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Município do Luquembo reergue-se das cinzas

Francisco Curihingana|Malange

Arroz, mandioca, milho, ginguba e batata-doce são alguns dos produtos que se cultivam no município do Luquembo, província de Malange, região potencialmente agrícola, onde os cerca de 48 mil habitantes se dedicam também à pesca artesanal. Um dos maiores da província de Malange, para além da comuna sede conta com mais cinco, nomeadamente Rimba, Dombo a Zanga, Kapunda, Kimbango e Kunga Palanga.

Boaventura Cardoso, governador da província de Malange
Fotografia: Eduardo Cunha

 
Arroz, mandioca, milho, ginguba e batata-doce são alguns dos produtos que se cultivam no município do Luquembo, província de Malange, região potencialmente agrícola, onde os cerca de 48 mil habitantes se dedicam também à pesca artesanal. Um dos maiores da província de Malange, para além da comuna sede conta com mais cinco, nomeadamente Rimba, Dombo a Zanga, Kapunda, Kimbango e Kunga Palanga.

Localizada a Leste da capital provincial, a uma distância de 275 quilómetros, Luquembo
conta com a Reserva Integral do Luando, localizada na comuna do Kimbango, localidade próxima do Parque Nacional de Kangandala que acolhe a Palanca Negra Gigante. A guerra, que já faz parte do passado, deixou uma herança pesada para o município. A maior parte das infra-estruturas foram destruídas. O administrador municipal adjunto, João Tutu Magikigiki, afirma que para se inverter o quadro o governo conta com a força de vontade dos munícipes.
“O que contrariava as nossa intenções era a ponte sobre o rio Jombo. Porém, com a conclusão das obras, em Agosto de 2008, e o arranjo da estrada, as coisas conheceram uma nova dinâmica”, diz o administrador, acrescentado que “se antes os produtos eram carregados à cabeça, hoje a realidade é outra e isso pode traduzir sinais de desenvolvimento e mudança”.
Fruto da vontade da população e das entidades locais em mudar a imagem da região, João Tutu Magikigiki diz que são visíveis, na sede municipal, algumas obras que, apesar de improvisadas, dão um colorido diferente.
“As coisas não vão parar por aqui. O Fundo de Apoio de Gestão Municipal é a grande tábua de salvação para resolver os problemas do município”, afirma. Sem esconder a satisfação por essa medida bem sucedida do governo, adianta que ela “vai ajudar a resolver os problemas que vivemos no município, nomeadamente a construção de escolas, postos de saúde e outras infra-estruturas sociais, para melhorar o nível de vida das populações”.

Infra-estruturas sociais

No município do Luquembo já foi identificada uma área onde vão ser construídas infra-estruturas sociais e económicas.
João Magikigiki lamenta o facto de o programa não poder abranger toda a extensão municipal, pelo facto de as comunas de Kapenda, Kunga Palanga e Dombo a Zanga viverem ainda problemas relacionados com a circulação. “As estradas que dão acesso às referidas localidades encontram-se em péssimas condições e aguarda-se por uma intervenção dos órgãos centrais do Estado para permitir a resolução dos problemas que as populações locais atravessam”.
 
Falta de professores
 
No município do Luquembo encontram-se matriculados 9.276 alunos e, por falta de professores e salas de aula, oito mil crianças encontram-se fora do sistema normal de ensino.
O administrador municipal adjunto diz serem necessários mais 250 professores para o ensino primário e 50 com o nível médio de escolaridade, para assegurar o primeiro ciclo de ensino.
 
Saúde
 
No domínio da Saúde, os problemas são semelhantes aos do sector da Educação. O município, que conta apenas com 17 técnicos básicos que garantem a assistência médica à população, precisa de médicos e de mais infra-estruturas hospitalares.
A administração local pede a intervenção do Ministério da Saúde para elevar o número de técnicos no município, particularmente de nível médio e superior, para corresponderem à procura.
O paludismo, doenças diarreicas agudas, entre outras, preenchem o gráfico das enfermidades que mais assolam a região.
 
Nova administradora
 
Luquembo conta com uma nova administradora municipal, recentemente nomeada pelo governador Boaventura Cardoso. Trata-se de Rosa André Lourenço, apresentada sábado último pelo chefe do executivo de Malange. É a segunda mulher à qual, a nível da província de Malange, é confiada a direcção dos destinos de um município.
Boaventura Cardoso assegurou que “nós apostamos no género feminino, as mulheres têm os mesmos direitos que os homens”.
Apesar de reconhecer os enormes problemas que o município apresenta, afirmou-se confiante nas “capacidades, dinamismo e competência” da nova administradora municipal.
Referindo-se às infra-estruturas, anunciou a construção de hospitais em todas as sedes municipais da província e de mais escolas, para permitir que todas as crianças possam estudar e garantir um futuro melhor para o país.
A reabilitação das infra-estruturas, incluindo as estradas secundárias e terciárias, para permitir a livre circulação de pessoas e bens por todo o território da província e evidenciar as trocas comerciais, foi referida como prioritária, durante um acto popular que serviu para a apresentação da nova administradora municipal do Luquembo. Boaventura Cardoso assegurou que o seu executivo já fez o levantamento de todas as estradas secundárias e terciárias da província com esse fim, o que vai permitir o desenvolvimento da região.
A concluir, o governador pediu às entidades tradicionais, jovens, mulheres e à população do Luquembo para colaborarem com a nova administradora municipal e assim permitirem um trabalho eficaz para o bem de todos. Apontou ainda a necessidade de se evitarem a calúnia e a intriga e se incentivar o diálogo na resolução de todos os problemas.
A nova administradora, Rosa André Lourenço, disse que vai ser necessário que todos trabalhem unidos para se resolverem os problemas.
“Falar pouco e trabalhar mais” é o slogan que, segundo afirmou, vai marcar a sua gestão enquanto servidora do Estado no município do Luquembo.
Durante o acto, foi apresentada uma outra mulher. Trata-se de Luísa João Francisco Fernandes Malungo, que vai administrar a comuna do Cunga Palanga, no mesmo município.

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