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Faltam medicamentos e médicos ao Hospital

Armando Sapalo/Cuango

O Hospital Municipal do Cuango, na província da Lunda-Norte, inaugurado em Agosto do ano passado, está mergulhado numa crise sem precedentes, marcada por falta de médicos e de assistência medicamentosa, situação que levou o governador provincial, Ernesto Muangala a visitar o local. 

Ernesto Muangala encabeçou uma delegação do seu elenco que visitou várias unidades hospitalares na província
Fotografia: Armando Sapalo | Edições Novembro

O hospital está a funcionar sem o Banco de Urgência  por falta de técnicos para atender a demanda de pacientes. Ao visitar o estabelecimento, Ernesto Muangala, que se mostrou agastado com a situação, considerando-a de “ extremamente preocupante e comprometedora”, numa altura em que a população local está a ser assolada por malária.
 Segundo o governador que escusou atribuir a responsabilidade desta anormalidade a qualquer entidade, disse não compreender que numa circunscrição, como a do Cuango, “tida como endémica”, o hospital com capacidade para 100 camas, tenha apenas uma criança internada, e os serviços de consulta externa serem feitos fora dos padrões recomendados.
“O hospital tem  apenas uma criança internada. Nas outras enfermarias não há pacientes. Atendendo à extensão territorial do Cuango, uma zona endémica, pressupõe -se que as coisas estão erradas”, disse Ernesto Muangala que na ocasião entregou um lote de medicamentos ao hospital.
“Este hospital”, detalhou o governador, “foi dotado com uma diversidade de serviços essenciais e equipamentos médicos. Portanto, temos aqui um  monstro subaproveitado”. 
Em face desta crise, os doentes que acorrem ao hospital são observados  pelo director da instituição, um especialista em Estomatologia, que até há pouco tempo  desempenhava unicamente funções administrativas, facto contrariado pelo  governador  que  alega tratar-se de “atropelo às ciências médicas”.
Ernesto Muangala disse que está insatisfeito com o desempenho do sector da Saúde no município do Cuango, “pois aquando da inauguração e entrega das chaves do hospital, a situação da falta de pessoal tinha sido acautelada”. Disse ainda, que em Dezembro do ano passado, quando se verificou o aumento de casos de malária na localidade de Cafunfu, baixou orientações à Administração Municipal do Cuango, para que em coordenação com o Gabinete Provincial da Saúde, resolvesse a questão do enquadramento de técnicos para o hospital.
O governador disse, entretanto,  que diante desta situação voltou a dar recomendações,  tendo orientado a transferência de três dos cinco médicos do hospital de Cafunfo, uma unidade de média dimensão, para o Hospital Geral do Cuango.

Complexo hospitalar
O governador anunciou a criação de um complexo hospitalar no Cuango “para dinamizar o funcionamento do hospital e melhorar a assistência à população local”. Nesta senda, segundo Ernesto Muangala, o Hospital Regional do Cafunfo, vai ser acoplado ao Hospital Municipal do Cuango, com o redimensionamento dos departamentos hospitalares em uma única direcção.
“A nossa estratégia visa a criação de um complexo hospitalar. A sede do município é aqui no Cuango, onde construímos este hospital para acudir também casos dos municípios vizinhos do Caungula e Xá-Muteba, e de eventuais acidentes ao longo da Estrada Nacional 225”, explicou.
 O hospital Geral do Cuango, segundo o governador, ainda não tem orçamento  próprio, uma situação que deve ser resolvida a partir do próximo ano.  “Enquanto aguardamos que o Ministério das Finanças resolva este problema, vamos criar o complexo hospitalar do Cuango que vai beneficiar também dos recursos financeiros do Hospital Regional do Cafunfo, avaliados em 20 milhões de kwanzas por mês. Estamos em crer que esta estratégia  vai garantir o pleno funcionamento da principal unidade sanitária do município do Cuango”, adiantou.
 O município do Cuango, segundo ainda o governador, tem um médico cirurgião que funciona num centro que não possui bloco operatório, nem sala de parto. “Por esta razão este médico vai ser transferido para o hospital geral onde tem  bloco operatório e duas salas de parto devidamente equipadas com meios modernos”, informou.
As parteiras tradicionais fazem todos os serviços de partos registados no município do Cuango, pois o sector da maternidade do hospital não funciona.

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