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Mulheres transportam e vendem água para dar de comer aos filhos e parentes

Francisco Curihingana e Holávio Fernandes | Malange

As previsões meteorológicas apontavam para dia quente, mas o sol parecia preguiçoso, escondendo-se entre as nuvens para desalento das mulheres que se dedicam ao negócio da venda de água fresca.

Zungueiras de água consertando ideias no começo de mais um dia de trabalho
Fotografia: Eduardo da Cunha

As previsões meteorológicas apontavam para dia quente, mas o sol parecia preguiçoso, escondendo-se entre as nuvens para desalento das mulheres que se dedicam ao negócio da venda de água fresca.
Até bem perto das 10h00, as vendas estavam comprometidas, pois o sol teimava em não aparecer, como habitualmente, logo de manhãzinha, originando altas temperaturas que obrigam as pessoas a recorrer à água fresca.
Enquanto esperam pelos clientes, em casa, filhos e, nalguns casos, maridos desempregados, aguardam pelos lucros das vendas dos saquinhos de água, que lhes vai garantir as refeições do dia.
Em Malange, há numerosas famílias a depender da venda e do transporte de água para outras casas. A actividade é exercida, quase sempre, por mulheres e crianças.
Marisa Francisco, mãe de dois filhos, é uma dessas mulheres. Acarretar água, frisou, ao Jornal de Angola, é desgastante, principalmente quando o destino é o apartamento num prédio alto e as escadas o único caminho para lá chegar.
“O que ganhamos não chega para sustentar a família, mas pior é quando voltamos para casa sem ter feito nenhum negócio”, lamentou-se.
Um bidão de 20 litros é vendido entre cem e 150 kwanzas. Este último preço é aplicado quando a água é acarretada para fora da cidade. Num dia bom, uma mulher pode ganhar mil kwanzas.
Quando a água é acarretada para empresas privadas ou serviços públicos, os preços sobem, confirmou Domingas Cardoso Gonga, mãe de quatro filhos e separada do marido. O facto de boa parte das casas da cidade de Malange disporem de água corrente complica a vida das vendedoras.
Margarida André, além de vender água, lava e engoma roupa. Forma que encontrou de ter mais alguns kwanzas para aconchegar os estômagos de três filhos.
Muitas destas mulheres vêem na concessão do micro-crédito forma de minimizar as dificuldades em que vivem.
Por isso, pensam organizar-se para, em conjunto, pedirem ajuda bancária, pois todas elas, garantem, têm potencialidades para fazer pequenos negócios.
Desconhecedoras dessas coisas de empréstimos bancários e requerimentos, tencionam recorrer à Direcção Provincial do Ministério da Família e Promoção da Mulher. Até lá continuam acarretar bidões, prédio acima, prédio abaixo, a calcorrear ruas e caminhos, a vender sacos de água frescas, a saciar a sede alheia.

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