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Jovens de Malange estudam em Angola e nas universidades estrangeiras

Francisco Curihingana | Malange

O ingresso de jovens nos cursos superiores depois de terminada a formação média, particularmente no interior do País, tem sido muito difícil.

O ingresso de jovens nos cursos superiores depois de terminada a formação média, particularmente no interior do País, tem sido muito difícil.
Muitos jovens de Malange têm de emigrar para as províncias do Kuanza-Norte, Uíge e Luanda onde existem mais opções para obter formação superior. Mas dezenas de estudantes que concluíram o ensino médio conseguiram ingressar em escolas superiores noutras províncias e no estrangeiro, apoiados por uma empresa privada.
O Grupo MIAMOP está a formar 100 jovens em diversas universidades do país e do estrangeiro em Direito, Economia, Gestão Empresarial, Hotelaria, Arquitectura, Medicina e Agronomia.
Os jovens contemplados são funcionários da empresa e filhos ou familiares próximos dos funcionários do grupo. Muitos já estão a terminar a formação para servirem os interesses da empresa e do país. Petra Carinhas está a fazer o quarto ano de Economia e Gestão. Está feliz com a oportunidade que lhe foi dada para fazer estudos superiores. Disse à nossa reportagem que “no país há poucas oportunidades de ingressar em universidades privadas. Também não existem muitas pessoas como sensibilidade para ajudar estudantes sem capacidade financeira para fazer os seus estudos. Eu, graças a Deus, tive no meu caminho um grupo empresarial que está a cuidar da minha formação, não sei como agradecer”, disse visivelmente satisfeita.
Júlia Cambo é outra jovem que está no segundo ano, no curso de Gestão Empresarial na Universidade Lusíada. Disse que a formação naquela escola superior é excelente e afirmou que está a fazer todos os esforços ao seu alcance para aproveitar da melhor maneira possível esta oportunidade que muitos não encontram. “A melhor maneira de retribuir este gesto é a minha aplicação aos estudos porque uma oportunidade como esta não aparece todos os dias na nossa vida”, realçou Júlia Cambo.

Aposta no homem

Daniel Malungo está no quarto ano da licenciatura em Economia na Universidade Lusíada.
Saudou a iniciativa do Grupo Miamop e disse que “gostava que os outros empresários seguissem este exemplo e não pensarem só nos rendimentos mas sim no homem que é o garante de desenvolvimento da sociedade”, assegurou.
Referiu que depois da guerra que o aís viveu, é necessário apostar na formação do homem nas diferentes especialidades porque, “só assim teremos um país desenvolvido”.
Jandira Baptista está no terceiro ano e a formar-se em Geografia e Planeamento Regional em Portugal com o apoio do Grupo Miamop. Assegurou que depois de terminar a formação vai dar o seu contributo ao país, já que “o mercado europeu está muito saturado e em África há mais perspectivas de futuro”, disse.
Louvou a iniciativa do Grupo Miamop virada para a qualificação de jovens que vão contribuir para o desenvolvimento do país nas mais variadas vertentes.

Investir na juventude

De acordo com o mentor do projecto, o empresário Monteiro Pinto Capunga, a iniciativa da formação de jovens, surgiu no quadro das necessidades da aposta dos investimentos que o Grupo Miamop está a fazer. “Temos tido muitas dificuldades em encontrar mão-de-obra qualificada e há seis anos tivemos essa ideia, visando potenciar tecnicamente o sector com quadros capazes e competentes.
Monteiro Pinto Capunga disse que entre os jovens que estão a ser formados com bolsas do Grupo Miamo, neste momento, muitos já estão a terminar os seus cursos: “mas eles não vão servir apenas os interesses do Grupo Miamop, de uma forma geral vão contribuir para o desenvolvimento e crescimento do país”, referiu.
A aposta do grupo é continuar com o projecto de formação que pretende atingir um total de 400 jovens formados em diversas áreas do saber, informou Monteiro Pinto Capunga. Neste momento, seis estudantes estão a terminar as licenciaturas em Economia, Gestão Empresarial e Direito.
Monteiro Pinto Capunga assegurou que estão em formação na Inglaterra12 bolseiros, 19 no Brasil e três em Portugal, para além dos que estudam nas diferentes universidades angolanas.
Ao considerar o crescimento do grupo, Monteiro Capunga disse que a formação dos jovens vai garantir a protecção dos investimentos, pelo que pensa alargar as bolsas a alunos das áreas do Direito e dos Recursos Humanos.  

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