tratamento em hospitais especializados, que se encontram na cidade de Malange", referiu Morais Nicolau. 
O município do Luquembo pertence à região do Songo de Malange, de que fazem também parte os municípios de Quirima e Kambundi Katembo, com forte potencial agrícola e turístico.

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