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Mulheres dão força no combate ao fogo

Sérgio Vieira Dias | Malange

Quando o amor e a dedicação são colocados em primeiro plano isso parece servir de estímulo ao brio com que se exerce qualquer actividade profissional. Pelo menos é essa a ideia avançada por Branca Francisca da Costa, Cristina Henriques Quipungo e Paulina Abreu, três jovens que exercem a profissão de bombeiras sapadoras em Malange.

Branca da Costa
Fotografia: Eduardo da Cunha

Branca Francisco da Costa começou por contar que ao longo dos quase três anos em que tem trabalhado como bombeira sapadora, ainda não sentiu qualquer preconceito no exercício dessa actividade.
De 24 anos, admite que “nunca teve qualquer receio” no desempenho da profissão. “Exerço-a com amor e gosto, apesar dos riscos por que passamos em muitas situações”, diz Branca da Costa.
Para acautelar as contrariedades decorrentes da profissão, Branca realça que se deve ter todas as cautelas nesta árdua missão que tem como objectivo fundamental a extinção de incêndios e o resgate de pessoas em perigo de vida.

 O apoio da família
 
“Nós aprendemos e sabemos como nos defender perante um incêndio. Por isso, não sinto qualquer problema em exercer a minha actividade, sobretudo porque gosto”, adianta a jovem bombeira que, desde o início, recebeu grande apoio da família e sobretudo do marido.
Discordando das opiniões que consideram tratar-se de uma profissão mais adequada aos homens devido aos riscos que a rodeiam, afirma ser “daquelas pessoas que pensam, e sempre assim pensei, que qualquer actividade exercida pelos homens também pode sê-lo pelas mulheres”.
Formada na Polícia de Intervenção Rápida (PIR), em Malange, Branca da Costa recorda que a nível dos serviços de bombeiros, como acontece em qualquer outra profissão, “não se descartam contrariedades”. Porém, afirma, “foi possível superar todas as dificuldades iniciais” com o auxílio de companheiros de ofício. Em relação ao desempenho da actividade dos bombeiros em Malange, admite ser positiva, pela entrega dos efectivos da corporação, como faz questão de assinalar. “Penso que estamos no bom caminho”, diz.
 
Cooperação entre todos no exercício da actividade
 
 À semelhança de Branca, também Cristina Henriques Quipungo exerce a actividade de bombeira há três anos. A jovem sapadora, de 28 anos, recorda que a cooperação no exercício da actividade é fundamental, “porque só assim” - conta ela - “se torna possível superar as dificuldades que vão surgindo”. Refere também que nunca enfrentou qualquer situação de extrema delicadeza desde que presta serviço nesta área. “Como mulher procuro entregar-me ao máximo a esta actividade, dando o melhor de mim, procurando cumprir à risca com a experiência que trago da minha formação e, sobretudo, cooperando com os companheiros de ofício que desempenham há mais tempo a profissão”, disse.
Segundo ela, esta cooperação existente no seio do efectivo é que faz com que o seu desempenho se torne mais eficiente. “Quando surge um erro de um dos elementos do grupo, alguém surge automaticamente para superar a falha. Já senti grandes dificuldades em várias tarefas que realizei de extinção de fogos e de resgate mas, felizmente, com o apoio dos colegas foi possível superar todas as adversidades por que passei ao longo destes três anos de actividade. É nesse espírito que nós desempenhamos a profissão de bombeiro”, justifica, admitindo ter recebido igualmente um grande apoio do marido quando decidiu entrar para a profissão.

 Constrangimentos ao abraçar a profissão
 
Paulina Abreu é outra jovem bombeira que acedeu a falar com a reportagem do Jornal de Angola e confessou que os seus pais se mostraram um tanto ao quanto constrangidos quando decidiu abraçar a profissão de bombeira. Mas, depois, esclarece a jovem de 21 anos, “acabaram por compreender que era uma actividade que eu fazia por amor”. “Assim, hoje dou o meu contributo neste ramo do Ministério do Interior por amor e sem qualquer preconceito de que a actividade que exerço se ajusta mais ao género masculino”. Paulina reafirma que a profissão se adequa perfeitamente ao género feminino. “Penso que não existem actividades específicas para os homens ou para as mulheres. Todas as actividades que os homens exercem, as mulheres também as podem exercer e, se calhar, em muitos casos, são melhor sucedidas. Todas as profissões se encaixam bem desde que uma pessoa se sinta apta para o fazer e, acima de tudo, se a realiza com amor”, diz Paulina.
De resto, a jovem bombeira recorda que no começo da sua actividade as coisas eram um pouco complicadas, mas mesmo assim foi possível ultrapassar essa fase. “No princípio encarava tudo de maneira um bocado complicada. Mas depois, graças a Deus, o enquadramento foi sendo feito de forma faseada e hoje encaro a minha actividade com a maior naturalidade”, disse Paulina Abreu, acrescentando que “foi possível amadurecer bastante ao longo destes anos, devido ao espírito de equipa existente entre os companheiros” e por os responsáveis dos serviços de bombeiros com os quais trabalha se mostrarem sempre disponíveis para ajudarem nesta e naquela dificuldade que se apresenta”.

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