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Os caminhos do fim-de-semana desembocam quase sempre na água

Filipe Eduardo

 Procurar um espaço de lazer durante o fim-de-semana, na cidade de Malange, para descansar a mente e procurar uma nova e melhorada disposição para a semana laboral seguinte, significa ir em busca de encantos nos Rápidos do Kwanza, em Cangandala, Quedas de Calandula e do Musselechi, ambas em Calandula, ou, para os mais ousados, nas Quedas dos Bem Casados, na comuna de Tala Mungongo, no município de Cambundi Catembo, a cerca de 80 quilómetros da sede provincial.

Procurar um espaço de lazer durante o fim-de-semana, na cidade de Malange, para descansar a mente e procurar uma nova e melhorada disposição para a semana laboral seguinte, significa ir em busca de encantos nos Rápidos do Kwanza, em Cangandala, Quedas de Calandula e do Musselechi, ambas em Calandula, ou, para os mais ousados, nas Quedas dos Bem Casados, na comuna de Tala Mungongo, no município de Cambundi Catembo, a cerca de 80 quilómetros da sede provincial.
São, em suma, os atractivos de realce, que aos fins-de-semana congregam gente de várias proveniências, desde a capital do país, ao Kwanza-Norte e Sul ou Uíge, só para citar estes. Nos feriados prolongados, é assinalável a enchente de pessoas eufóricas, de diversas idades e estratos sociais, organizadas em grupos, mas todas com objectivos comuns: diversão, paz e alegria. 
A deslocação a estes espaços turísticos requer, naturalmente, uma viatura pessoal ou de uma pessoa amiga, pois os transportes públicos ainda não são uma realidade. Por essa razão, há quem prefira “caçar com gato, por não ter cão”. É o caso de Jorginho Neves e companheiros que, por falta de transporte, apesar da vontade de ir até aos Rápidos do Kwanza, a 35 quilómetros de Malange, preferiram a piscina da cidade. Um espaço abandonado há muito, mas que a chuva resolveu abastecer de água.
Lixo transportado pelas correntezas da chuva e outras impurezas misturam-se com a água que serve de banho, mas os meninos, até prova em contrário, ignoram estes perigos e divertem-se a valer a dar mergulhos. Não há outro sítio para brincarem, diz Jorginho Neves, que defende que a água que está na piscina é pura, pois a chuva que abasteceu o espaço caiu há poucos dias.
Outros há que, para evitar terem de pedir boleia aos proprietários de viaturas, que sempre apresentam desculpas, preferem juntar-se num quintal e aí começar uma festinha para mudar a monotonia da semana laboral. É o caso da Marieta António que, quase sempre, organiza os amigos, que fazem uma pequena contribuição, e tudo acontece no quintal, por detrás da pequena casa de dois andares onde vive. Malange tem falta de espaços de lazer, reclama a jovem Marieta. Mas, enquanto a situação se mantiver na mesma, “não podemos ficar parados”. 

É assim Malange. Roulottes e lanchonetes em pequeno número “matam” a sede de quem pretende cair na noite aos fins-de-semana. Além da falta de espaços de lazer, a brisa, ou se quisermos o frio, que se faz sentir à noite, mesmo sendo tempo quente, torna Malange uma cidade que adormece a partir das 21h00.

Rápidos do Kwanza

“Um encanto”. Foi com esta expressão que Julieta Ngueve, técnica de fisioterapia, proveniente de Luanda, caracterizou os Rápidos do Kwanza, localizados no município de Cangandala, a 35 quilómetros da cidade de Malange, na estrada 140. Julieta Ngueve aproveitou o fim-de-semana prolongado em companhia de algumas amigas e não escondeu a sua alegria em conhecer um dos espaços mais emblemáticos da província e, até, de Angola. Na carroçaria da viatura que levou, Julieta tinha tudo e mais alguma coisa: fogareiro, caixas térmicas, cadeiras de plástico e outros bens necessários para um pacato piquenique. Depois de uma tarde de lazer, Julieta e companheiras gostaram da tranquilidade do espaço e da gente simpática da aldeia ao lado do rio Kwanza, Camassa, sempre pronta a ajudar.
Bem ao lado do local onde Julieta Ngueve e companheiras se instalaram, está um jornalista da Prensa Latina, Óscar Ramires, que foi em busca de assunto para algumas reportagens sobre sítios turísticos de Malange e, naturalmente, divertir-se um pouco. “Isto é quanto vale a paz. Ver gente alegre, num convívio entre irmãos, é o melhor que um homem pode usufruir”, afirmou, emocionado, Óscar Ramires, para quem depois do advento da paz todas as riquezas, entre culturais, turísticas e outras, são, naturalmente, exploradas. Óscar conversou com gente da terra e comeu peixe do Kwanza, mas do que mais gostou foi da humildade e simpatia das pessoas de Camassa, jovens e anciãos.
Entre os vários atractivos dos Rápidos do Kwanza, realça-se a pesca, o banho nas águas que abraçam a areia branca, o aglomerado de senhoras que assam o peixe recém-saído da água e, volta e meia, chamam um possível cliente. A música de diversos géneros que ecoa dos carros e cujos sons se cruzam, a ponto de no mesmo local se poder ouvir mais de duas melodias diferentes, marca o clima de um ambiente festivo. É sempre assim aos fins-de-semana, diz o jovem Paulo Malamba, que aproveita a presença dos visitantes para amealhar algum dinheiro na venda de lenha ou de carvão para os assados. Malamba ajuda, também, a acender o fogo e, muitas vezes, é contemplado com comida e bebida, e “assim vai a vida”.

Quedas de Calandula

Outro destino para muitos turistas, entre nacionais e estrangeiros, aos fins-de-semana, é as Quedas de Calandula, localizadas a sensivelmente sete quilómetros da sede municipal com o mesmo nome. A beleza do espaço é resultado da queda brusca das águas que, ao baterem nas pedras que ficam a cerca de cem metros, formam uma espécie de neblina e um arco-íris bem visível. Alguns metros antes do precipício, há um espaço cercado por pedregulhos que dá acesso às águas do Rio Lucala, onde as pessoas mergulham sem perigo. Aos sábados e domingos, podemos encontrar ali gente de muitas origens.
Laureana Araújo, em companhia do irmão, aproveitou um fim-de-semana para ir visitar as Quedas de Calandula, um espaço que, devido à beleza, serve de inspiração a muitos poetas e cantores. Em toda a extensão do terreno, há pessoas em tendas improvisadas, ou em espaços organizados pela administração local.

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