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Mecanagro traça novas estratégias de actuação

Francisco Curihingana| Malange

O plano estratégico 2014-2017 da Empresa Nacional de Mecanização Agrícola (MECANAGRO) estabelece como metas o aumento de áreas de cultivo de cereais, leguminosas, raízes e tubérculos, na ordem de 3,5 milhões de hectares.

Os camponeses vão ter à disposição mais terras preparadas de forma mecanizada para poderem aumentar a produção
Fotografia: Daniel Benjamim

De acordo com o presidente do conselho de administração da Empresa Nacional de Mecanização Agrícola, Carlos Alberto Jaime, que discursava na quarta-feira na abertura do 14º conselho de direcção alargado da instituição, na Fazenda Pedras Negras, no município de Cacuso, em Malanje, estas metas devem ter uma contribuição, em mecanização agrícola, de pelo menos dez por cento da área total, o que corresponde, até 2017, a 350 mil hectares, com recurso a motomecanização.
Vai ser necessário realizar anualmente 125 mil hectares mecanizados em fazendas agrícolas, em regime de intensificação agrícola, incluindo o uso de culturas irrigadas, principalmente cereais e leguminosas, para fazer face às necessidades da produção pecuária no país.
Carlos Alberto Jaime considera necessária a reestruturação da Mecanagro-E.P. no plano organizativo e a definição de parcerias tecnológicas e de gestão para um plano de investimentos e de reequipamento do seu parque de máquinas, passando pela aquisição de novos equipamentos agrícolas e de terraplanagem, e por um programa de requalificação, formação e recrutamento de pessoal qualificado.
Para o presidente do conselho de administração da Mecanagro, o índice de motomecanização em Angola é de um tractor para 349 hectares, quando a média mundial é de um para 56 hectares.
A isto junta-se o baixo índice de produtividade por hectare em cada cultura, por falta de sementes de grande rendimento e de fertilizantes, solos bastante ácidos com a inexistência de pesticidas, baixo conhecimento dos agricultores e outros factores que desincentivam o ambiente produtivo agrícola.
Neste último caso destacam-se o crédito, o seguro agrícola e as políticas de fomento para atracção de produtores agrícolas, como a execução de infra-estruturas básicas, desmatação de terrenos, parcelamento de terras, infra-estruturas de captação de água, vias secundárias e terciárias, infra-estruturas de comercialização e armazenamento, produção local de sementes e distribuição massiva de fertilizantes.

Estrutura orgânica


Carlos Alberto Jaime questionou se vale a pena insistir na existência de três direcções regionais e continuar a sustentar as direcções provinciais da Mecanagro-E.P, em quase todas as províncias sem viabilidade económica e da sustentação da força de trabalho excedentária sem resultados no exercício anual da empresa.
Actualmente, a empresa possui uma força de trabalho de quase mil trabalhadores, com um fundo de salários anual de 840 milhões de kwanzas, o que, em sua opinião, se “torna insustentável”, atendendo à degradação paulatina do parque de máquinas da Mecanagro e da sua estrutura orgânica.
Para ultrapassar esta situação, considera ser necessário rever urgentemente “a estrutura funcional do Departamento de Mecanização, com a criação de Brigadas Especiais de Engenharia Rural, fundindo os seus interesses numa estrutura única, de preparação mecanizada de terras e de trabalhos de hidráulica agrícola e terraplanagem”.
No capítulo de assistência técnica, disse haver a necessidade de melhorar o aproveitamento das infra-estruturas oficinais existentes na Direcção-Geral e Direcções Regionais, na busca de parcerias e de uma gestão competente para a reparação de equipamentos multimarcas e viaturas de todo o tipo, com vista à rentabilidade da empresa.

Gestão moderna

De acordo com o presidente da Mecanagro-E.P., os enormes desafios da gestão moderna obrigam a encontrar soluções adequadas para a resolução dos problemas de todos os trabalhadores no dia-a-dia.
Às direcções regionais e provinciais, pediu a apresentação de Planos de Negócios e de Orçamento Anual, assim como o Contrato Programa de cada região ou província, no âmbito da preparação mecanizada das terras, terraplanagens de vias secundárias e terciárias e a avaliação da força de trabalho antes do início do ano agrícola 2014-2015.
O vice-governador de Malanje para o sector Político e Social, Manuel Campo, destacou a importância da Mecanagro na prestação de serviços no sector agrário e na preparação de terras, contribuindo de forma positiva na produção, para combater a fome e a pobreza.
Os participantes na reunião fizeram a análise financeira da empresa, da força de trabalho e proposta da sua redução, além da preparação de terras no ano agrícola prestes a começar. Informações sobre o seminário, boas práticas de tesouraria e gestão contabilística moderna, e o plano de negócios e de investimentos para 2015-2017 foram dadas no decurso dos trabalhos.

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