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Mulheres malanjinas continuam na linha da frente

Luísa Victoriano| Malanje

As mulheres na província de Malanje estão a apostar cada vez mais em vários negócios, com a criação de micro e pequenas empresas. Facto que está a contribuir  para o desenvolvimento da província, nomeadamente a criação de novos postos de trabalho para os jovens, assim como a melhoria das condições de vida das suas próprias famílias.

Mulheres continuam firmes na busca de afirmação na sociedade em particular na área do empreendedorismo demonstrando a sua capacidade
Fotografia: Eduardo Pedro|EDIÇÕES NOVEMBRO

A nossa reportagem constatou que, em vários pontos da cidade de Malanje, muitas mulheres continuam a dar  o seu melhor, na perspectiva de se auto-afirmarem no mundo empresarial, através dos seus pequenos negócios.
Nos últimos anos, na província de Malanje, registou-se um significativo aumento do número de mulheres a explorarem o seu próprio negócio, criando um segmento do auto-emprego que, na nossa sociedade, constitui a forma mais expressiva de sobrevivência que se conhece, num país que viveu uma guerra que deitou por terra boa parte da sua base de sustentação económica. Durante o conflito de 27 anos, se perderam muitas vidas o que levou  a mulher a assumir o papel de liderança nas questões de sobrevivência da família.
Não estando alheia às oportunidades que o mercado oferece, a mulher está hoje presente nos ramos da hotelaria e turismo, boutiques, mobiliário e salões de beleza.
A  empresária, Ana José “Seja”, que exerce igualmente o cargo de  presidente da Associação das Mulheres Empresárias, na província de Malanje (Assomeje), está ligada ao ramo da  hotelaria e turismo e decoração, dentre outros serviços. Ana José disse que a ideia surgiu desde os seus 18 anos, com um projecto de confecção de alimentos na residência dos seus pais, com entrega ao domicílio e promoção de eventos, com fundos próprios.
Presentemente, a empresária tem uma empresa de renome, com o seu esposo, José Manuel, com sede em Malanje e filiais nas províncias do  Uíge, Luanda e Cuanza Norte. Garantiu que o desafio é trabalhar cada vez mais e contribuir para o crescimento da empresa.
Segundo Ana José,  a mulher angolana, durante muitos anos, lutou e continua firme na busca da sua afirmação na sociedade, em particular na área do empreendedorismo, demonstrando que é capaz de desenvolver várias actividades para engrandecer o país, apesar de vários constrangimentos encontrados, sobretudo na questão financeira. Ana José  realçou que muitas mulheres têm vontade de investir em diversos ramos, mas não passam da boa intenção. Todavia, a  falta de financiamento junto das instituições bancárias sediadas na região de Malanje tem dificultado o crescimento das empresas. Para verem os seus sonhos realizados, muitas delas são obrigadas a recorrer, como alternativa, à poupança informal, vulgo “kixiquila”, assim como ao empréstimo familiar. A empresária apontou também a falta de experiência e de formação na área do empreendedorismo e gestão de negócios, entre outros, como principais dificuldades que as mulheres enfrentam neste ramo do empreendedorismo.
Apelou às instituições bancárias no sentido de apoiarem financeiramente as empreendedoras e contribuírem para a redução do índice de pobreza e no combate à fome.
A empresária Ana José revelou, na ocasião, que a sua empresa vai apostar no presente ano, no sector agrícola e agro-pecuário, visando diversificar os seus serviços e criar novos postos de trabalho para os jovens.
Outra mulher que apostou igualmente no sector de empreendedorismo é a empresária Telma Fashion, que se destacou nas áreas da restauração,  salão de beleza, boutique e massagem.
A empresária afirmou que a instalação do empreendimento na província de Malanje está a contribuir para o desenvolvimento da terra que a viu nascer, permitindo emprego a muitos jovens.
Para o desenvolvimento da sua actividade comercial, a empresária afirmou que tem contado com o apoio financeiro de instituições bancárias sediadas na província de Malanje.
Ana José salientou que, para a edificação do novo edifício inaugurado recentemente na cidade de Malanje, contou com apoio do Banco BIR, que disponibilizou 25 milhões de kwanzas.

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