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Hoteleiros querem maior aposta no sector turístico

Venâncio Victor |

 A hotelaria representa um sector vital para qualquer sociedade.

Palácio Regina é umas das unidades hoteleiras de referência da província de Malanje e tem acolhido muitos turistas que se deslocam a esta região do Nordeste do país fundamentalmente nos fins-de-semana
Fotografia: Dombele Bernardo

 A hotelaria representa um sector vital para qualquer sociedade. Em Malanje, as acções para o desenvolvimento do sector quase não se fazem sentir. Por essa razão, os gestores hoteleiros defendem maior aposta no turismo, a chamada “indústria da paz”, para que o pássaro da sorte não lhes escape das mãos e os negócios prosperem.  
Numa ronda feita a duas das unidades hoteleiras da província, o Jornal de Angola obteve o parecer de dois dos gestores destas que se confrontam com muitas dificuldades para a aquisição dos principais produtos nacionais, devido a alta de preços praticados.
Victor Neves, gerente do Hotel Palácio Regina, localizado no centro da cidade de Malanje, referiu ao nosso jornal que face a esta situação a alternativa têm sido os produtos importados, principalmente do Brasil,
Estes, segundo o responsável, são comercializados em Luanda a preços mais baixos do que os produtos nacionais. “Esta situação tem inviabilizado a comercialização e consequente a valorização dos produtos locais”, disse. Na óptica do gerente do Hotel Palácio Regina, a alta de preços dos produtos nacionais na região dificulta a diversificação da dieta alimentar nas diferentes instituições hoteleiras. Para inverter o quadro defende-se a necessidade premente da competitividade entre os produtores nacionais relativamente a diversificação dos preços praticados.
“A competitividade é um factor de desenvolvimento. É um aspecto saudável para o consumidor que é autónomo nas suas opções.
 Outro problema que interfere no desenvolvimento da rede hoteleira tem a ver com o fraco desenvolvimento do turismo. Isso tem restringido as visitas de estrangeiros aos fins-de-semana e em épocas festivas da província”, disse.
Paulo Stop, proprietário do Hotel Kigima, alinha no mesmo diapasão que Victor Neves, do Palácio Regina. Na sua óptica, as dificuldades por que passa o sector hoteleiro em Malanje estão associadas à falta de bens e serviços nos locais turísticos.
O interlocutor do Jornal de Angola refere que a sua experiêcia na gestão hoteleira “tem quase os mesmos anos da Independência Nacional”, assinalada a 11 de Novembro de 1975. Em relação ao Hotel Kigima, sublinha o facto de esta unidade ter sido arrazada em três ocasiões, durante o conflito armado no país, que durou cerca de 30 anos.
Nessa unidade, igualmente localizada no centro da cidade de Malanje, a procura aumenta mais em dias festivos ou de grandes eventos culturais.
“Em dias normais há pouco afluência de turistas. Há ocasiões em que contamos aos dedos o número de clientes que recebemos”, sublinha Paulo Stop.

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