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O drama de quem procura laços familiares

SÉRGIO V. DIAS | Malange

Numa altura em que muito se debate a questão da agregação familiar o “Jornal de Angola” traz à estampa, na sua edição de hoje, 19 de Março, Dia do Pai, a história de dois jovens residentes em Malange, que procuram os parentes do lado paterno.

José Manaças quer encontrar os familiares
Fotografia: Eduardo da Cunha

José Avelino Manaças perdeu o pai em 1997 e anda à procura dos irmãos que residem em Luanda. Filho de Avelino Manaças e de Domingas Alfredo Daniel, o jovem, nascido a 20 de Outubro de 1985, na província de Malange, há muito procura os irmãos.
Josina Cândida Malacriz está ansiosa por localizar os familiares do lado paterno. Filha de mãe angolana e de pai português, conta que muito cedo ficou órfã de pai. Nascida no Lubango, a 6 de Novembro de 1974, espera deslocar-se um dia ao Alentejo, sul de Portugal, terra do seu progenitor, falecido nos anos 70, na Catumbela, onde estão depositados os seus restos mortais.
José Manaças e Josina Malacriz não escondem o anseio de localizar os parentes paternos. E como “a esperança é a última coisa a morrer” vão continuar a lutar para encontrá-los. Aos 24 anos, José Manaças fez “quase tudo” para localizar os irmãos paternos. A história da procura é longa. “Antes do meu pai falecer, passou por Malange, em 1996. Nessa altura eu e a minha irmã Neusa Celestina Avelino Manaças fomos registadas”, recorda, acrescentando que foi o último contacto com o pai.
O jovem diz que o seu pai foi a Malange para se despedir, pois morreu pouco depois: “em 1997, recebemos a notícia da sua morte, em Luanda. Foi com muita tristeza que encarei essa situação”, sublinha José Manaças.
 
A terra dos progenitores
 
José Manaças recorda que o seu pai era natural de Caribo, município de Cangandala, em Malange, e a mãe é de Gonga Mambi, Kiwaba Nzogi, na mesma província. Embora não fossem casados, o pai e a mãe partilharam o mesmo tecto até ele mudar para Luanda. “Quando tinha seis anos, o meu partiu para Luanda com outra senhora com quem tinha filhos, que residiu aqui, em Malange, na Maxinde. Não conheci essa mulher e nem sei o seu nome”, disse.
José Manaças refere ainda que já recorreu a muita gente para encontrar os seus irmãos paternos. “Em 2002, informaram-me que podia localizar os meus familiares no bairro da Coreia, na Samba, mas nada consegui. Procurei em várias ocasiões, mas não os localizei. Ando incessantemente nessa procura. Sei apenas da existência de sete ou oito irmãos da parte paterna”, diz comovido.
 
O irmão Zezito

Acrescenta que um dos poucos dados que tem sobre os seus irmãos é que um deles é tratado por Zezito. “Provavelmente deve ter sido registado com o nome de José. Portanto, é meu chará. Dizem que se parece muito comigo e que continua a residir em Luanda. Sei também que o meu pai teve uma menina com uma outra senhora, para além daquela com quem partiu de Malange, nos anos 90. Outro dado que disponho é que, possivelmente, tenho outros três irmãos que se chamam Nacito, Rui e Yana”, completa.
Depois de residir, de 1999 a 2005, em Luanda, numa das passagens por Malange, esteve na casa onde o seu pai viveu com a senhora com quem também tinha filhos e lá José Manaças foi informado de alguns detalhes da família, que guarda na memória.
Em 2008, teve informações de que na mesma casa esteve uma sua irmã que se formou no Brasil.
 “O seu nome também escapou à minha informadora. Essa senhora diz conhecer a irmã da minha madrasta, mas, infelizmente, desconhece o seu paradeiro em Luanda. Isso fez com que a minha procura continuasse a redundar em fracasso”, admite.
José Manaças é um homem da música e do teatro e diz que um dia vai recorrer à rádio e à televisão, para localizar os irmãos.
 
Conhecer o Alentejo
 
Josina Cândida Malacriz é filha de Josefa Malesso e de Maximiano de Moura Malacriz. Nasceu no Lubango, a 6 de Novembro de 1974. Anseia por conhecer a família do lado paterno, que vive na região do Alentejo, sul de Portugal.
Através de pessoas amigas que se deslocaram a Portugal procurou obter dados dos seus familiares, mas sem sucesso.
Mãe de quatro filhos, Josina é a segunda de três irmãos e a sua irmã mais velha também é filha de um cidadão português. “Perdi o meu pai ainda bebé.
Sei que morreu num acidente em Benguela e lá mesmo foi enterrado, na vila da Catumbela. Hoje reparto o amor, alegria e consolo com os meus filhos, marido, mãe e mais algumas pessoas próximas, depois da grande tristeza por que passei ao ser baleada em Outubro de 1994, no bairro Kikolo, no município do Cacuaco, em Luanda. Na vida tenho um desejo, encontrar os familiares paternos”, concluiu, reafirmando o desejo de ir um dia no Alentejo” e lá localizar os parentes de seu pai, Maximiano de Moura Malacriz.

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