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Onda de casos de violência doméstica preocupa as autoridades em Malange

Luísa Victoriano | Malange

A direcção provincial da Família e Promoção da Mulher em Malange registou em 2012 um total de 489 casos de violência doméstica, revelou ao Jornal de Angola a responsável do sector, Antónia Maiato.

Directora da Família e Promoção da Mulher
Fotografia: Eduardo Cunha

A direcção provincial da Família e Promoção da Mulher em Malange registou em 2012 um total de 489 casos de violência doméstica, revelou ao Jornal de Angola a responsável do sector, Antónia Maiato.
Dos casos registados, salientou, os mais recorrentes foram os de incumprimento de mesada, num total de 182, privação de bens, com 38 ocorrências, espancamentos, com 30 casos, despejos, com 29, abandono de lar com 26, ameaças de morte, 20, e privação de liberdade com 17 registos. Foram ainda registados, no mesmo período, 12 casos de fuga à paternidade, dez ofensas morais, cinco de venda de imóveis, um caso de agressão com arma de fogo.
Antónia Maiato frisou que além de mulheres, os homens também acorrem à instituição, expondo queixas contra as parceiras. Adiantou que foram registados cinco casos de ameaças de morte, igual número de casos de adultério, nove de espancamento e oito de ofensas morais.
No referido período, foram encaminhados pelo Ministério Público 70 casos de natureza diversa e 89 para a Direcção Provincial de Investigação Criminal (DIPIC).
O baixo nível de escolaridade, poligamia e o uso excessivo de álcool são apontados por Antónia Maiato como as principais causas do elevado número de conflitos entre casais. A responsável disse que a instituição regista diariamente seis a nove casos de conflitos no lar, um facto que tem preocupado a Direcção da Família e Promoção da Mulher na região.
Para inverter o actual quadro, Antónia Maiato garantiu que a DIFAMU tem realizado palestras de esclarecimento no seio das comunidades para a divulgação da Lei contra a Violência Doméstica, a sua importância e incentivar a população a denunciar todos os casos de conflitos familiares.
De acordo com a responsável, as vítimas de violência doméstica são maioritariamente do sexo feminino, estando a grande maioria associada a agressões físicas, injúrias e ameaças. “Com o surgimento da Lei contra a Violência Doméstica, um instrumento jurídico aprovado em Abril pela Assembleia Nacional, com o propósito de regular, combater e punir os autores de crimes de violência no seio das famílias, as vítimas sentem-se mais seguras e confiantes, permitindo que sejam reveladas situações do foro privado às entidades públicas”, sustentou a directora do DIFAMU.

Relatos das vítimas

A cidadã Victória António, doméstica, de 25 anos, e mãe de 5 filhos, disse à nossa reportagem que vive sérios problemas com o marido. Victória resume os 12 anos de convivência com o seu parceiro como de muito sofrimento, resultado da falta de assistência quer nas situações de escola, saúde, quer no vestuário e alimentação.
Victória António solicitou a intervenção da Direcção Provincial da Família e Promoção da Mulher para aconselhamento ao seu marido, para que este assuma as suas responsabilidades como pai.
Na mesma situação vive Eva Alberto, de 30 anos, também doméstica e mãe de 5 filhos. Eva foi à DIFAMU para ver se consegue pôr cobro a mais de cinco anos de desavenças com o esposo.

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